Inspirar-Poesia, um segundo sopro

prelúdio de um blues

Por Sueli Maia (Mai) em 12/01/2010
“Só para nós não morre aquilo que morre conosco”
(Gabriele d´Annunzio)

No vão das horas os dias me escapam, mas sigo. Tendões e fibras e pele seguirão comigo, porque eu sempre teimo em seguir. E seguirei; como seguem todas as coisas que ocupam o lugar de outras coisas as quais se perde por aí. Eu sempre perco. [E engulo o choro ao perder].  E mesmo se jaz viver em vão, não me exaspero em saber, eu bebo um blues. Porque a hora não chega antes do minuto derradeiro. E afinal tatuarei mais uma palavra sob meu vestido e em largos goles de azul levarei comigo as linhas desse meu silêncio.
.


Inspirado no vídeo: Carlos Barreto Lokomotiv - salada 2
Outro texto aqui
Ao Artista Plástico e poeta marco Antônio, muito obrigada! dedicou-me um poema aqui 

44 comentários:

Assis Freitas disse... @ 30 de novembro de 2010 19:27

e isso é só o prelúdio, maravilha. sobre perdas tenho uma constatação: eu só acerto no erro,


cheiros

Lara Amaral disse... @ 30 de novembro de 2010 20:07

Pontos percorridos em segundos que carregam todo o tempo imensurável de um desvario.

Excelente texto, e o comentário do Assis foi perfeito.

Beijo.

Márcio Ahimsa disse... @ 30 de novembro de 2010 20:17

eu quero um blues
para me precaver
da ardência do dia
porque cai a tarde
e o meu receio ainda
é disfarce,
ainda é covarde
a escolha sem sorte...
eu quero me vestir
dessas súplicas,
quero um azul
para pintar minha
hora gris
e ver a tempestade
varrer o que me arde...


Beijo Mai, entre um blues e um arrebol, eu vou...

Letícia Palmeira disse... @ 30 de novembro de 2010 20:53

Minha nossa.

Caio Fern disse... @ 30 de novembro de 2010 21:31

wow ! tao intenso , lindo , forte , lindo , apaixonante , lindo ....

hoje eu consequi pegar seu post em dia ;)
beijos , Mai !!

Ricardo Valente disse... @ 30 de novembro de 2010 21:53

... e é um silêncio consternado, como se a cabeça soubesse sempre o que o coração manifesta, mas se engana. Há vácuos de espera, de expectativas e acontecimnetos. Incógnitas criadas em fórmulas de Bhaskara. Envolventes. ArquiMÉDICAS. Ampulhetas
viradas... e viradas... e viradas... sem motivos... torpe. Engolindo Quéops, ou o raio... que o(se) parta. Sempre!

Malu disse... @ 30 de novembro de 2010 23:06

" E mesmo se jaz viver em vão, não me exaspero em saber, eu bebo um blues. Porque a hora não chega antes do minuto derradeiro. E afinal tatuarei mais uma palavra sob meu vestido e em largos goles de azul levarei comigo as linhas desse meu silêncio."

Acho que depois destas palavras não precisa se dizer mais nada.
Que belo!!!

Eurico disse... @ 1 de dezembro de 2010 00:26

Eu também teimo em seguir. Sigamos!
Estou contigo nesse blues...


Abraço d'amigo!

Marcantonio disse... @ 1 de dezembro de 2010 00:45

"Se queres um mote contínuo,
canta as tuas perdas."

Prosseguir, afinal, é (um) permanecer (,) alheio ao remanescer.

Mais um belo texto!

Abraço, Mai.

Í.ta** disse... @ 1 de dezembro de 2010 01:47

mai,

meu espaço mesmo não é o blog do círculo de leitura.

é este aqui, ó:
www.um-sentir.blogspot.com

muito bom passar aqui pelo teu lindo espaço.

beijos!

sidnei olivio disse... @ 1 de dezembro de 2010 07:46

prosa poética de primeiríssima, em ritmo de blues. beijo.

lolipop disse... @ 1 de dezembro de 2010 08:47

Mai,
A vida assemelha-se á definição que Jimmy Hendrix deu dos blues..."fácil de tocar, mas dificil de interpretar"...e só quem não se limita a tocá-la vive...e vivendo sofre, se angustia, por vezes ri...bebendo "largos goles de azul".
Belo, muito belo, o seu texto!!
CARINHOSSSSSSSS
e parto entre um toque de harmónica...

Maria Dias disse... @ 1 de dezembro de 2010 09:10

É incrível mas vc sempre me emociona viu?

"Em largos goles de azul levarei comigo minha linha em silêncio."

Lindo isso Mai!

Beijinho

E por falar em seguir: Se por acaso vc tiver twittando por aí me siga tb viu?rs...

@crika_67 (meu Twitter)

Amadeu Paes disse... @ 1 de dezembro de 2010 11:06

Puxa vida! Adoro um blues, imaginei os metais e as guitarras nesta tua prosa.

Kenia Cris disse... @ 1 de dezembro de 2010 14:01

Belíssimo!

Eu também sou dessas que perdem coisas e pessoas o tempo todo, mas não consigo engolir o choro. =/

Beijo sempre carinhoso. =*

Éverton Vidal Azevedo disse... @ 1 de dezembro de 2010 14:03

Como um Blues, transformação de alguma dor em energia pra seguir adiante. Adoro blues. Adoro o som que estou ouvindo aqui e adorei o teu texto. Vou ficar mais um tempinho aqui pra compensar a ausência.
Um bj!

Mirze Souza disse... @ 1 de dezembro de 2010 14:27

Mai!

Um prelúdio além da perfeição "in blues".

O silêncio que levar ficara aqui registrado.

Parabéns, minha amiga!

Beijos

Mirza

Janaina Cruz disse... @ 1 de dezembro de 2010 14:38

Uma mistura de silêncio e cores, muitas cores que hás de guardar nas algibeiras de tua alma... Amei teu catingo!

Runa disse... @ 1 de dezembro de 2010 16:50

Descobri o teu blog por acaso e ainda bem. Gostei daquilo que vi e hei-de voltar mais vezes.

Bjs

Runa

Chris Ribeiro disse... @ 1 de dezembro de 2010 17:49

Texto perfeito, trenzim!
Bjo.

@ChrisRibeiro

TERE disse... @ 1 de dezembro de 2010 18:56

Beijos..Beijinhos musicais..e que o segredo não digas jamais.

Votos de que tudo esteja melhor do que ao ler este texto me parece...Intuição falsa?

Com carinho, cara amiga.

Mité

TERE disse... @ 1 de dezembro de 2010 19:01

* Ao referir-me a segredo foi baseada no silêncio mencionado que com segredo pode não ter a ver...

Barbara disse... @ 1 de dezembro de 2010 21:18

Fiquei azul de repente...

A. Reiffer disse... @ 1 de dezembro de 2010 21:47

Um poema em prosa de forte lirismo, gostei. Abraços!

Djabal disse... @ 2 de dezembro de 2010 01:45

Disse um português: o coração tem o tamanho de um punho fechado. Se o abrissemos quanta coisa se perdia.
Apenas não perderíamos a poesia do momento sob o vestido, revestida em linhas e afogada em blues.
Beijos.

líria porto disse... @ 2 de dezembro de 2010 11:32

essa tua justeza ao dizer - não sobra, não falta - mesmo que vez por outra percas algo... e é isso, seguir até o minuto derradeiro, que a hora é a hora e nada se faz ou desfaz-se antes do tempo.
besos

Paula Barros disse... @ 2 de dezembro de 2010 14:59

Uma tristeza vestida da beleza poética, que você sempre sabe dar a sua escrita.

Seguir sempre, suvamente, ou não, com blues, ou forró, levantar a cabeça, e mostrar a fibra, e mostrar a garra...e chorar...e seguir.

Bom planejamento para 2011. Começo o seu novo ano agora,portanto.

beijo

(tem um colega que gostou da música suave, estou no trabalho, portanto vou a outro blog deixando a música tocando)

Batom e poesias disse... @ 2 de dezembro de 2010 16:19

Lindo poema que se disfarça de prosa, mas é tão poesia...

E eu não me canso de ler.
bj
Rossana

Poupée Amélie™ disse... @ 2 de dezembro de 2010 16:20

Belo texto, Mai.
Engolir o choro junto de um blues: acho que um quebra o efeito do outro... de certa forma.
BeijO*

betina moraes disse... @ 2 de dezembro de 2010 16:39

mai...

ir é a única permanência que devemos ter, você bem disse!

particularmente, sobre o momento que vivo agora eu poderia dizer que está inteiramente pautado em um pensamento exatamente assim.

gostei muitíssimo, me faz acreditar nos meus passos.

um beijo, imenso!

JOE ANT disse... @ 2 de dezembro de 2010 16:49

No vão das horas que me escapam, quem não podia deixar escapar a oportunidade de fazer uma gracinha.
Resolvi copiar o seu post e entremear palavras minhas.
Do resultado saiu o meu post impostor
"Ideias sobrepostas... e impostas",
complementado com música de George Gershwin "Rapshody in Blue".
...
Bem haja por gerar sentimentos inspirativos em nós.
...
Para você e todos os seus, votos de
**** FELIZ NATAL e BOM ANO NOVO****

dade amorim disse... @ 2 de dezembro de 2010 17:20

Perdas e ganhos - somos tão familiares a eles, e perder é tão mais nosso hábito, eterno prelúdio.

Beijo.

Bєzєяяa Guimaŗãeร disse... @ 2 de dezembro de 2010 19:25

Estou aqui. :)
Aprecio sua prosa poética,pois ela sempre toca num cantinho do meu ser... Um cantinho que, muitas vezes, está desacordado.. É sempre bom percorrer os espaços do ser e suas prosas ajudam-me a isso.
Toda perda tem um ganho - eu acho.

:*

Beijos,
Ry.

RICARDO disse... @ 3 de dezembro de 2010 15:37

Texto poético "ritimado em blues".
Belíssimo Mai


*Aproveito para agradecer sua presença lá no meu blog.

Beijo
Ricardo

tossan® disse... @ 3 de dezembro de 2010 20:38

Um jazz com fibras de blues num quase silêncio não fora a tua fabulosa escrita de goles largos. Beijo

Uni ver sos disse... @ 4 de dezembro de 2010 02:07

Ólá Mai!

Agradeço a gentileza do seu comentário em um dia que foi muito especial para mim.

A tua escrita continua bela e latejante!


Bjs!

Lua Nova disse... @ 4 de dezembro de 2010 12:23

Morrer não é o contrário de viver... o contrário de viver é se entregar...
Somos a somatória de nossos ganhos e perdas.
Ler vc alivia minha ansiedade.
Beijokas.

Walkyria Rennó Suleiman, disse... @ 4 de dezembro de 2010 13:35

Mai...
tenho pensado tanto nessas coisas, mas acho que quem se busca, se procura, tem essa nota tocando no ar. essa canção nos aproxima.

Mas é bem vindo o eco que ecoa em outras paragens, fazendo da mesam nota, uma nova música.

Mai.... teimo em pesar se seguir é o caminho...

estarei aqui, ouvindo o teu azul... e azulando o tanto que for possível.

Mari Amorim disse... @ 4 de dezembro de 2010 15:47

Olá,Mai
Maravilhoso texto,saio daqui do teu espaço dizendo-lhe valeu apena visita-la!
Boas energias
Mari

Jorge Pimenta disse... @ 5 de dezembro de 2010 12:52

mai,
se é verdade que para nós não morre aquilo que morre connosco, não seja menos verdade que saibamos viver tudo o que ainda não nos morreu.
um abraço!

guru martins disse... @ 5 de dezembro de 2010 17:41

...tem música
que ouço
e não comento.
canto!!!

bj

Lisa Alves disse... @ 10 de dezembro de 2010 09:07

Tomarei a liberdade de jogar um poema que escrevi em 2007 e que seus versos me jogaram nele:

A CAIXA

Azul e quadrada,
Tão profunda quanto o Atlântico,
Tão rasa quanto o brejo que corta a Vila São Pedro com a rua Padre Anchieta.

Ela olhou para dentro e sem pensar deu um salto.

RUA TIA NICA 70

Na casa onde vivera por vinte anos, ela voltou (não para permanecer), mas para testificar suas raízes.
Olhou os quadros, olhou para sua velha-guarda e sentiu um aperto no peito (não era um aperto de dor ruim e sim aquele aperto de ausência.)
Não tê-los ali, do seu lado, para trocarem olhares de vida era tão ruim quanto ouvir gritos de socorro do lado de fora e do lado de dentro não poder fazer nada.
A avó com seu semblante confiante e elegância parecia dizer com seu tom imperativo: É isso mesmo, minha neta, continue indo! E jamais permaneça!
Já o avô de olhos oceânicos, guarda-chuva na mão e paletó envelhecido, não parecia dizer nada. Em vida, era um homem de poucas palavras, quando cogitava falar, optava pelo seu livro de anotações onde contabilizava perdas e ganhos da fazenda.
Os portais continuavam amarelos, a varanda e o banquinho também eram os mesmos, só ela que não se encaixava naquele livro de recordações.
Não era parte do Todo genealógico: não estava nos santos expostos na parede, não estava no jardim que outrora fora o mais florido de toda redondeza
e nem mesmo na garagem que servia para guardar a imaginação de crianças “endiabradas”, como queixava-se Tia Deca.
Era incrível, mas a vizinhança era a mesma: um monte de Donas Marias, Antônias, Comadres e Compadres.

Um verso passeou pela rua Tia Nica:

um verso imutável, digno de ser pintado,

um verso tão sólido que não se desmancharia no ar,
apenas voaria.

Entraria pelas portas, beijaria as comadres e saudaria os compadres.

E ela pôde ver a forma desse verso:
não era um soneto e muito menos alexandrino.

Os parnasianos o invejariam e os pré/pós modernistas diriam:
Eta vida besta, me Deus!

Walkyria Rennó Suleiman, disse... @ 20 de dezembro de 2010 21:15

li de novo essas linhas, poemas proza, sei lá, essa música e todo o teimar de viver, de viver vivendo, seja lá como for.

Eliana Mora [El] disse... @ 11 de janeiro de 2011 17:46

um pensar poético que que me pega, me faz girar, me açoita.


pois é, deixo um beijo,

hoje
El

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