Inspirar-Poesia, um segundo sopro

bu_da_peste...

Por Sueli Maia (Mai) em 5/27/2009
Arte Bosch - As tentações de Santo Antão
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Do Alfa ao ômega, do prólogo ao epílogo eu advirto: aqui leremos tão somente a minha arte e o devaneio surreal. Oh Peste! A hiperativa humanidade cansa, 'sô! Aos pessimistas evocarei o tríptico artístico das tentações de santo antão. E o que tornar visível ou ocultar no ilusionismo sem futuro desse espetáculo global? Sem bisturís ou silicones enquanto a perfeição dos corpos renascia em pinceladas, a apocalíptica fantasia de Colombo previa, enfim, o fim do mundo. Mas ao final o que se viu e que estaria no porvir, era a América descobrir e a inspiração de toda obra surreal. Da inquisição, o asco. E no horror da tola culpa, o definhar da decadente humanidade. Eis que tranquilo o antão passivo, estava certo de vencer o inimigo destrutivo e tentador. E vai de retro! No espetáculo dominante, o alienante som global, eis o fantástico! E o show é a vida do artista e viva a arte de Dalí!

Arte: Salvador Dalí - A tentação de Santo Antônio
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No carnaval a fantasia o apetite e a luxúria. E outra vez a profecia: é o fim dos tempos. Tudo bobagem, um exagero! Mimesis genial e o mundo todo se inscrevia e metafórico cabia, na arte de Salvador Dalí. Capitalismo, escravidão, aberração e na vontade de poder, os mecanismos de controle. Homens expostos, outros em cárcere, na correria dominante, o ser humano é ao mesmo tempo mercadoria de consumo e o consumista autofágico de si mesmo. Mas, Sorria! Porque finalmente, de noite e de dia, você está sendo filmado. Haja controle, haja relógio, haja mercado, medo e correria. E o signo ilusionista da opulência pósmoderna é o big brother. Moeda, vil metal e o capital sobre os moinhos de Vento. Presságios malfazejos e outra vez, o misticismo. No apocalípse, lá no fim, eu juro, eu li que tudo isto, desde os tempos de antanho, estava pronto. Oh! bu_da_peste! Isto é o juízo, é o começo ou é o fim de toda festa? Nada! Besteira, isto é apenas o final, desse meu texto surreal.



Arte: Leo Burnett Publicidade

Música: Mozart
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16 comentários:

Eurico disse... @ 27 de maio de 2009 09:52

Bravooo!!!
Um tratado sobre a contemporaneidade, via leitura da obra de arte.
Vim te ver e volto sob a unção de Santo Antão. E com a visão dilatada até o limite da dor, ao re-ver Dali.

Abraço fraterno.

tossan disse... @ 27 de maio de 2009 10:20

Bela Arte! Uma das melhores, não é o tipo de pintura que me fascina muito, pra mim o que vale é a tua belíssima postagem e texto magnífico. Beijo

Letícia disse... @ 27 de maio de 2009 10:29

E você brincou com as palavras, Mai. E ficou bom por demais. =)

Parece que ficou peneirando um monte de ideia e veio esse texto que parece o que diz o apresentador de um circo. E hoje eu tô a maionese pura. Viajando muito.

E outra coisa. O mundo já acabou tantas vezes que nem sei mais contar. Eu tenho medo de ler o Apocalipse.

Beijos, Mai. =)

Humana disse... @ 27 de maio de 2009 12:18

A arte também no texto que está fantástico!
Parabéns!

paula barros disse... @ 27 de maio de 2009 14:25

Vamos e estamos pagando um preço pelo consumismo desenfreado de pessoas e coisas. A inquietude de ter, consumindo o ser.

abraços

Márcio Vandré disse... @ 27 de maio de 2009 14:50

Perfeita a conexão das palavras com a arte.
Fico até receoso de tecer um comentário. Porque o texto se encaixa perfeitamente.
Posteriormente lerei com mais calma e trarei a minha opinião sobre tudo.

De qualquer forma, parabéns!
Um beijo!

Dauri Batisti disse... @ 27 de maio de 2009 18:40

Belo trabalho, bela compoição: uma descrição surrealisticamente real dos sintomas que nos perseguem, tentações de todos os dias.

Beijo.

Leo Mandoki, Jr. disse... @ 27 de maio de 2009 20:13

um vez vi quadros do Dalí no museu do Prado e no museu do Chiado (em Lisboa). O fantástico dos quadros dele não são as imagens ou as cores. O fantástico é a dimensão. As imagens têm movimento. Basta vc desviar ligeiramente o olhar e vc já ve outras formas no mesmo quadro.
....
Sabe o que é o surreal? É a normalidade absurda de todos os nosos sonhos não realizados. Isso é o surreal.

Paulo disse... @ 27 de maio de 2009 20:34

...

☆ Sandra C. disse... @ 28 de maio de 2009 00:18

pela primeira vez na vida hei de concordar com o Mandoki. o surreal transcende a nossa visão imediata. serve de inspiração forte para a moda, eu sempre penso no surreal como fonte para as idéias quando estou pensando em moda, que, aliás, tenho pesquisado pouco ultimamente. correria tá grande...

Mai, neste post te sinto mais alegre. talvez pq assisti de longe o seu envolvimento com a concepção desse texto, e acho que saiu tão perfeitamente, fica até difícil comentar a completude da postagem, pois você utilizou de todos os recursos: conhecimento, experiência, identificação, jogo de palavras (sua especialidade), imagens..

não sou escrava do surreal, pelo contrário. a minha formação (humana e acadêmica) é totalmente linear. mas gosto de assisti-lo tão somente porque serve de fonte de inspiração em minhas [tão raras têm sido] pesquisas sobre arte e porque me ajuda a relaxar.

vai e ahasa, gata.

Paulo disse... @ 28 de maio de 2009 00:58

Olá Mai!

(...) Poderia dizer muitas coisas, comentar, analisar, opinar, procurar completar, e tudo o mais.

Mas são seus os sentimentos, suas as impressões, suas as vivências.
expressos em palavras!

Penso que para serem lidas e absorvidas, acrescentando algo ao meu esboço, vindo de você.

Simples sentir.

Suas palavras são certeiras!

Gosto de você!

... = !!!!!

mateo disse... @ 28 de maio de 2009 08:01

Tentação é a tua escrita...
E contigo Bosch, Dali e Mozart... as tuas musas.
Beijo.

Sam disse... @ 28 de maio de 2009 09:00

Bom Dia, iluminada! Bom demais voltar aqui e me aconchegar no berço dos teus versos, em cada esquina de palavra. Tua composição é única. Sinestesia ímpar. Beijo no core... Sam

Fernanda Fernandes Fontes disse... @ 28 de maio de 2009 09:41

A mimesis surreal não está mais nas telas: está no bisturi, no encontro virtual, no fluxo reto do pensar...é ai que se apresenta.

Bjs

A.S. disse... @ 28 de maio de 2009 13:26

Poderá ser surreal o texto sim,
mas não será surreal o mundo contemporâneo? Será tão metafórico como o traço obtuso de Dali? Ou será mais alinhado com o tom melodioso e coerente de Mozart?
O mundo de hoje... será que teremos a sua verdadeira definição?

Esta reflexão filosófica leva-nos sempre a um ponto comum;
Poder e dinheiro!!!
E sendo esses os valores essenciais do nosso tempo, será que alguém sabera encontrar as diferenças entre Dali e Mozart???


Abraço

grota pálida disse... @ 28 de maio de 2009 20:53

Mai,
Você sabe que lida bem com as palavras, não precisa de mim para dizer isto, as letras são o seu brinquedo.
A passagem de Bosh para o surrealismo teve quase o tom de uma fuga - fuga musical - gostei do arranjo. É lindo o poema. Mas... queria te ver sofrendo.
Queria ver o desejo, a culpa, a degradação e redenção da alma humana em seus poemas.
Foi este o carma de Bosh, quase que um torturador virtual. E foi o surrealismo que externou do sofrimento a palavra não dita, não para esconder a realidade,mas para tornar nossa irrealidade palpável e menos aterrorizadora.Foi esta passagem que senti no poema. Mai exorcizando fantasmas. Mas fico seduzido pela idéia de te ver cativa em meio a cena aterrorizadora. Pedindo com o seu canto pela luz distante. Não sei se para aferir a força dos sentimentos, ou para viver a sensação de que irei salvá-la. O texto é lindo. Beijos. Domingos.

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