oásis...
Por Sueli Maia (Mai) em 9/21/2010
Areal de beduínos, lençóis, e a lenta miragem ondulando em sol posto, era um oásis e tudo aquilo era ele, era eu e era nada que ao mirar, a minha boca umedecia e dos meus olhos choviam brilhantes. Olhos d'água e eu bebia com o olhar as tuas águas e pedia sem falar, vem, mas vem de mansinho, tenho sede. Eu também sou água e sei, matarei tua sede na minha sede até que os corpos cansados tenham força prá seguir. Vês? É um oásis e a certeza de encontrar, beber, fartar e por fim, umedecer uma boca noutra boca ressequida nesse inóspido deserto que por certo, será fértil por nós dois. Marcas, passadas e as pistas deixadas nas dunas eram corpos ondulando um no outro sob o céu que espargia seu lume. Sonho, oásis, miragem e tudo era pouco e bastante prá nós dois. Céu protegendo, és fonte e eu sou água sob o céu de um sol posto. Bebe-me inteira, bebamo-nus e dá-me o remanso, aos goles. E quando as primeiras estrelas cairem no céu dos meus olhos, eu quero teu riso no meu. Vem! Dar-te-ei minhas águas. Então rega essa minha estiagem que é noite. E essa noite é tarde e estou rouca de gritar prá dentro, estou louca por dentro, ardendo também e quero cair em teus braços. Deixa-me morrer, só esta noite, tu és meu oásis e os teus braços me abraçam e me deito nesta cama que é , um areal de beduínos. Música: Ryuichi Sakamoto e Richard Horowitz
Trilha de "O céu que nos protege"




