Inspirar-Poesia, um segundo sopro

explícitos

Por Sueli Maia (Mai) em 11/11/2009
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Dia de acordar indolente e simplesmente espreguiçar, bocejar, e espiar sobre teu ombro. Que fazes agora? Espio. São tuas mãos que dedilham pianíssimo. Quisera tê-las. Te exploro; percorro teu corpo, tuas fomes e nesta desatenção eu respiro teu cheiro e essa nuca instiga a pudica menina a desabotoar-se dos recatos. Cato e toco tua boca e contorno teus lábios e essa memória me eriça os pelos e as peles parecem uma fruta de conde. Lembrei dos castelos. E há dias de erguer-se sobre o olhar de perto e ir longe. Hoje é desses dias em que se é o próprio dia e apenas olhar ou lembrar não sacia. Tátil. Tocar tua pele apetece romance. Lance. Pura lã é teu corpo que inteiro, esquadrinho, persigo e conspiro. E a ti me dedico, tateando o teu território e tuas vastidões. Boca que é minha e que seca sedenta, pedindo licores. Águas, braços de rios a caminho do mar ou além e mais além d’além mar. E tudo se expande e contrai. Minho, vinho, é um ninho este sonho que em meu peito se demora. Moro em ti e aqui há ritmos de se ouvir e dançar e depois uma explosão escutar. Mas no após quando é bom se acalmar em silêncio e aninhar em abraço, morarás em mim. Compasso de esperar enquanto cai esta chuva, lá fora e aqui. Corporais. Esta é a explícita sincronia dos amantes que fica no ar e que aqui deitará. Esta presença que fica sem ir, sempre está. Memória do teu corpo no meu e mesmo se fores ou não, ficarás.
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23 comentários:

Nydia Bonetti disse... @ 11 de novembro de 2009 13:21

Presença que fica. Também acredito na memória da pele... Que texto incrível, Mai.

beijo.

Priscila Lopes disse... @ 11 de novembro de 2009 13:43

- que gostoso teu texto, poético!

Marcelo Mayer disse... @ 11 de novembro de 2009 13:52

o retrato de quem ama é a cama, o lençol e o cobertor

Caio Fernandes disse... @ 11 de novembro de 2009 13:56

a pele como uma extençao da vida , ou a vida como uma extensao da pele ?
eis a questao .

Abraão Vitoriano disse... @ 11 de novembro de 2009 14:46

ai mai!
intensa como
feijão com farinha
sol do meio dia
é tu...

te beijo,
mil vezes...

do seu homem-menino

Anônimo disse... @ 11 de novembro de 2009 16:01

Explícitos é esse teu desejo e tua entrega à poesia nesta belíssima escrita. De quem é a música?
Um beijo!

tonhOliveira disse... @ 11 de novembro de 2009 16:37



aMAIvos uns aos outros...

Bela tatuagem na memória!

Boni-to-nho!

Mirse Maria disse... @ 11 de novembro de 2009 17:18

Lindo, Mai!

Hoje estava pensando assim. Não dessa forma tão intensa e só sua.
Vou dedicar um poema às amigas que me aceitam como sou, cheia de erros e acertos.

"águas , braços e rios" fazem o extasiar da amizade sincera e fiel.

Devo ter fugido à sua proposta, mas precisava dizer que essa prosa foi o acalanto que eu precisava ouvir. Hoje.

Parabéns, amiga!

Beijos
Mirse

Talita Prates disse... @ 11 de novembro de 2009 17:21

Ahh, que primor!
Mas eu falo:
quem nunca SENTIU NA PELE isso
não pega a dimensão exata,
mesmo com uma descrição PERFEITA dessa!
E não é a palavra que limita,
mas o sentimento que transborda.

Gostei tanto desse "instiga a pudica menina a desabotoar seus recato"...
Bom, um pecado escolher apenas essa frase... mas é a que bateu forte aqui.

rs

Abraço grande, Mai.
:)

bia martins disse... @ 11 de novembro de 2009 17:26

Olá... ^^

Lara Amaral disse... @ 11 de novembro de 2009 18:45

Lindo, Lindo, Mai!

Amor à flor da pele. Sensibilidade ao máximo neste seu poema.

Beijos.

Kanauã Kaluanã disse... @ 11 de novembro de 2009 19:05

Momentos também se tatuam. Vicam-se na pele. Lembrou-me algo da Adélia Prado:

"O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível."

Sabes, tenho um fascínio especial pelos textos com descrições sensitivas do corpo, este instrumento que possibilita o outro nos tocar como se fôssemos música.
E a elegância desta tua prosa poetizada, polenizada, explícita, arrepia a alma.

Parabéns, Mai.

Beijos.

Macaires disse... @ 11 de novembro de 2009 22:44

Mai, que texto lindo! Esse sentimento em palavras é incrível!
Só quem sente, realmente, pode explicitar com tamanha veêmencia!
E é óbvio, que uma pessoa tão sensível, como você é capaz de fazer isso!

Beijos, querida!

tossan® disse... @ 11 de novembro de 2009 23:27

Este é um grande texto além de bom é visual porque eu sou um voyer nato como disse uma amiga muito bacana mesmo! Adorei o texto. Beijo

Mário Lopes disse... @ 12 de novembro de 2009 01:20

Há um caminho que só os muito doces, os muito corajosos conseguirão descobrir quando encontrarem as pedrinhas ainda luzindo por entre as ervas, aquelas que o sol acariciou enquanto esperavas na pedra antiga e secreta, aquela que só as tuas mãos conheciam. Esperaste enquanto mordias os frutos dos pomares que atravessaste, aqueles onde sabias que o amor seria maior. Quiseste que ele viesse nu ao teu encontro seguindo os teus sinais, como se fosse a espuma branca ou o vento certo ou o cavalo que penetra o silêncio rente à loucura, onde todas as águas se juntam, todos os rios, os mais próximos da infância.
Agora, febril na tua pele, de olhos fechados, os seus dedos desenharão rotas de mil mapas e mil destinos que levarão, inevitavelmente, ao mar onde sabias que ainda arderiam com a última luz do dia, a mais doce, aquela que ele conhecia nos teus olhos desde o dia em que nasceste.



Mai, são tão belas as tuas palavras, tão intenso o teu sentir, que estas que te envio não são mais que uma pequena e singela homenagem às mulheres como tu, doces e corajosas.
Beijo.

Oliver Pickwick disse... @ 12 de novembro de 2009 01:33

Explícito, e o que é melhor, sem censura. Escreveu "sincronia", mas também poderia ser "sinfonia". Bravo!
Um beijo!

Eurico disse... @ 12 de novembro de 2009 01:39

Venho aqui te ver/ler. Ainda não comento. Estou emergindo aos poucos...
Volto logo...

Abraço na alma.

Osvaldo disse... @ 12 de novembro de 2009 05:20

Mai;

Esses altos võos de toques sensuais, que tocam os pontos sensoriais, de corpos tão normais , que sempre mais, desejam reveldes gestos animais, que os transportarão em viagens espaciais, em vagas sentimentais de emoções colateris... de prazer.

Lindo demais...

bjs, Mai,
Osvaldo

Unseen Rajasthan disse... @ 12 de novembro de 2009 08:13

Beautiful Words !! This is a worth reading article

Zélia disse... @ 12 de novembro de 2009 13:22

'Moro em ti' tão acolhedor poder dizer isso e tão reconfortante poder dizer 'moras em mim'. Ai...

Bj, Mai! ;)

Fernanda. disse... @ 12 de novembro de 2009 16:21

Nossa!
Estou encantada com o que li. Juro, fiquei totalmente envolvida com tuas palavras. Sabe aqueles textos em que você lê e pensa: "UAU! queria ter escrito isso". Sabe? Pois é, foi exatamento o que pensei ao terminar de te ler.

Belíssimo!
Obrigada pelo presente de poder ler uma coisa assim tão bonita.

Beijão.

ps: e essa música? suave, tranquila... acalma meu coração.

Ricardo Valente disse... @ 12 de novembro de 2009 16:45

Um dos mais enxutos textos teus, embora tanta liquidez.
Gostei "a lot"...
Beijo, linda!

Katrina disse... @ 12 de novembro de 2009 18:00

Queria ter escrito isso, acredite.
Pois é, alguns corpos ficaram sobre o meu e mesmo ausentes, permanecem com o mesmo peso. Comofas?

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