Inspirar-Poesia, um segundo sopro

o ressentimento das pipas

Por Sueli Maia (Mai) em 9/09/2009
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Me encanta ver, o mover da liberdade nas pipas, colorindo o ar. Gosto de sentir a leveza e por vezes em silêncio, reproduzo movimentos de delicadas bailarinas. Mais que ser leve, aprecio a alegria de viver em paz. Liberdade é sentir o cheiro da seda dançando ao vento e deixando o perfume de limpo no ar. Liberdade é sentir que o tempo de se querer bem pode durar, o mais que ele possa durar. Basta sentir devagar, sorver cada passo, sentir cada dança, cada gesto e, lentamente sentir,re-sentir e, outra vez bemquerer. Gestos como bons perfumes permanecem no ar e depois que se vai, eles ficam no ar. Há algo - sagrado - que não se vê, enquanto as pipas se movem e permanecem no ar. Entre a posse e a perda, o que se assiste é um espetáculo de leveza e liberdade que oscila entre bemquerer e malquerer, sentir e ressentir, subir e descer, ganhar e perder as tantas e outras pipas que permanecerão, ainda no ar. Bonito é ver, com seriedade, a alegre brincadeira das pipas em silêncio, rasgando o céu com a leveza da seda, suspensa na linha. Existe, um espaço sagrado em tudo que move e não se vê. Existe. E sempre que pipas subirem e dançarem no ar, existirá o re-sentir de se ganhar e se perder. Me encanta ver, o mover da liberdade colorindo o ar.
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Música: One love
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31 comentários:

Paulo disse... @ 8 de setembro de 2009 23:13

Olá, querida Mai!

É assim como um sonho bom...


Fico feliz com suas palavras!

Abraços!

BAR DO BARDO disse... @ 8 de setembro de 2009 23:15

final com chave de ouro...

parabéns, mai!

Dauri Batisti disse... @ 8 de setembro de 2009 23:21

Pipas,
pipas, imagens no céu
do que voa em nós.

Os anseios

sempre maiores
que o peito.
Pipas.
Uma liberdade
que vai alto, mas
continua presa ao chão,
mesmo que

por um fio.

Asas

de águia
em coração de pardal.

Um beijo.

tonhOliveira disse... @ 9 de setembro de 2009 01:08

Lindo!

Batom e poesias disse... @ 9 de setembro de 2009 01:42

As pipas coloridas são parte do nosso inconsciente coletivo, que nos remete à infancia, à liberdade e à alegria. É o voar dos sonhos...
É movimento...

E tudo o que move é sagrado.
Lindo Mai

Beijos querida
Rossana

A Senhora disse... @ 9 de setembro de 2009 09:22

Todas as pipas enroscam-se no meu muro... :(

Mas, isso me lembrou a primeira frase que Davi falou, com dois anos (sim, ele morria de medo de errar e só falou nesta idade), apontando para o céu: duas pipas!
E lá estavam elas, as duas pipas, no céu imenso, e na alegria imensa do meu menino que descobriu que falar lhe dava a mesma liberdade que as pipas.

beijinhos

Luciene de Morais disse... @ 9 de setembro de 2009 10:09

...Liberdade é sentir que o tempo de se querer bem pode durar, o mais que ele possa durar. Basta sentir devagar, sorver cada passo, sentir cada dança, cada gesto e, lentamente sentir,re-sentir e, outra vez bemquerer...
QUE BONITO ISSO SUELI, BEMQUERER O MAIS QUE POSSA DURAR...

Zira disse... @ 9 de setembro de 2009 10:30

Ola Mai !!
Entrei inspirei... sai um pouco mais rica !!
beijinhos
Zira

Mirse Maria disse... @ 9 de setembro de 2009 11:03

Muito lindo, Mai!

A liberdade é sempre linda e inspira.

Certa vez li sobre a complicada arte de fazer a pipa e depois de pronta, acertar o vento, o voo, enfim, tudo tem seu preço.

O bonito foi a inspiração da pipa com a liberdade!

Maravilha!

Beijos

Mirse

Troll disse... @ 9 de setembro de 2009 13:46

E quantas vezes não dá vontade de se deixar levar, assim? De se pendurar numa delas e ser apenas aquilo, um desenho que o vento faz conosco, pelo ar.

O quanto temos a ver, lá de cima, que jamais saberemos? Exceto quando a mente se permitir flutuar. Desse mesmo jeito.

sidnei olívio disse... @ 9 de setembro de 2009 16:19

De tirar o fôlego, Mai. Gostaria de publicar um texto seu no proseares, pode ser? Beijos, querida.

TERE disse... @ 9 de setembro de 2009 19:20

Liberdade sempre...

Carinho

Mité

Abraão Vitoriano disse... @ 9 de setembro de 2009 22:14

"Liberdade é sentir o cheiro da seda dançando ao vento e deixando o perfume de limpo no ar."

Mai,
isso é tudo o que preciso agora... sentir sem medo, ser nuvem e mar...
não paro com as reticências, é uma espécie de conforto, pois ainda vou fazer... e apelo a tu, pessoa boa e bonita, me deixe livre assim...

beijos,
e sou de ti...

do teu menino-homem que te adora...

Simples Assim... disse... @ 9 de setembro de 2009 22:15

Sabe, Mai? Às vezes me pego pensando que o segredo de bem viver é saber a exata medida da pressão que exercemos sobre a linha. Saber o quanto dar linha, quando puxar de volta, quando se apropriar do carretel com a mão toda, tomando o controle da direção, saber deixar voar. Saber se deixar voar, não com passividade, mas com flexibilidade, maleabilidade. No fim das contas, me parece mesmo o mais sábio a se fazer, mas quem disse que é fácil ser sábio? O mais condizente com meu temperamento é tentar segurar com as duas mãos as rédeas do destino, meter os pés na porta e buscar o que quero, até cair exausta, ficar prostrada, renovando energias e começar tudo denovo... rs. É, eu realmente estou longe da sabedoria, um sinal disso é que, lá no início do comentário, usei termos como "segredo de bem viver", "exata medida", como se viver estivesse relacionado a fórmulas prontas, estivesse descrito em algum manual. Não... Na verdade, a gente só domina a técnica da fabricação de pipas, o jeito certo de amarrar a linha, passar o cerol. Ao ganhar os céus, nossa vontade se mistura com o imprevisível e aí só o que nos resta é aproveitar a "viagem". Bjs, querida.

Ricardo Valente disse... @ 9 de setembro de 2009 22:42

... a alegria de viver em paz... limpo ar... DISSE TUDO!
Beijo!

Vivian disse... @ 9 de setembro de 2009 23:39

...e daí me vem à mente a
hora de descer...

depois de tanta liberdade
cruzando o firmamento,
eis a realidade,
um frio batendo no peito.

assim somos nós...presos
na linha da vida...

ainda bem que existem
os poetas que nos ajudam
na viagem...

smacksssssss, amor meu!

Eurico disse... @ 10 de setembro de 2009 02:11

Eu ainda posso voar!!!

Abraço fra/terno.

Delirius disse... @ 10 de setembro de 2009 02:26

"Existe, um espaço sagrado em tudo que move e não se vê. Existe. E sempre que pipas subirem e dançarem no ar, existirá o re-sentir de se ganhar e se perder. Me encanta ver, o mover da liberdade colorindo o ar."

.... tens as palavras que eu não sei...

Beijo.

SILVANA PEDRINI disse... @ 10 de setembro de 2009 11:25

E elas voam tão libertas, coloridas e dançantes. O espetaculo da liberdade que nos encanta.

Bjs

Rafael Belo disse... @ 10 de setembro de 2009 14:49

Ao vento e ao seu molde se amarras, só presa a terra pela situação corpórea... AH liberdade. lindo bela querida mai.
beijosss ah, visite minhas fotos
http://captandomovimentos.blogspot.com/

iaiá disse... @ 10 de setembro de 2009 23:52

pipas, meio livres, meio presas.
amei esta frase: Liberdade é sentir que o tempo de se querer bem pode durar, o mais que ele possa durar.
guadarei com carinho
bj

Macaires disse... @ 11 de setembro de 2009 15:26

Pois é, Mai, a vida é um sobe e desce, altos e baixos, e a liberdade é justamente saber lidar com isso, encarar as coisas sempre pelo lado bom, que elas podem oferecer e aprender com isso, saber apreciar todas as pipas que sobem e descem, colorem o céu o ar, e o perfume do vento que as leva, sutilmente, deixando-se levar também!
O que amarga a vida é apenas enxergar as coisas ruins, sem tirar lições disso!

Grande beijo, querida!

devaneiosviscerais disse... @ 11 de setembro de 2009 16:24

Adoro a leveza, a harmonia, a liberdade, simplicidade contagiante e expressividade do seu texto. Maravilhoso. =)

Bj

Marcos Satoru Kawanami disse... @ 11 de setembro de 2009 17:37

bom texto rende muitos comentários, parabéns!

Beto Canales disse... @ 11 de setembro de 2009 17:41

legal

Márcio Diemer disse... @ 12 de setembro de 2009 15:16

Oi Mai, obrigado pelas visitas e pelas palavras queridas! Lindo testo, se o tempo aqui no sul estivesse limpo seria a combinação perfeita

Elcio Tuiribepi disse... @ 12 de setembro de 2009 16:28

Somos pipas Mai, e o mais interessante é que nós somos também a mão que segura a linha, a que da tibicadas fazendo rasantes entro da gente mesmo, aí a gente sobe, desce e as vezes fica parado no ar, absorvendo ventos, ventanias, acolhendo chuvas, tempestades, até que chegue um dia a hora de aterrisar em terra firme, mas, nada de cerol, que todas as pipas possam voar livres, cada uma com sua própria gentileza...enfeitando e colorindo o ar...eita Mai...muitas pipas ainda no ar por aqui no meu céu...um abraço na alma..bjo

Jacinta Dantas disse... @ 12 de setembro de 2009 21:16

Delicadeza de texto, Mai. Vida em liberdade, em cores, em sabores ao vento, céu, cabeça nas nuvens e pés firmes, caminhando de cá prá lá, equilibrando no fio a façanha de voar, com os pés nos chão.
Um abraço e bom domingo

Oliver Pickwick disse... @ 12 de setembro de 2009 23:07

Fui, durante a infância e parte da adolescência, um bom construtor e empinador de pipas. Porém, jamais as imaginava como peças essenciais de um universo de tão rara beleza. Continua produzindo lindas coreografias de palavras.
Um beijo!

Luísa disse... @ 13 de setembro de 2009 04:54

O importante é dar-mo-nos liberdade ao sentir!
Beijinho terno

disse... @ 13 de setembro de 2009 17:41

o ar colorido do teu texto

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