plural de amarelo
Por Sueli Maia (Mai) em 9/29/2010
Talhado em metros de sol o vestido era um alvoroço. E lá ia ela com uma saia que aflorava calores de véspera. Gema, tequila, e quando se abaixava, flores de ipê atapetavam o chão. Vez em quando daquele disfarce escapava faísca; é que arisca, a moça tinha um olhar de lançar chamas com iris de citrino que ardia até dourar. Calor na hora certa prá frio fora de hora, e na medida, o vestido com babados de calêndula aquecia as mãos da bailarina. E quando seus braços se abriam em chamas, o que queimava era um par de pernas que se retorcia em nós. Sempre-viva soltando escamas aos pouquinhos e rodopiando em agito, a mulher atirava os panos do vestido como pétalas que caídas do céu se erguiam do chão por moinhos de vento. [Há uma face do fogo que enfeitiça ou que atiça com seu lume serpentino. Esse brilho só arde, não mata, porque é chama ligeira e talvez o que queime seja o tempo de exposição prolongada e não o calor por dentro e por fora]. Um olhar a encarou e um sorriso abriu-lhe o vestido. Mas foi assim que ela o deixou ali, dentro daquele fogo.
.Imagem: Google




