Inspirar-Poesia, um segundo sopro

teatrália...

Por Sueli Maia (Mai) em 3/26/2009
Olhos sempre vivos isolados do mundo solar. A água escorrendo no corpo e os fios da vida em suas mãos. Suas pernas descruzavam impacientes no vestido de organza. Os dentes mastigando as unhas e os ossos virando pó. Figueiras travaram a língua nos desgastes das blasfêmias. Acordes dissonantes nas canções das madrugadas e os suspiros do cansaço. Carrancas e máscaras largadas e os crisântemos murchando no jardim. Uma cápsula de lagarta pendurada e nos mistérios do morrer, um casulo cintilante a espera de abrir. Entre louças e biscuits, uma boneca em miniatura enterrada em lençóis. Beijaram-se diáfanos mas não falaram nada naquela despedida. Descerraram-se as cortinas, as pálpebras caíram e o teatro de bonecos cheirava a naftalina, outra vez.
.
Imagem Google - Teatro de Bonecos

11 comentários:

tossan disse... @ 26 de março de 2009 21:50

Ao fotógarfo a luz,
ao poeta as palavras,
a técnica e a arte,
pura poesia pura imagem...

Beijo

Tatiana disse... @ 27 de março de 2009 08:03

Bom dia Mai!
Obrigada por seu carinho na votação!
Estou em época de provas na faculdade,
Por isso acabo ficando em falta com as visitas...
Mas assim que passar essa fase, voltarei á visita-los
como era de costume.

Tenha um final de semana muito especial!
Um abraço carinhoso

Eurico disse... @ 27 de março de 2009 08:35

Tossan disse tudo.
E canção do Fagner:
"Traduzir uma parte na outra parte, que é uma questão de vida e morte..."

A Senhora disse... @ 27 de março de 2009 09:04

A fragilidade da vida... um biscuit que se transforma numa boneca em miniatura enterrada em lençois.
E eu fiquei com peninha... as lembranças serem encaixotadas com as naftalinas. Detesto naftalina. ;)

bjs.

Letícia disse... @ 27 de março de 2009 12:20

E o amor envelhece também. Como os crisântemos. E seus textos estão românticos. Gosto disso.

Bjos, Mai.

Anônimo disse... @ 27 de março de 2009 14:31

A pergunta que me veio a cabeça foi, somos bonecos dos nossos sentimentos ou eles são os nossos?

Enfim...

Beijos Mai

sue disse... @ 27 de março de 2009 14:32

o comentário em cima é meu!

A Flor do Sul disse... @ 27 de março de 2009 16:18

Borboleta que era,
ele não saiu do casulo
até sentir nova era
surgir do que era sujo e chulo.

Borboleta assim feita,
saiu em voo sem rumo definido
pelo vento cuja colheita
não captou com os ouvidos.

E o som foi se esvaindo
de pouquinho em pouquinho
naquela viagem em camera lenta...

E o som foi virando
vibraçãozinha friorenta
que ele esqueceu sozinho.

paula barros disse... @ 28 de março de 2009 00:08

Vim ler com calma. Apreciando.

abraços

Nuno de Sousa disse... @ 28 de março de 2009 15:47

Mais um belo conjunto, fotografia e textos como tão bem nos sabes proporcionar.
Bjs em ti
Nuno

Afonso disse... @ 28 de março de 2009 16:02

Por vezes vejo-me no lugar dos bonecos...

Gostei também desse.

Beijinho*

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