Inspirar-Poesia, um segundo sopro

dormentes...

Por Sueli Maia (Mai) em 3/19/2009
................................Viver custa caro. Da pouca alegria, ainda havia uma lonjura e muita dívida a ser vivida em pé. Os carrapichos no vestido rasgado ainda machucavam a pele. Havia lixo, dormência e indigência. Havia terra e nada mais nos trilhos. Nos garranchos da letra o retrocesso da fala, os sujos cadernos e as sobras do álbum, desorganizado para o futuro. Havia marcas dos dedos nas coxas e pouca coisa no eixo. Despossuída a casca fugiu, imóvel e sem pernas. Os joelhos condoídos da cilada, sustentaram os pés descalços e a partida. Refugou o odor fermentado dos braços e cuspiu a terra e o grito perdido do parto. Deitou suja da manhã sem vestes. É difícil estar inteiro quando se perde as partes. E segue, vivendo e sorrindo, nos trilhos e nos palcos...
...
Arte: Chagall

14 comentários:

tossan disse... @ 19 de março de 2009 01:44

É uma perdida no tempo, a escalada da noite, refugiada do prisma, quem sabe ainda não se vira pro fogo. Vai pro palco e esquece o texto, fica muda e sem raiz. Não sabe se está ou se foi. Mas não se entrega, não foi vencida pela vida...Apenas um contratempo. Gostei de novo! Beijo

Dauri Batisti disse... @ 19 de março de 2009 07:18

"É difícil estar inteiro quando se perde as partes". É dificil, mas não impossível? Escolheste a expressão é difícil, pois que se pode encontrar inteireza mesmo sem todas as partes. Intrigante texto. Bonito.

Um beijo

paula barros disse... @ 19 de março de 2009 08:43

Sempre textos denso, fortes.

Me lembrou uma criança que tenha sido maltratada, ou até violentada.

Mas alguém que sofre pelo que passou, e tenta seguir na vida disfarçando a dor que ainda doi.

Carrapicho, mas é chato esse tal aí. E você foi buscá-lo para mostrar esse pele marcada, machucada.

um beijo

Sue disse... @ 19 de março de 2009 10:03

Lindo, Mai...adorei o "é dificil estar inteiro quando se perde as partes" lindo, lindo, lindo.

Troll disse... @ 19 de março de 2009 10:10

Esse é pra pensar com a cabeça no travesseiro, à noite. Talvez em precise de mais noites e mais sono, só isso.

Mas que mais haveria senão um renascer? Viver nas memórias das perdas? Não dá, não vale a pena.

Luciene de Morais disse... @ 19 de março de 2009 11:57

É realmente difícil estar inteiro quando se sente que se perdeu as partes. Viver custa caro sim, mas podemos pagar o preço! Temos recursos! Indigência é só uma sensação... não é uma realidade. Não precisa ser uma realidade nem interna. Detemos o nosso Poder, temos recursos, infinitos, infindáveis, internamente para voltar a andar para a frente, organizar os cadernos e o álbum. Limpar tudo e colocar novamente no eixo. E fazer isso quantas vezes forem necessárias. Nós podemos, Mai.
Beijo

FERNANDA & POEMAS disse... @ 19 de março de 2009 12:11

QUERIDA MAI, UM TEXTO FORTÍSSIMO, MAS BELO... PARABÉNS... UM GRANDE ABRAÇO DE AMIZADE,
FERNANDINHA

Thiago disse... @ 19 de março de 2009 12:16

o que importa é sempre seguir em frente ainda que falte partes!! A caminhada sempre continua e aos poucos e om o tempo, tudo volta ao normal.

AC Rangel disse... @ 19 de março de 2009 13:20

É a vida vencendo todas as resistências, todas as dificuldades. É a vida, insistindo em fazer o mais difícil e se tornar vitoriosa, corajosa...
Parabéns, Mai.

Vivian disse... @ 19 de março de 2009 13:30

...bem sei o quando é difícil
estar inteiro quando se perde
as partes.

mas vejo com olhos de ver,
que sempre háverá um crescendo
onde estava metade,
nem que seja um entender
e seguir sem olhar para trás.

suas palavras sempre são
como bálsamos em meu coração...

smackssss, lindeza!

Cristiane Marino disse... @ 19 de março de 2009 13:44

Olá!

Indiquei um selo para seu blog, fique a vontade para pegá-lo, mas sinta-se homenageada por mim essa é a intenção ok?

beijos

Sam disse... @ 19 de março de 2009 20:11

Lindo! Intenso!

Continue assim, não pare nunca de nos surpreender e nos fazer sonhar, imaginar, reinventar, emocionar... sorrir feliz quando chegamos aqui e aqui queremos ficar!

Meu beijo pra você!

Eurico disse... @ 19 de março de 2009 21:12

O todo é a abstração das partes. Só existem partes na realidade.
Abraçamigo e fraterno.
Parte de mim fica aqui: o coração.

Oliver Pickwick disse... @ 20 de março de 2009 21:03

Alegoria virtuosa. És mestra no emprego de metáforas criativas.
Um beijo!

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