Inspirar-Poesia, um segundo sopro

ossos e ofício...

Por Sueli Maia (Mai) em 1/16/2010
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Ossos são sonoros, guardam códigos e sorriem em seu chacoalhar. E a vida se renova na alegria nossa de cada dia. Então lembra a melodia dos meus ossos e não olvidarei os teus. O riso dos ossos estala no silêncio dos acordes do sacro dos humanos. Lembra. Porque a noite amplifica os gemidos e sussurros em meio à madrugada. Lembra que em meu esterno, ílio, púbis, guardei-te mil vezes, chorando meus risos em mortes de amor? Lembra que em tua face inscrevi meus infinitos e em meus braços acolhi teus desejos? Mas o silêncio na distância se fez grande e adulto, emancipou-nos. Em arquipélago, península ou cordilheira estivemos nós. Em nossos ossos, o corrimão da vida. Espero que um dia a janela complacente dos teus olhos lembre os sorrisos que quando exausta sussurrei: Shhh... eu te amo... Espero que algum dia tu entendas que em meus olhos, por anos, guardei em sorriso, o brilho deste amor. Meus ossos guardam equilíbrio e minha sustentação. A areia chia sob os artelhos. O vento cochicha aos meus ouvidos e eu caminho à beira mar porque estou só. Mas não esquece a melodia dos meus ossos porque eu pressinto o corpo solto de nós dois. Estou descalça e à minha frente o horizonte pede um grito. A vida é mais que eu, que tu ou nós. Há anos, em ti eu escrevi meus infinitos. Meus ossos e o ofício, meu sorriso e minha alegria estão aqui novamente.
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Música: Marina Lima - Não sei dançar e Ivan Vilela - violas
...

39 comentários:

Aline Dias disse... @ 19 de março de 2009 21:35

Love into the bones.

Léo Mandoki, Jr. disse... @ 19 de março de 2009 21:50

..eu que não gosto de romantismos melosos...gostei desse teu texto...profissional...e equilibrado entre o romantismo sec XIX, filosofia existencialista e o uso da metáfora das poesias contemporâneas. Me prendeu e me despertou uma leitura imagética.
...
mas nunca sei exatamente do que vc fala qnd fala de amor, pq existe diversas formas de amor. E muitas vezes o osso não é a nossa verdade final...pq do osso se faz pó..o pó mistura-se a terra e, dessa terra com pó de osso e carne, nascem flores que serão oferecidas aos amantes ou aos funerais..
...
não sei que amor é esse...mas gostei mesmo do texto...é profissional..
se cuida dps de cuidares dos teus doentes..

paula barros disse... @ 19 de março de 2009 22:54

É uma escrita para ser elogiada pela qualidade dela.

O entendimento me foge.

Ainda bem que esses ossos sorriem, os meus por vezes gemem feito carro de boi em estrada de barro. Desculpe, mas me lembrei.

Mas uma vez o silêncio. Me dá sempre uma impressão de uma solidão a dois.

Muito criativo.

abraços

Cris Animal disse... @ 19 de março de 2009 23:26

Mai...Mai!

Não posso comentar nada. Comentaria o quê? Comentar esse derramar de amor em confiança de um infinito supremo?
Não posso comentar. Apenas ficar aqui, quietinha, sendo leitora e companheira de alguma fomra nessas palavras que vou lendo de toda essa poesia ao amor prometido e cumprido.

beijos
.................Cris Animal

Luciene de Morais disse... @ 20 de março de 2009 05:07

Pressente? Então ainda não sente...
Talvez nunca sinta. E o grito, ao horizonte, talvez não passe de um lampejo vão, que não fica na memória, e nem se inscreve no corpo... como ossos, risos, e amores.

Maria Dias disse... @ 20 de março de 2009 07:59

Falas dos ossos do ofícil?Da caminhada?Da busca pelo amor no outro?Acho q primeiro devemos ter o amor em nós...E transbordando esse amor se faz germinar no outro ser.Amei a seqüencia das músicas classicas e tb a bela tela de Chagall!

P.S.Estou muito bem Mai...Nao imaginava q ficaria tão bem.rs...

Beijinhos

Maria Dias disse... @ 20 de março de 2009 08:00

Ah tenho postagem nova...Venha me visitar e diga o q acha?rs...

Elcio Tuiribepi disse... @ 20 de março de 2009 08:41

Olá Mai, cheguei e não li, é que fui comentando na ordem das pessoas que deixaram algumas palavras lá no verseiro desde a postagem anterior...e meu horário já se deu...rss
Diante do seu coments lá, volto outra hora com calma ok...aí leio e comento com calma...boa sexta para vc...um abraço na alma e obrigado pelas palavras...

Afonso disse... @ 20 de março de 2009 09:01

Adorei o texto, como sempre.

"meu sorriso e minha alegria estão aqui novamente..."

Fico feliz por saber que sim. :D

Um beijinho*

Afonso disse... @ 20 de março de 2009 09:05

Senti necessidade de reler o texto, e cheguei a mais uma conclusão. Esse é um dos teus melhores textos. Porque falas de amor sem ser melosa, porque falas tão bem daquilo que sentes, porque as palavras se unem em perfeita sintonia.

"Espero que um dia, a janela complacente dos teus olhos lembre os sorrisos quando exausta sussurrei: Shhh... eu te amo... "

Expressividade! Muita! :D
**

Sam disse... @ 20 de março de 2009 09:30

"Lembra que em meu esterno, ílio, púbis, guardei-te mil vezes, chorando meus risos em mortes de amor?"

Tão humano e tão divino!

Ai Mai, Mai....

Tu sabes mesmo nos chacoalhar os sentidos já tão calejados e ainda assim, nos renovar por dentro, por baixo, por cima da pele... cobertura dos ossos, da carne, do que não se mostra, mas se vê tão nitidamente belo quando esse teu coração que pulsa e pulsando, nos faz vibrar sorrisos sem fim com esses nossos dentes, lábios e corpo inteiro.

Meu beijo pra você, querida!

E meu carinho mais que sincero e imenso...

Ahhhh, PARABÈNSSS!!!! Hoje é dia do blogueiro! rsrs

Tatiana disse... @ 20 de março de 2009 09:31

"Há anos escrevi em Ti os meus infinitos."
Profundo e belo esse sentir Mai...
Ler suas palavras me fizeram refletir e muito!
Deixo aqui um abraço carinhoso
e meu desejo de que tenhas um belo final de semana!

Patrícia Lage disse... @ 20 de março de 2009 09:49

Mai, querida

Você tem esse poder de síntese, né?! Essa capacidade exata de proferir verdades absolutas. Que outro ofício o dos ossos senão estas coisas que você escreveu?

Eu vivo para morrer nas inscrições dos meus infinitos por aí.

Muito carinho meu pra vc, sempre.

Cecília disse... @ 20 de março de 2009 10:11

Vim desejar um
Feliz dia do Blogueiro!!!

Depois volto com mais calma pra ler!
Beijão!
Ótimo final de semana!!!

Letícia disse... @ 20 de março de 2009 10:47

Eu acho que está perfeito e vou te contar um segredo: Já vivi isso tudo, Mai. Eu não sabia que seria por pouco tempo, mas vivi até a última gota. E aqui estou falando da minha vida. =)

É um texto-poema de amor tipo "foi bom. Amo você, mas é a vida."

Gostei muito.

Bjs.

Aline Dias disse... @ 20 de março de 2009 11:28

Eu adoro teus comentários e sempre tiro muito proveito deles.
O Radiohead, que eu gosto muito, está no Brasil, mas como quebrei há 3 semanas e só agora tirei o gesso e fazendo fisioterapia, viajar pra o RJ ou SP é impossível nesse momento, então vou perder os shows.

Os dois vídeos que postei no blog: a música do primeiro vídeo significa um momento que já passou, mas que me persegue. A música do segundo vídeo, interpreto como a maneira de encarar os problemas sem surpresas porque eles vão acontecer de alguma forma. São letras lindas, te aconselho a ler as duas com atenção (se já não fizeste).
Um Grande Beijo.

Mateus Araujo disse... @ 20 de março de 2009 12:05

Oee Maiii
não to conseguindo escrever nada, de jeito nenhum. Não sei o que me ocorre...
e sobre a operação lá...eu não fiz, o médico teve de ir para uma cirurgia de emergência e ainda a secretária disse o horário errado pro meu pai..então adiaram.
acho que já dise isso...devo estar boiando skaskaos
=p
bom...
Espero escrever logo alguma coisa pra ver poder ver
é bom saber que tem alguém que quer ler meu humildes versinhos *_*

BJIM

Lipe M.T disse... @ 20 de março de 2009 13:04

Ó mai...

é engraçado como quando colocamos um pedaço da nós no texto ele funciona como se fosse algo nosso falando...


Antes mesmo de chegar ao fim da leitura, me veio mas sensações e odores...

Foi quando parei pra regsistrar
estava perto da 6ª linha...

E chegando no final...

Percebi que o que eu tinha parado pra escrever tinha a ver com o que vc escreveu, maaas, que eu só tinha lido no final do texto...

Enfim...teu texto, me causando efeitos, me trasendo sensações e cheiros, sem eu ao menos o ler por completo...

É otimo isso...

Beijos...

Amo...

Eu.

Vivian disse... @ 20 de março de 2009 14:09

...Mai querida,

hoje vim só trazer carinho.

...20 de Março dia dos blogueiros!!!

pois e não é que inventaram
um dia para nós os blogueiros
sem cura?!!
rss

algumas pessoas criam seus blogs
apenas para passar o tempo.
outras com a idéia de mostrar
seu trabalho, outras ainda,
para encontrar amigos, fazer
amigos e até encontrar amores,
por que não?

não importa a maneira,
importa sim que estamos
aqui a cada dia trocando
energias, emocionando-se,
e fazendo emocionar por
meios de um simples ecrã
que toma vida quando
colocamos nosso
coração em contato com os
amigos muitas vezes sem rosto,
mas que conhecemos a alma,
esta que, ao contrário das
plásticas ilusórias, não tem
poder de mascarar-se, e que
portanto, no decorrer dos posts
e suas qualidades, deixam-se ver
como realmente é, que espírito
habita este ser, quantas afinidades
podemos encontrar com ele por aqui
num simples teclar, ou toque de
mouse.

este é o poder dos blogs.
o poder da internet unindo
pessoas por um fio.
uma fina rede de fios,
permitindo que teias invisiveis,
levem à cada coração sintonizado,
as melhores e mais doces emoções.

feliz dia à todos nós,
blogueiros sem cura.
rsss

Cotovia disse... @ 20 de março de 2009 14:21

...inspira-se poema, nas linhas, mas sobretudo nas entrelinhas... Fantástico!

A Senhora disse... @ 20 de março de 2009 18:13

Amar o outro é uma delícia indescritível... mas o amor-próprio é renovação, é sentir os pés no chão, olhar o horizonte e saber que pode mais.

Beijos, querida.

Pintura em Camisetas disse... @ 20 de março de 2009 20:37

Olá!
Vim lhe convidar para que conheça um pouco do meu trabalho de pintura em camisetas!
Até

http://ramasppfp.sites.uol.com.br/pinturaemcamisetas.htm
http://ramasppfp.sites.uol.com.br/modelos.htm

Oliver Pickwick disse... @ 20 de março de 2009 21:10

No post anterior, uma "ferrovia". Neste, um "atlas" de anatomia humana. Depois, eu é que sou criativo, hein garota?
Engenharia e medicina à parte, continuo fã e freguês da sua maneira luxuosa de captar a essência do humano por metáforas.
"Luxuosa", neste contexto, nada tem a ver com Prada, Chanel, Versace e outras inutilidades do gênero.

Anônimo disse... @ 20 de março de 2009 21:33

amor eterno?

Erica Maria disse... @ 21 de março de 2009 12:30

Gostei mt daqui e estou a te seguir viu?

Voltarei sempre!

Estais linkada lá!

BJOO LINDA!

Elcio Tuiribepi disse... @ 21 de março de 2009 13:11

OI Mai, quanto ao coments lá, o mais engraçado é que tenho memo rasgado folhas de uma agenda...rs
Começo a escrever e quando releio, pronto...rasgo a folha, amasso e me critico, jogo no lixo, as vezes desisto e as vezes continuo, procurando palavras dentro de mim que possam preencher o momento, o cheio de vazios...é que essa tal experiência precisa realmente ser vivida,Paulinho Moska tem razão, o vazio é um meio de transporte...
Quanto ao seu poema...não sei...sei que é amor...feito com toque e batidas de ossos, coxa com coxa, braços, costelas e uma sensação de que ainda etão se batendo, mesmo que distantes...os gemidos não se foram e fizeram morada em seu coração...viajei...rsrs...sei lá...
Um abraço na alma...valeuuuuuuuu...
Ah...ontem escrevi um poema...no meio da rua, sentado no onibus e terminei quando cheguei...nasceram as palavras...parto normal...indolor...

Multiolhares disse... @ 21 de março de 2009 13:30

não é fácil partilhar sonhos ,anseios,
despertares e anoiteceres de ossos juntos,
onde o dia a dia é eterno no imaginário,
quando o cálcio se vai desfazendo na lentidão do olhar
as janelas se fecham , as cortinas se correm, mas….
um dia as portas voltam a abrir e os ossos cansados
tornam a caminhar

beijinhos

poetaeusou . . . disse... @ 21 de março de 2009 14:04

*
o teu grito de amor
renascido
do código primaveril
clama a florida genética
no ADN do teu olhar,
o vento cochicha sorrisos
as maresias da alegria
que se infiltram nos teu ossos,
,
brisas poéticas, deixo,
,
*

€ster disse... @ 22 de março de 2009 17:48

"Há anos escrevi em ti meus infinitos..."

Essa frase saltou dos texto, que é todo perfeito, mas esta frase é uma música, e eu poderia mesmo escrever um livro sobre tudo o que ela significa para mim...

beijo querida!

Osvaldo disse... @ 23 de março de 2009 18:49

Oi, Mai;
Antes de comentar esta crónica/poema, sinto a necessidade de publicamente dizer, quantos homens que por aqui passaram, não sentiram uma pontinha de inveja pelo homem a quem dedicaste este belo, inspirado e até diria sincero e verdadeiro soneto de amor.
Este poema é irresistivelmente belo em que procuraste transmitir todo o teu sentimento, profundo e honesto e que dedicaste a alguém que talvez ainda não te comprendeu ou que algo o impede de acordar para uma realidade mais que evidente e real...
Este poema, nâo é apenas mais um poema ou apenas um conjunto de letras que formam palavras e estas formam frases soltas que divagam ao sabor das ondas ou repelidas pelo vento... Este poema saiu bem fundo de um sêr que que como um Vulcão em erupção explode larvas mixtas de paixão e ternura e que em meio de um estrondo ensurdecedor, solta um tímido grito de revolta, dizendo;
"Olha,... eu existo, eu sou real."

A quem, Mai, terias tu dedicado esta tão bela e verdadeira obra prima de paixão literária?!...
Mistério?...
Só tu o saberás?...

Bjs
Osvaldo

Ps. A gravura que exposta no "cabeçalho" do post é bem de Chagall e está normalmente exposta no Museu de Arte e História desta cidade e também um dos meus locais de trabalho, já a tive várias vezes nas mãos e actualmente está exposta numa exposição temporária em Londres emprestada por nós.

mateo disse... @ 25 de março de 2009 09:41

Se não é de ti que falas... são os teus dedos que te/nos traem nas palavras com que te/nos
(d)escreves.
Mulher... sim!
Mas mulher de um homem só... também!
Muito embora me pareças com muito amor para dar... maior e muito para além do que te sabem amar.
Beijos.

Filipe Garcia disse... @ 17 de janeiro de 2010 10:52

É que os ossos e o amor são estrutura e se tangenciam em alguma parte que não sabemos onde, mas sentimos.

Um beijo, Mai.

Lau Milesi disse... @ 17 de janeiro de 2010 11:31

Sistema de Sustentação + Sistema de Comunicação.Perfeitos, poéticos e românticos.
Belas articulações, Mai querida. Amei!!!
Um beijo e obrigada pela visita e pelo belo comentáro deixado no meu blog.

Dauri Batisti disse... @ 17 de janeiro de 2010 12:08

Mai,

Sabe que venho percebendo um novo modo de ir na tua escrita, antes mais densa de recursos, agora mais leve. A lapidação do texto se dá - parece - por novos instrumentos, cinzel novo, fino, que faz voltas menos elaboradas, mas mais bonitas. Parabéns. Muito lindo o texto. Gostei muito também de Telaviv.

tossan disse... @ 17 de janeiro de 2010 12:27

Vês um sol que é a tua ode em forma de texto e mata a tua fome que não é de comida. Um dos melhores texto que li aqui.

Gostei do perfil do blog... Bonita viu?!
Beijo

Assis Freitas disse... @ 17 de janeiro de 2010 12:42

"Há anos, em ti eu escrevi meus infinitos." Que Mai(ravilha). Domingo de luz.

Elcio Tuiribepi disse... @ 17 de janeiro de 2010 13:29

Meu Deus...pensei baixinho, seria o milagre da multiplicação dos comentários,e eu aqui em duplicidade,agora triplico asminhas palavras e me faço presente nessas águas de rios passados...mas que continuam vivos em nossas memórias e em nossas almas...
Ops...dei de cara com uma pedra agora, mas sem problemas, como água que sou, refaço e rebusco o caminho do redemoinho chamado vida...e ainda conheço a face oculta de Mai...de Sueli...edaquele encanto chamado Simone...
Somos rios...com certeza...bjo...

Márcio Ahimsa disse... @ 17 de janeiro de 2010 20:42

Querida, se estão aí, seu sorriso e sua alegria, isso sim, é tudo.
Beijo em seu coração, que esses ossos seus estalem a conjuntura de toda a sua alma, estalem e movam seu coração para um infinito de paz, de amor, de felicidade.

Beijo, querida minha.

Átila Siqueira. disse... @ 17 de janeiro de 2010 22:07

Suas palavras são doces e ao mesmo tempo inebriantes. Suas palavras são enigmáticas, tal como os fenômenos mais peculiares da natureza.

Adorei sua analogia aos sentimentos empregnados nos ossos, nas entranhas.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

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