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Esta palavra tem garganta e voz. Levanta cedo, estica a folha, prende os cabelos, vai. Faz o café, resolve o almoço e sai. Tem coração e é um PC com um HD de um terabite. Um pão com beijo e histórias bem vividas, são quatro Gigas, arquivo bom. São livros velhos. Tem Kerouac, Beatles, montanha russa... Agora corre. O trânsito é lento. Olha o relógio e lembra galos nos quintais de seus avós. Lá vem o tráfego. E tudo passa na cabeça, ela acelera e grita: OLHA O CICLISTA! No som do carro, a voz é bela. Repete a música, desacelera e pára. É o sinal. Agora o cérebro está um caos. Há tanta coisa...é muita coisa! Ela é um dínamo. Um quase velox. Vestindo aço e pedra, o átrio chora e ela sorri, engole o choro e escuta. Fala prá dentro e prende o grito. Sai novamente, e haja pedra e vida. Vai ao cinema, escolhe um filme e chora o dia em uma cena. Mas, chega à tarde, ela é mulher e sangra. Sangra suas guerras quando se cala. Mas tudo sara e beija o homem. Disfarça o dia, relaxa o corpo e limpa a pele em banho e espuma. Agora desce, esquenta a janta e ouve a outra voz. Lembram dos filhos e da família. Agora lava com detergente biodegradável, e seca a louça, as mãos e o dia. Agora o grito. E em silêncio essa garganta escreve e elabora a sanidade da loucura. Arquiva tudo e limpa as teias. Agora o espelho, um hidratante, ela respira, solta os cabelos, ama. Esta palavra tem um nome e vive. Eu minto! Minha garganta, não. Hoje é domingo.
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texto reeditado