Inspirar-Poesia, um segundo sopro

UM TANGO E O TEU PERFUME...

Por Sueli Maia (Mai) em 12/13/2008
...
...........................................................Vinho rubro-carmim, minha boca, e o som de um tango ao violino. Música que inebria mais que o vinho. E nos cabelos-azeviche, minhas mãos, sustentavam cabeça e alma, nuas, em meus assombros-sós. Eu, a esperar um quem-qualquer, olhava o tempo, sentia o vento que trazia, longe, um perfume estonteante que instigava os meus sentidos, provocando fera-fêmea, louca, prá sair e fugir, daquela pose de total sobriedade. O violino, covarde, sussurrava ao meu ouvido, um bom Gardel. Dona de mim, ainda esperava aquele-quem, talvez ninguém, pois me deixara ali sozinha, a esperar... Azar, pois o perfume tocou com a mão, meu ombro nu. Eu me virei e um deus, um Zeus ou quase Apolo, estava ali. Uma mística e sensual magia, rodopiou mil borboletas a voar em meu estômago. Um frio percorreu-me inteira. Suas mãos, tocaram levemente as minhas e eu-menina, obedeci-lhe, escrava. O deus hipnos habitava aqueles olhos que agora, eram meus. E riam e brilhavam, só prá mim. Eu fui, nem sei prá onde, fui... E andei, levitando, flutuando, de tão leve-alma. Minha vida estava inteira, ali. Eu, dançaria em um minuto aquele tango de Gardel. O mais interminável e feliz, instante dos últimos mil dias de uma vida sem sal, sem sol ou dó-maior. E entreguei corpo-serpente, ao bailarino, Orfeu. Submeti-me aquele olhar e boca e cheiro e pernas, tudo... E assim sorri, aquele minuto, sem-fim. Seguro às mãos de Eros, meu corpo sempiterno, quase éter de tão leve, girava em seus braços, rodopios... O cheiro e o suor daquele deus ali, colado ao meu, me entorpecia, entontecia, enlouquecia-me em febre-fêmea que fervia. O perfume se fundira aos suores e os quereres de nós dois. Uma química, perfeita, impregnara ambos. Minha pele e eu, arrepiada, sem fingir ditava – te quero, agora! Minha boca, pernas, olhos, eu, inteira, consenti o nó e o nós. Foi quase ali, sob os olhos de Gardel. Ah! Que delícia teu perfume e tudo e muito. Teu alfabeto, geografia, e a linguagem do teu corpo, no meu corpo que tocavas, deslizando tuas mãos em meu vestido... Ah! Não me acorda ainda... Deixa mais um pouco, eu sonhar com o perfume e este tango. Amando sob a chuva e com teus olhos, brilhando e sorrindo prá mim. Teu cheiro e o perfume desse tango, ainda estão em mim. Ouvir Gardel, ainda me arrepia...
...

41 comentários:

Eurico disse... @ 14 de dezembro de 2008 00:34

Postei o comentário a ouvir Gardel. Um rodopio e o tango. Tomara que acordes enroscada no Amor. Esse Amor que tu pintas com a fala incendiada e juvenil. Ama e ama e ama, menina-poeta. E nos brinca com teus poemas, e nos lança as tuas setas!!!

iara disse... @ 14 de dezembro de 2008 04:33

borboletas no estômago é o que sinto quanto meus Zeus dança naquele espaço-tempo onde só nos estamos e dançamos esse tango lindo, sensual, mágigo, algo triste e meio trágigo...
e assim fiquei ao ler vc hj mai ouvindo tango...e lembrando.
posso dizer que este até hj foi o que mais adorei no teu canto?

Dauri Batisti disse... @ 14 de dezembro de 2008 07:34

Fui lendo e ouvindo a música e ao terminar a música terminou o texto. Tudo lindo. Gardel não faz parte das minhas refêrências, mas seu texto tão bem escrito me colocou como diante de um filme e fui assistindo, tocado,envolvido, toda a cena.

Um beijo.

poetriz disse... @ 14 de dezembro de 2008 08:25

Ouvindo aqui, a música de "Perfume de Mulher".
Tem músicas, perfumes e toques que são inesquecíveis...

Bjs!

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 10:11

Olá, Eurico.
Nos últimos tempos, inspirações me assaltam em horas, por vezes, impróprias.
E emergem de muitas coisas, pequenas ou grandes, reais ou fictícias, relevantes ou banais.
Mas surgem, algumas vezes, de sonhos e estes, por vezes, linkamos a filmes que assistimos e gostamos. Foi este o caso.
Aqui, fui personagem e protagonista, em desejo.

Abraços, carinho e admiração.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 10:13

Olá, Iara.
A primeira vez que ouvi a expressão: “borboletas no estômago”, foi há anos, de uma sobrinha-linda, em Pernambuco - louca, como eu.
Ela me falava de paixões.
Achei original e pertinente.
Mas pelo visto, nem tão original, é.
O que percebo é que continua pertinente às paixões, sim.

Beijos.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 10:16

Olá, Dauri.

“Eu quero confessar”, também...:)
Não ouvi ou dancei Gardel, a não ser em “Perfume de Mulher”.
Talvez dali tenham emergido as impressões, que o inconsciente, polimorfo e atemporal, fez mescla, e entregou aos meus sonhos e sonhei, acordada ou não...
O fato é que viajei, no tempo e no espaço geográfico, inclusive.
Mas juro, foi quase real.
É, acabo achando que estou escrevendo direitinho.

Carinho, sempre.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 10:16

Olá, Poetriz.
Tens razão, outra vez.
E, afirmo que as minhas memórias, olfativa e auditiva, são sim, demasiado aguçadas.

Carinho imenso.

Simplesmente Amor disse... @ 14 de dezembro de 2008 10:18

Sua sensilidade me levou o voar ma imaginação...

Ao som da música seu texto nos dá asas!

Uma semana repleta de dádivas para vc!

Obrigada por sua passagem e palavras no meu blog!

Um abraço carinhoso

Esther disse... @ 14 de dezembro de 2008 11:37

Caríssima amiga,

Ode ao Amor! Minutos de intensa magia é o que ganho sempre que leio suas palavras, e que belíssimas palavras! Gardel arrepia, e certamente o que escreves ainda muito mais...

Brindemos ao amor!!

Mariana disse... @ 14 de dezembro de 2008 14:18

Esse post me tocou....

parece q estava eu a ensaiar um passos...

bjs

Cecília disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:09

Olá Mai!
Prazer te conhecer...
Pois é, agora sou a mais nova moradora do Síto, dividi-li com o Carlinho. Rsrs...
Adorei conhecer teu blog, é inspirador... Está postagem está linda!

Beijossss

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:27

Simplesmente amor, e, sendo o amor, tão complexo, se em ti, é simplesmente, é que o amor deve abundar, em ti.
Mais uma vez te agradeço a visita e comentário que prezo muito.

Volta sempre e mais e mais.

Carinho.

Carla Silva e Cunha disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:27

adoreu conhecer o seu blog
parabens
carla

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:28

Olá Esther.
Sempre super carinhosa, elevas a postagem ao status de "ode ao amor".

És mágica.

Beijos mil...

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:29

Olá, Mariana.

Fico feliz em receber-te aqui.

Não nos prive da tua companhia e comentários. Este espaço também é teu.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:30

Olá, Cecília.

Agora o blog estará e andará, atualizado.

Gostei do que vi, por lá.

Carinho. Volta sempre.

FERNANDA & POEMAS disse... @ 14 de dezembro de 2008 15:34

Olá querida Mai... Adorei a música e o texto... Boa tarde!... beijinhos de muito crinho, Fernandinha

Artista Maldito disse... @ 14 de dezembro de 2008 16:11

Olá Mai

Grande Gardel.

Texto e música em consonância. Adoro tangos, infelizmente não sei dançar, um dia talvez aprenda.

Boas-Festas, mas antes do Natal ainda volto para deixar os meus votos natalícios.

Beijinhos
Isabel

Márcio Ahimsa disse... @ 14 de dezembro de 2008 16:22

é sugetivo inspirar poemas
dançar poesias em demasia
com um toque, corpo rijo e posto,
pernas entrecortadas,
perfume, êxtase, um olhar fixo,
poema, lema, um baque, uma parada
um quase toque de rostos,
o corpo descendo por outro corpo,
um copo distraído em cima do balcão
e o anfitrião estático,
uma quase palma,
e o violino cortando fino
os tímpanos da dançarina
que se guia, que se desvia
da oponência do parceiro
e se faz discreta
como uma fresta que se abre
para o encantamento,
talvez Diana, Talvez Psiquê,
inflamam o salão,
tórrida devoção ao viril
de encontro de sapatos pretos
com as pernas deslizando
por dentro do vestido
com cumpre sua missão
de desenhar o mistério
que fascina os homens.

Sem comentários,

Beijos devotos.

Multiolhares disse... @ 14 de dezembro de 2008 16:44

Quantas vezes sonhamos a dormir e acordadas sonhamos tambem
beijos

Monday disse... @ 14 de dezembro de 2008 17:03

O conjunto de som e texto ficou fantástico ... e acho que isso foi ... um tango, não? Nu e cru, como deve ser ... pode se arrepiar à vontade ...

e grato pela visita, até no coment seu texto ficou ótimo ... rsss

Juliana Lira disse... @ 14 de dezembro de 2008 18:00

Minha nossa isso é que é paixão!
beijos sob a chuva, dança envolvente....

Também me arrepiei rsrsrs

Mil beijos

Eurico disse... @ 14 de dezembro de 2008 19:50

Que é que há hoje, me conta amiga. Todos os carinhos e cuidados d'amigo te darei.
Um chêro, bem pernambucano.

Vivian disse... @ 14 de dezembro de 2008 20:24

...existem músicas que nos
fazem levitar, assim como
as ruas onde podemos caminhar
como num passo de dança...rsss

você é maravilhosa com
as palavras acordando
sensações...

um bj, linda!

Rosemeri Sirnes disse... @ 14 de dezembro de 2008 20:47

Que coisa mais linda! É de verdade o que leio, o que sinto, todas as sensações que correm o corpo. Lindo, parabéns, muito lindo! Sem palavras...

Beijos

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:30

Olá, Fernanda.
Venho tentando sincronizar os sentidos e as memórias.
Fico feliz que tenhas gostado da música.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:30

Olá, Isabel.
Mas eu também queria muito, dançar tango.
Jamais troquei passo-qualquer.
Talvez um dia, como tu, eu rodopie um Gardel.

Carinho

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:30

Olá, Márcio.

E não me canso de dizer, és dos poucos que fazem
O “Inspirar” cumprir seu destino.
Fazes poemas em comentários. E eu adoro isso.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:31

Olá, Luna.

Mas é tão bom poder ler teus comentários.
Este espaço também é teu.
Não nos prives de tuas impressões.
Tua energia e sensibilidade, transbordam em multiolhares.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:31

Oi, Monday.

Eu fico num contente que não cabe, quando sei que a alquimia que concebo, funciona bem.

Teu texto é que ficou lindo. Assim, é fácil, as palavras correm, fazendo fila prá deitar.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:31

Olá, Juliana.
Isto que sentiste, amiga. São os arrepios que a poesia e alinguagem provocam.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:32

Olá, Amigo-Eurico.

Está tudo certo.
Um dia irás saber.
E te agradeço o carinho e os cheiros e abraços tão fraternos
Que quase pondero-os de tão fortes.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:32

Olá, Vivian.

Primeiro eu desejo te agradecer pela adesão ao blog. És a mais nova seguidora do Inspirar, e isto muito me honra.
E se ensaiaste passos de dança ao ler, o meu contente se alarga.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:32

Olá, Rosimeri.

Grata por mais esta visita. Este espaço é teu, também.
Volta sempre e não nos prives dos teus comentários e impressões.

Carinho.

Mai disse... @ 14 de dezembro de 2008 22:33

Olá, Serena.

Obrigada por voltares.
Estes “quem” a quem amamos, são assim...

Carinho.

Germano Xavier disse... @ 15 de dezembro de 2008 10:20

Texto bonito, Mai...

mateo disse... @ 17 de dezembro de 2008 14:39

Dir-te-ia... sensualmente apaixonada!
Envolves-nos e os mitos no muito que desejas. Seja Orfeu ou Eros ou um Terráqueo dum outro lado!
Envolves-nos e os mitos-sonhos num fogo que nos queima: um tango terreno e um vinho tinto que nos embebeda.
E eu que não danço... Só piso.
Beijos.

iara disse... @ 18 de dezembro de 2008 03:29

borboletas no estômago..sim adoro ess aexpressão, não achei nad que descrevesse melhor isso quea gente às vezes sente na presença do ser amado.
ouvi pela primeira vez em inglês, com prince na música (que adoro) when doves cry. na verdade o verso diz que as borboletas dela estão amarradas, mas aí conheci a expressão - butrerflies in the stomach.


"Touch if you will my stomach
Feel how it trembles inside
You've got the butterflies all tied up
Don't make me chase u
Even doves have pride"

Delirius disse... @ 2 de outubro de 2009 04:29

... Deus que me valha Mai...
é isso tudo aí...
humm... vou fugir!...

Mas antes te deixo um beijo e um sorriso!

Delirius disse... @ 4 de outubro de 2009 10:58

Mai, me deixa guardar este tesouro comigo, reler sempre que apetecer!
:))))), please!...

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