Inspirar-Poesia, um segundo sopro

dedicados aleatórios

Por Sueli Maia (Mai) em 12/08/2009

Dedicados companheiros numa estrada qualquer. E o vento batendo no rosto era ele era eu, era o tempo e a mais louca liberdade a nos guiar. Céu a nos proteger e o infinito éramos nós a nos perder em sorriso, no medo e coragem que eram aqueles aleatórios fractais que vinham e iam conosco na estrada. Ele era ainda um rapaz e eu o universo de nós dois a ouvr aquela canção. Olhos fechados e as luzes a surgir eram alegorias multicores que brilhavam e piscavam num céu que nos seguia em todas as curvas do caminho. Descaminhos a nos perseguir e quem me guiava era ele e imantado em meu abraço nós nos perdíamos de nós e em nós. A velocidade era o mergulho e a decolagem e aquilo tudo ainda hoje é muito grande porque em beleza, as imagens nunca se vão. E porque ouço esta mesma canção elas voltam. Ele era um menino e eu me vistia com seu corpo e o aquecia com meus braços. Dedicados companheiros são como vestes confortáveis sobre a pele. Roupa que mesmo velha se veste se despe e se guarda e acaricia porque fiel, ela se modela e se molda ao novo corpo que é sempre o mesmo na memória da roupa que guarda. Chamego que se tem e se quer bem porque retém o cheiro do tempo que vai e que volta toda vez que os olhos se fecham e a memória se despe e adormece em mais uma estação. Ele é um homem que eu guardo menino secreto no armário junto ao Jeans dedicado que eu não dou a mais ninguém.


Músicas: Patrick Watson - man like you e drifters

17 comentários:

J. disse... @ 8 de dezembro de 2009 15:59

E existem certas coisas que precisam mesmo ser guardadas. Pra sempre.

Beijo especial, querida.

Lara Amaral disse... @ 8 de dezembro de 2009 16:49

Belíssimo, Mai!

A metáfora da roupa foi incrível. Apaixono-me ainda mais pela poesia só de ler todo esse seu lirismo.

Beijos!

assis freitas disse... @ 8 de dezembro de 2009 16:50

Tempo, cheiro, memória, afagos. Vestes que nos vestem e vertem um rio de imaginação. Abraço-te.

Simples Assim... disse... @ 8 de dezembro de 2009 17:18

Ontem estava comentando em um blog que, às vezes, a saudade deixa de ser ausência e se torna companhia. Lendo seu post, fiquei pensando que, nesses casos, a saudade deixa de ser saudade e se torna lembrança. Não uma lembrança qualquer, mas daquelas lembranças vívidas, com cheiro, gosto, som. Sinestesia. Pontes invisíveis que nos ligam a nós mesmas, outras sensações, outras impressões, outras vivências. Às vezes, ouço uma música e sinto que quase posso tocá-la, certas vezes um afago leve, em outras dá vontade de agarrá-la, absorvê-la com ímpeto. Daí me pego percebendo que não são exatamente as notas e versos, mas o que está lá atrás, o que foi e, de certa forma, ainda é. É isso, acho que todos nós temos aquele jeans guardado, ao menos, os mais interessantes de nós devem ter... rs. Bjs, querida.

Patrícia disse... @ 8 de dezembro de 2009 17:23
Este comentário foi removido pelo autor.
Caio Fernandes disse... @ 8 de dezembro de 2009 17:28

bom ... se isso nao e amor ....

A Senhora disse... @ 8 de dezembro de 2009 18:40

E eu viajei, lembrando de momentos em minha vida em que cheiros e sabores foram importantes. Em que vestir uma jaqueta com aquele cheiro me remetia a um passado tão presente. Descobrir que as sensações são tão minhas e eternas enquanto eu dure.

Beijos, querida.

Saulo Nunes disse... @ 8 de dezembro de 2009 18:47

oieee! aff não sei oq ti dizer amiga...fiquei sem jeito até kkk obrigadaaa...mas muito feliz q tenha gostado =)

o Celestino meu Pai gosta muito...
e ele é realmente grande tanto q seu apelido é " A voz orgulho do Brasil "

menina logo tem mais la então axo q vai gostar tbm =)

bjo amiga querida!

Nydia Bonetti disse... @ 8 de dezembro de 2009 18:51

Nossa Mai... Ainda ontem li um poema de John Berger, e me apaixonei. Estou terminando de traduzir, mas ele usa também a metáfora da roupa, que eu acho bárbara. Olha o começo do poema:

"Meu coração que nasceu nu
foi logo envolto em canções de ninar.
Depois, sozinho se vestiu
de poemas como roupa.
Como uma camisa
carreguei nas minhas costas
a poesia que li".

Não é lindo? Teu texto também é lindo. :)

Beijo!

paula barros disse... @ 8 de dezembro de 2009 19:14

A memória está ali. Com uma música, um cheiro, um leitura, uma visão....vem. E nos inunda.

E você soube transformar essa lembrança que a memória deixou vir passear por você num belíssim texto cheio de vida, de imagens.

beijos e saudades.

(Sim, aqui a grande festa de N.S. da Conceição. Festa no Morro da Conceição)

Marcelo Mayer disse... @ 8 de dezembro de 2009 19:58

quando se pode guardar no fundo de vc mesma, e lembrar em poucas ocasiões, se chama lembrança. a saudade é dura!

Elton Pinheiro disse... @ 8 de dezembro de 2009 20:23

muito bonito isso, "(...)as imagens nunca se vão. E porque ouço esta mesma canção elas voltam. "

essa música tocando também..

Kanauã Kaluanã disse... @ 8 de dezembro de 2009 20:53

Mai,

Companheirismo é palavra aconchegada dentro de um "nós" que se torna singular.
Ter lembranças de vida em cumplicidade é ter onde recostar "eus-líricos".

Um beijo.

Katyuscia.

Mikaele Tavares disse... @ 8 de dezembro de 2009 22:09

Mai,
Adoro a forma como vc escreve..Espero um dia fazer alguns textos assim...rsrs
Ah, tbm adoro seu apelido *-*
Boa semana!
Beijos

Mateus Araujo disse... @ 8 de dezembro de 2009 22:27

Bom mesmo é encher o guarda roupas
shaushasashaushuasa

Macaires disse... @ 8 de dezembro de 2009 23:06

Mai, a nossa mente é mesmo uma coisa impressionante, né?!
Armazena memórias que podem ser acessadas a qualquer hora, qualquer momento! Um cheiro, uma música, um lugar, já se torna suficiente pra desencadear uma série de lembranças!É como uma máquina do tempo, que nos reporta ao passado e nos faz sentir de novo todos os sentimentos daquele momento!

Belo texto, querida!
Adoro ler-te!
Beijo grande!

Diario da Fafi disse... @ 14 de dezembro de 2009 18:56

Oi, Mai.

Passei aqui pra retribuir sua visita e achei esse canto cheio de lirismo...
Gostei muito querida. Eu também amo essa palavra " companheiro". É tão infinita...
É isso que digo pros meus filhos - Somos companheiros nessa vida.
E eles percebem a troca que há nisso, somos mais do que mãe e filhos, mais do que simples amigos. Somos Companheiros.

carinhos.

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