Inspirar-Poesia, um segundo sopro

E finalmente a primeira dança...

Por Sueli Maia (Mai) em 1/21/2009

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A razão me serve muito nas horas em que é preciso fincar os pés no chão. E se há projetos que se defende em batalhas suadas e sangradas até que a vitória, se possa alcançar, existem os loucos que crêem nas facilidades da sorte, aproveitam e abusam até o dia do juízo final. Mil vezes se esquivam de levar uma sapatada até que num dia ‘D’ qualquer, tomam um elegante pontapé no traseiro e o mundo inteiro fica negro e feliz. A recessão também é negra e está ai. E se a culpa é ou não dos desatinos de um imperador louco, teremos que administrá-la com estratégia e pés no chão. A noite poderemos sonhar, até torcer e esperar que um Lord ou nobre montando um corcel negro nos salve e abençoe as Américas e o mundo inteiro. Bom mesmo é ser prudente e criativo. Criatividade, coragem e loucura não me faltam e foi assim que sobrevivi em plena ‘gaza’, defendendo o lado fraco na loucura. Entre cálices quebrados e refluxos de loucura, finalmente eu consegui aprovar o meu projeto de oficinas terapêuticas para os loucos. Nietzsche até se orgulharia e riria se soubesse dos meus surtos. Me beijaria ou quem sabe desistisse até da morte e viesse me ajudar nessa empreitada. Mas há quem se vicie na sorte e se valendo dela, esqueça os revezes da loucura e os efeitos colaterais da medicação. George era um desses. Dizem que bebia, que era viciado em jogos de azar e que além de tudo tinha acessos de raiva porque havia contraído uma doença inflamatória nos testículos. George perdeu o juízo e a casinha branca que ganhou num concurso em que fraudou o resultado. A loucura tem histórias e na história, também há muitos loucos. George entrou para a história do hospício e ele era apenas mais um louco agressivo. E eu tratava dele com amor, também. Por mais livros que se leia ou se pesquise a loucura, nada se compara a que se vive. Eu estava tratando um novo grupo em que felizmente, alguns, poderiam ser cuidados clinicamente. Assim os estava tratando. Entre dementes, presidentes, imperadores e reis, há os malucos-beleza, os poetas e alguns músicos mais tranquilos. Tranqüila era Izabel. uma estilista cubana, guantanamera, que elidiu nas torturas de um louco que se achava deus e esqueceu que gente sofre, tem direitos e merece respeito. Izabel me disse que fazia vestidos para princesas negras. Percebi que Izabel costurava, à mão, um vestido amarelo, sem parar. Perguntei se era dela e ela me disse que daria à Michele para dançar com o Barak, a primeira música. Esses dois haviam ganho a loucura como parte de uma herança.
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A oficina era de dança e Michelle sabia dançar muito bem. Há momentos em que eu apenas observo e não sugiro coisa alguma, porque eles também sofrem de transtorno opositor. Querem tudo ao contrário do que é proposto. Me economizo e deixo que escolham a música e o ritmo da dança.O repertório eu escolho e ao final, eles decidem e ficam felizes. Eu, também. A última palavra é sempre do dono ou do cliente e todo louco é megalômano e tem mania de poder. A esse tipo de capricho eu não me nego a ceder. Sou elástica, gosto de brincar de esconde-esconde e viro estátua quando ficam agitados ou querendo se matar. Eles se aquietam e entre mortos e feridos, salvam-se todos. Era isto que eu queria. Poder ver, todos bem. E eles eram os donos e os atores das oficinas terapêuticas. Michelle foi a primeira a escolher e quis dançar com o Barak. Um negro lindo que ingressou naquela história com o prontuário 20.01.2009. A música que a Michelli escolheu, foi prá matar. Liguei o som e um feliz mundo ali, parou. Teve até gente que chorou quando os dois, começaram a dançar. Qual foi a música? Foi ‘At Last’. E o Lúcio que se acha, achando que é o Elton John me deu uma música em um papel e disse: - esta é sua, é a sua música. Eu escrevi para você This is Your Song... A Izabel ficou chorando e eu sorrindo, olhei e disse : Izabel, não fique triste. Pode sorrir, cantar e até dançar Guantanamera, porque a tortura em Guantanamo, acabou...
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34 comentários:

Luciana Horta disse... @ 21 de janeiro de 2009 20:34

Mai, estou sem palavras...
Apenas maravilhada!
Bjo com carinho da Lu

Diogo Caceres disse... @ 21 de janeiro de 2009 20:44

Oi Mai, tudo em paz??
Estamos todos numa dança frenetica a muito tempo mesmo... angustias, depressões, desejos desmedidos, ganancia, orgulho e egoismo, verdadeiras loucuras, tem feito sacudirmos até os ossos doerem!
Vamos mudar o passo, trocar o ritmo, valsar através de sonhos que deixem leve o coração e façam nossos pés alcançarem as alturas... alturas de paz e serenidade de quem tem a consciência de que está aq p/ ser feliz... ainda que muitos considerem isso loucura!!
Ótima noite e abraço!!!

tossan disse... @ 21 de janeiro de 2009 20:56

Quando venho comentar um, tem outros. Ainda bem que são ótimos textos. Bj

Serena Flor disse... @ 21 de janeiro de 2009 21:31

Gostaria de ter a facilidade que expõe teus pensamentos em forma de textos...babo de inveja(inveja no bom sentido...rs)
Adoro ler seus textos minha querida. São todos ótimos...parabéns!
Beijos.

Elcio Tuiribepi disse... @ 21 de janeiro de 2009 22:06

Mai, estou torcendo para que ele me decepcione, vou ficar quase feliz se isso acontecer...Guantanamo já é um bom começo...será que irão mesmo deixar que isso aconteça? Ahh...a cara do George é mesmo de louco, ele me lembra a cara do MAD, lembra dessa revista? Rs...Um abraço na alma...pra variar, mais um ótimo texto...boa quinta

paula barros disse... @ 21 de janeiro de 2009 22:46

É muita loucura....

Nise da Silveira também lhe beijaria e ficaria feliz, muito.

As vezes fico pensando se eu enlouquecesse quem iria ser, Nossa Senhora, Napoleão, não combinam comigo.

Talvez eu gostaria de participar dessas danças, seria um dançarina de cabaré, na realidade nem é muito loucura, é até um sonho.

Parabéns, se não for só um texto, pela oficina terapêutica.

abraços querida.

Léo Mandoki, Jr. disse... @ 21 de janeiro de 2009 23:32

..sabe...eu sou imigrante há 18 anos...tem 18 anos que deixei o Brasil. Já viajei muito e conheci algusn países...e não tenho nenhuma vergonha em dizer que sou pró-americano...mesmo na era da governação Bush eu nunca deixei de admirar aquela sociedade louca, paradoxal e apaixonante. Na cosntituição dos EUA (na declaração de independencia) existe a apalvra FELICIDADE (que eu saiba é caso unico no planeta)...
Obama abre uma nova era..é verdade...mas ele é futura e tbm passado, pq ele vai regressar os EUA à sua origem...aos valores de Abrahaam Lincon...e ele vai recupera os EUA a partir do passado..é o passado que vai abrir o futuro...e isso é que me apaixona naquela sociedade...sem contar que Obama é filho de pais imigrantes, pobres e negros. Eu sou imigrante e sei o que é viver fora da terra onde nascemos...
gostei da sua consciencia politica...
um beijo

Letícia disse... @ 22 de janeiro de 2009 00:27

Mai,

Você fala de sorte e loucura e empurra política dentro da vida. Acho isso interessante. Mas também acho que estamos fazendo festa demais porque o presidente é negro. Ele bem que poderia ser um imigrante asiático ou mexicano. Não sou americana - embora seja colonizada. Eu concordo com o que o Léo Mandoki falou. Eles têm uma cultura apaixonante. Passo noites vendo seriados americanos, filmes americanos e sou louca de atirar pedra lá de cima da Estátua da Liberdade.

Bjs, Mai.

E estou bem sim. Estamos. A mula que empacou foi o meu pc - criação norte-americana. =)

Elcio Tuiribepi disse... @ 22 de janeiro de 2009 07:37

Confesso que não consigo morrer de amores pelos EUA não...não falo das peoas em geral, mas de um certo ar de superioridade que eles acabam adquirindo, omo se fosse uma herança genética, e talvez seja...
Bem...espero que o presidente me decepcione. Guantanamo seria um grande início, espero que os outros deixem acontecer...vamos aguardar, a estrada é longa, cheia de curvas escorregadias e a razão me faz ser ponderado...belo texto...um abraço na alma

Márcio Ahimsa disse... @ 22 de janeiro de 2009 09:07

Eita, olha só, estão pensando o quê? Poeta (poetisa), louco-louca ou não, rs, também possui visão ampla de mundo, está antenado ou antenada. Ainda mais quando se trata de uma visão globalizada da pollítica mundial tão conturbada, pelos transtornos dos líderes que ditam as tendências de guerra e paz.
Sabe, Mai, eu,particularmente, acho que eles são todos loucos, mas loucos que não sabem olhar para o sorriso das crianças, ao contrário de nós, poetas também loucos, que sabemos, e muito.

Beijos, querida, vamos ter esperança.

Jacinta Dantas disse... @ 22 de janeiro de 2009 09:23

Voltando, devagar, querendo ler o que ficou prá trás, priorizando o que está a minha frente. Eita dúvida. Vou lendo.
Depois do nosso papo escrevi e postei. Tarde da noite, cedo do dia, ainda confusa.
Beijos

Tatiana disse... @ 22 de janeiro de 2009 09:56

Mai... sempre venho aqui e fico a refletir em sua escrita... aí penso vou absorver melhor e escrever... aí volto e a ideia fica perdida em um novo conto... que a cada momento nos toca mais.
Fantastico seu dom da escrita...

Um dia repleto de dádivas para você!

Receba um beijo carinhoso

FERNANDA & ASTROLOGIA disse... @ 22 de janeiro de 2009 15:09

QUERIDA MAI ESTOU SEM PALAVRAS PARA COMENTAR A MARAVILHA QUE ESCREVES-TE... FICA SEMPRE COM DEUS... UM ABRAÇO DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA

Letícia disse... @ 22 de janeiro de 2009 17:52

Comentei e não foi... ué?!

Mas vou dizer de novo. Ri com o que vc disse. Vou te mandar a cadeirante e vou junto com ela. Aí vc diz quem está pior ou melhor. =)

Mais beijos.

Léo Mandoki, Jr. disse... @ 22 de janeiro de 2009 21:45

...ela ainda está na cozinha e ouve o marido dizer q foi despedido. E é lá que toma a decisão de se suicidar esfregando o resto de veneno nos labios, e dps traz o copo de vinho...mas o marido não bebe....o tempo em que estão sentados no sofá ela decide beija-lo pela ultima vez...um beijo demorado para tbm mata-lo (Romeu e Julieta)....
o que aconteceu foi remorso seguido de um despertar tardio do amor da mulher pelo marido..o amante já estava fora de jogo nessa fase...
Esse para mim é o poder das short stories....com menos de 200 palavras chegar ao mais profundo possivel do coração humano....
(abri uma grande excepção! já tinha decidido nao utilizar os comments para dialogo, mas ctg vale a pena)
se cuida e não toma veneno hein!

Quase Trinta disse... @ 22 de janeiro de 2009 23:20

essa é a dança da vida... regada a saniedade e doses de loucura.

bjs

Paulo disse... @ 23 de janeiro de 2009 02:37

Olá Mai,

Como definir George? Há muitos deles, penso em que tipo de consciencia têem, se têem... Isso é a verdadeira loucura! Se analizados enlouqueceriam o analista...

George! oh, boy! oh, boy!

Esterança disse... @ 23 de janeiro de 2009 03:21

tenho pensado na grande incógnita que é o sr. Obama,
bom, como todo trabalho ele tem cem dias para mostrar sua competência, o chamado countdown desses 100 dias em que os novos presidentes são avaliados,
terá tempo suficiente para
mostrar a que veio,


bjs!

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 09:15

Oi, Luciana.

Fico feliz cada vez que vens aqui.
Não ficas sem palavras pois és 'catadora' delas.

Beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 09:17

Olá, Diogo.

Tudo em paz, amigo.
Melhor agora que recebo teus votos de feliz final de semana.
Preciso sempre de bons ensejos.


Eu retribuo o que me endereças.
Carinho, Diogo

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 09:18

Oi, Tossan

Tenho andado escrevendo sem parar...
Envelopes vazios, papel de rascunho.
Revistas pelos cantos
Tudo é pretexto para um texto.

aumentei a letra por tua causa, também.
beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 09:19

Olá, Serena.

Mas facilidade para escrever tu tens.
Já estive em teu espaço e gostei muito de tudo o que li por lá.

beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 09:20

Oi, Élcio.

Torço sempre.
Não apenas para que tudo se acerte nos Estados Unidos mas principalmente que os Estados Unidos se acertando, não escangalhe outra vez as economias dos Países em desenvolvimento.

Torce também, amigo.
Somos todos UM.
Teremos que estar pensando em Todos por Todos.

Imenso carinho e abraço.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:11

Oi, Paula
A Dra Nise é mentora das 'oficinas de arte'
Precursora do tratamento humanizado.

Também adoraria tê-la conhecido li sua obra e conheci pessoa que estiveram próximas do trabalho dela.


beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:13

Oi, Léo.

Pelo teu testemunho posso avaliar melhor a emoção dos imigrantes durante o discurso de posse.

Obrigada pelas palavras.

Beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:15

Oi, Let.

Eu também sou fascinada pela criatividade dos americanos sua diversidade cultural é o que mais me encanta.
Estudo a diversidade em meio a tolerância.
Esta é a questão.
O respeito às diferenças, sem preconceito e com tolerância.

Acxho que não atiraria pedra lá de cima
mas enquanto tu jagavas, eu jogaria flores ou folhas de livros.

beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:34

Márcio.


A idéia é essa pensar a loucura, incluindo-nos na questão.
Que a assistência e o cuidado são necessários, não tenho dúvida.

Mas e o enclausuramento?
Não o que já passou.
Isto vai ficar na história da 'loucura' e sua invenção.

Digo doravante...
Vamos pensar...


Apenas isto.

Beijos, querido.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:35

Oi, Jacinta.

Eu fui te ver e ler.
Gostei de saber que depois de férias já estás nova, outra vez.

beijos, querida.
e muito carinho.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:37

tati,

Não precisas agradecer coisa alguma.
És bonita e percebo tua luz.

Isto é o bastante.
Continua amando
Mas também pensando como sei que o fazes.
A razão precisa nos ajudar nisto.
Equacionar o tempo de pausa.
melhorar a compreensão das coiss para que sejamos mais rápidos nas soluções dos problemas.

beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:38

Oi, Fernanda.

Grata pela tua vinda e comentário.

Este espaço também é teu.

Beijos.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:39

Quase trinta, uma boa medida tu propões.

Gostei da idéia.

beijos, querida.
Volte sempre e sinta-se em casa.

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:41

Oi, Paulo.

Mas nem precisamos definí-lo
Talvez ele já o faça.
E talvez nem suporte fazê-lo.
Mas também é humano e erra.
Pena que o erro leva muitas vidas e muitos estragos.

Mas, foram as escolhas que ele precisará se responsabilizar nem tu ou eu desejamos isto.
Nem para ele nem para o mundo.


Beijos
Volta mais...

Mai disse... @ 24 de janeiro de 2009 10:42

Oi, Esther.

Mais que torcedora, eu presto atenção, assim como o mundo.
Precisamos que ele consiga fazer alguma coisa.
Precisamos...

beijos querida.

Nuno de Sousa disse... @ 25 de janeiro de 2009 21:30

Lindo... que maravilha estar aqui e ler o que aqui deixas...
Só falta mesmo umas fotos para acompanhar os teus textos... porque não tirares umas fotos e aqui colocares hummm... vá vamos lá sei q és capaz :-)
Bjs em ti
Nuno

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