Inspirar-Poesia, um segundo sopro

pilares populares...

Por Sueli Maia (Mai) em 4/01/2009

“Senhor, dai-me paciência. Pois se me deres forças, Senhor, eu quebro tudo, ao meu redor...” Sentou-se ao meu lado no banco da praça e após este clamor e um suspiro, olhou-me de frente, e juntas, caímos na risada... Então me falou:
- Muito prazer, meu nome é Pilar mas ninguém me conhece com este nome. Eu sou muito popular onde moro e lá, eu sou Dona Carioca – um Bombril ao seu dispor...
- Eu já estava mais leve ao seu lado e o meu sorriso era um presente daquela mulher bonita e vital. Havia marcas de calos em suas mãos, marcas da vida. E disse que eram sete, os filhos que tivera e todos do mesmo pai. Estava viúva e os criara sozinha pois o Cosme, bebia de cair e sem parar, até o fim. Mulher madura e magna, com porte de atriz. E falou:
- Eu poderia ter sido uma puta, sabe, minha filha? Homens ricos e bonitos, com dinheiro de verdade, já tentaram me comprar. E eu teria luxo e vida boa de bacana... E eu passava fome, sabe, dona? Passava fome quando um deles me atentou... Mas eu queria ser feliz, sendo dona de minha alma e tendo meus filhos...
- Um corpo com contornos e curvas e uma mulher sábia e bela. Mas invejável para mim era a sua humanidade e arte de viver com jeito e com alegria, seus dias difíceis... E me falou de sua vida e até a despedida, eu a ouvi. E o sol se foi levando a luz do dia e nos deixando a noite no adeus. Mestra na vida coube-me ouvi-la e calar, guardando suas palavras e o tesouro prá mim. Além da paz, dona Pilar deixou-me convite ao Churrasco do domingo. Pilares populares, sustém a vida e nos ensinam que na arte do viver, precisa arte...
...
Arte: Tarsila do Amaral - Família
...

26 comentários:

Letícia disse... @ 1 de abril de 2009 10:26

Mai,

Vc me escreveu pedindo uma análise. Sou péssima nisso, pois faço apenas uma leitura e nada digno de crítica. Não sou crítica literária. Sou leitora e como amiga, vou dizer. O texto está muito bom, mas evita as aspas - elas são desnecessárias pois o teor literário do texto e das palavras se perde com essas aspas. Você não precisa enfatizar nada com elas. O texto diz que é mulher simples como tantas e é um Pilar que sustenta o mundo. Isso já é o suficiente. Essa é a minha opinião de olheira literária, de leitora mesmo. E, quanto ao resto, vai escrevendo porque é um trabalho contínuo. Não há folga.

Beijos.

E continua remando. =)

Vanessa disse... @ 1 de abril de 2009 10:28

Oi, Mai, que belo texto :-). Como sempre muito visual, dá pra ver tudinho. :-)

Abraço

paula barros disse... @ 1 de abril de 2009 10:31

Mai

Eu também acho que viver é uma arte, e que os pilares populares com a forma de viver e de enfrentarem a vida, tem muito a nos ensinar.

Eles tem uma filosofia de vida, que é transformada no viver, e ensinam com a prática.

Adorei mais esse seu texto.

abraços carinhosos.

(E se eu não for em julho, que setembro chegue logo)

Troll disse... @ 1 de abril de 2009 11:19

E não é por muitas vezes q vemos na simplicidade do outro uma felicidade q comove e parece querer impactar?

Lindo texto, como sempre, caríssima. Saudades.

Sam disse... @ 1 de abril de 2009 11:38

As lições estão nas coisas mais simples, nas palavras do outro, no caminhar comoartilhado, nas frases jogadas,. sem fundamento ou não!

Está nas vidas bem vividas e ditas assim, num poema de verdade e do povo!

Osvaldo disse... @ 1 de abril de 2009 12:18

Oi, Mai;

Viver é fácil... Dificil é saber viver!. E é aqui que entram os pilares populares do "desenrascanso", do jeitinho bem brasileiro, do levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima... e tudo isto foi bem retratado nesta crónica, que até poderia ser real, de tão verdadeira ela é.
Mai, conseguiste, e bem, construir a vivência de um povo que sempre primou por saber como dar a volta aos problemas e ser solidário.

bjs
Osvaldo

Lipe M.T disse... @ 1 de abril de 2009 14:34

"Se a vida, a minha, fosse um quadro...
Eu diria que seria um surreal..."

E assim começou um texto...
Que o inspirar-poesia inspirou.

"E um borrão de tinta sob todas as cores...
Porque nada, por mais lindo e tocante que seja, é perfeito."

E assim pausou, por que pra mim, um texto dificilmente termina, ele pode continuar na cabeça louca de alguem.

Erica Maria disse... @ 1 de abril de 2009 16:06

Menina, essa sim é uma mulher de pulso forte né?

Lindo texto, parabéns!

Bjos no coração!

Multiolhares disse... @ 1 de abril de 2009 18:27

A vida resvala de instante a instante, e a cada momento
temos o livre arbítrio das decisões a tomar, podemos escolher o caminho mais curto,
aquele que nos pode dar mais comodidade, mas normalmente perdemos algo mais valioso a nossa essência, pois algo é vendido, e podemos ir pelo caminho mais sinuoso,mas mantemos a liberdade da alma, na vida tudo é cobrado, cabe-nos a nós saber o que queremos sacrificar .
beijos

Menino-Homem disse... @ 1 de abril de 2009 19:28

Mai,
a figura desta mulher é um retrato quase fiel da minha mãe, que nos educou sozinha.
engraçado que a gente não se dar conta que temos heroínas em nosso próprio convivío, "mainha" é uma destas, uma mulher-macho sim senhor....rs

obrigado por estes momentos de prazer
e por capatar o nordeste em você...

beijos.

Andre Martin disse... @ 1 de abril de 2009 20:53


Sem que haja preconceito no que vou dizer (melhor deixar isto bem claro logo de início, para evitar interpretações tendenciosas), pode parecer absurdo, mas tem gente que gosta de ser pobre!...

Pobre que é pobre mesmo, é honrado! E justamente por isto, continua pobre!... Pobre em dinheiro, rico em alma. A honra e a palavra empenhada valem mais do que papel-moeda.

Pobres desses coitados! Ainda bem que esses pobres enriquecem a humanidade! Eles nos honram, eles nos salvam!

Nas favelas da vida e nas cidades, vivem pobres e bandidos.

Os pobres vivem lá porque não têm onde morar, não porque são bandidos, são apenas marginais (à margem da sociedade).

Os bandidos vivem lá porque se aproveitam desses pobres e se escondem da polícia, pois são legítimos marginais (à margem da lei).

É preciso saber quem é quem, antes de julgar alguém que diz morar numa favela ou na periferia, para não se cometer injustiça, não generalizar tudo e pré-julgar.

M. Nilza disse... @ 1 de abril de 2009 21:25

A principal arte de viver é ser digna como essa mulher. Vencer as tentações com seriedade e força. Sabedoria sem grandes livros de papel, mas diversos escritos em seus caminhos da vida!!

Não me refiro as suas opções de ser ou não ser aquilo ou isso, refiro-me a maneira determinada de ser o que ela escolheu pra si.

Muito bom o texto!!!
Beijos

cau disse... @ 1 de abril de 2009 21:51

acho curioso que sai de um blog que falava que nao acreditava em deus nada disso..
e entro no seu blog ja tem um breve pedido, com muito deboxe!
sahusahushushusas

beijo

Tata disse... @ 2 de abril de 2009 00:15

Oi Mai,

A arte de viver é essa e a de aprender!!!
São essas Pilares que servem de lição para ver como a vida é simples, e que a felicidade está é mesmo dentro de nós, em como vivemos a vida e no modo que a vivemos !
bjinhos

Paulisha disse... @ 2 de abril de 2009 08:57

Obrigada!!!
Beijinhos com muito carinho!!!

Liene disse... @ 2 de abril de 2009 17:54

Mai,
Fiquei imensamente feliz pelo prêmio.
Você é que é uma pessoa talentosa.
Um abraço carinhoso!

Elcio Tuiribepi disse... @ 3 de abril de 2009 07:37

Em meu trabalho Mai, tem um senhor que vai receber seu salário todo os dias, as vezes tres vezes no mesmo dia. E nosso dialogo se repete, o que me rendeu um conto, onde no final ele está perguntando a São Pedro qual o dia de seu pagamento...e eu rolando no chão, agarrado a um pescoço imaginário, dentro de um manicômio para presidiários...rsrs
Isso já se reete a três anos e minha paciência tem horas parece que vai explodir, sorte a minha, pois o conto ficou engraçado.
Quanto a Pilar, foi um enorme prazer conhecê-la também, pois existem pessoas e pessoas, valeu pelo selo, já ia esquecendo de agradecer. Só uma pergunta: Você vai no churrasco?
Um abraço na alma e ua ótima sexta para você.

suecosta disse... @ 3 de abril de 2009 14:09

A Pilar me lembrou alguém...

Tatiana disse... @ 3 de abril de 2009 18:35

Um belo final de semana para você Mai e para todas as pessoas que estão em seu coração!

Um beijo carinhoso

Tatiana disse... @ 3 de abril de 2009 18:35
Este comentário foi removido pelo autor.
Eurico disse... @ 3 de abril de 2009 19:00

Os verdadeiros pilares desse mundo louco: os humildes, que passam fome mas não se vendem, não se rendem. Ah, se os senhores que governam esse país, esse mundo, tivessem essa fibra, essa honradez.

Abraço fraterno.

MARTHA THORMAN VON MADERS disse... @ 3 de abril de 2009 20:57

Texto forte, verdadeiro.
Gostei de ler, voltei e li novamente.
Bom final de semana para você
beijos

Chica disse... @ 3 de abril de 2009 22:11

Vim te conhecer, pela Dany e gostei muito do teu blog e do teu texto.Que coisa legal encontrar pela vida gente que aos passar por nós, deixa uma boa marca,não? um abraço,chica

Dauri Batisti disse... @ 3 de abril de 2009 23:09

Bonita historia Mai. Mais bonita ainda a arte de viver que se ensina aqui, com tanta leveza e bom humor.

Beijo

Mateus Araujo disse... @ 4 de abril de 2009 01:12

A "Arte" é o próprio viver... não apenas o existir.
Que históriaa legalll Maii
é verídica?
uma moça que lhe apareceu assim na praça?
Bjimm
>> ♥

Kanauã Kaluanã disse... @ 5 de novembro de 2009 12:03

Querida Mai,

Hoje me sento ao lado deste texto com que nos fazes ler as linhas da mão de uma nação no feminino, e de eufemismos como enfeites, brincos tortos que não cedem.
As Pilares, assim como as Sinhás Vitórias, são da vida flores régias. Mestras e maestras do que é reger-se em uma vida severina. A esta "Iracema" que não voou para a América, e que ficou a ser lã para os seus, a minha reverência.

E tens tanto tato, que ainda escolhes a Tarsila para nos revirar os sentidos todos na tela.

Um abraço.

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