Inspirar-Poesia, um segundo sopro

vi_oleiros...

Por Sueli Maia (Mai) em 5/07/2009
Fotografia: Tossan
Ruínas e pó em um canto qualquer do planeta. Barro e argila somos todos nós. Nós somos, um punhado de pó. Mas não te exasperes. Há flora olente e há vida que cresce de ti e embeleza a ruina. Coração de um homem e toda humanidade, nós somos apenas, barro e argila, em princípio e ao final. Mas o homem é oleiro, também. É artesão é Artista. Então descansa, te acalma e amanhã terás uma nova lida. E há lira, 'olhai os lírios do campo'. Te acolho e poemo, mode te lembrar que há muito amor nesse mundo. Estás consciente que és mundo? Nas mãos que modelam há calos e há dor. És educador? No coração do homem há vida que pulsa. E filosofia é ação, é chão. E Educação, em princípío, era KalosKagathos ou será que era Arete? Não sei. Não sou grego. Mas ao que envelheceu e mesmo em ruína, jamais se abandona sem cuidar. Tapera em ruína já foi um abrigo de alguém. Homem, tu queres abrigo? Abrigo e meu colo, eu te dou. E se és barro e és sopro divino, também és oleiro. Mãos hábeis no barro macio, modelam a vida que, frágil, pode até se quebrar. Na vida se aprende vivendo. E o barro, adobe modelável, endurece e resiste à dor, no fogo e na queima. O barro não berra ou faz birra. O barro tem vida nas mãos de um artista.Vi_oleiros e oleiros são homens, artistas e humanos, também. Violeiros são homens que amam, educam que choram e sofrem, se quebram e também viram pó, em qualquer lugar do planeta. E depois, é só modelar outra vez.


"Temos porém este tesouro em vasos de barro,
para que a excelência do poder seja de Deus,
e não da nossa parte" [Paulo 2Co 5.7].

Música: Violeiros - Djavan
.

24 comentários:

©tossan disse... @ 7 de maio de 2009 03:55

Aqui entre nós as vezes que te leio não consigo endender nada! Sou limitado para entender certa literatura, confesso. Mas esta eu entendi. Ao pó voltaremos. Gostei muito da foto, não sei por que...Beijo

AnaLuísa disse... @ 7 de maio de 2009 07:22

adoro as comparações que fazes. outro texto muito lindo ! :) *

Nuno de Sousa disse... @ 7 de maio de 2009 08:42

Lindo momento amiga... sempre grandiosos os teus texto a forma como interpretas a escrita é maravilhosa e adoro isso de ti... diferente.
Gostei das tuas belas imagens...
Fica uma terna bjoca deste lado do Atlântico,
Nuno de Sousa

Eurico disse... @ 7 de maio de 2009 09:29

Aí eu vou pra galeeera!!!!!

Vc é uma danada! A me fazer pegadinhas... mas te achei pelo google.
Se ninguém entender, entendo eu.
Essa sim, menina, uma aula de filosofia em grande estilo.
Brinque!
Eu nem me meto a besta mais... dobro-me diante do Oleiro, pois reconheço a excelência do Seu poder.
Mas pq me fez assim tão frágil barro... ?
e pq me fez dormir, sono profundo, ao dar à luz a mulher?

Creio que dormi demais, o novo sono adâmico, e a mulher cresceu para mudou o curso da história...

Nem beleza/bondade(grega), nem verdade/amor(indiano),
mas só AMOR, puro AMOR, além da história e atemporal.... rsrsrs

Abraçamigo.

Eurico disse... @ 7 de maio de 2009 09:31

Errata:
A mulher cresceu para mudar o curso da história...

Vc é puramente tó khalon!!!

Eurico disse... @ 7 de maio de 2009 09:36

Voltei só pra reverenciar a belíssima imagem do Tossan. Arte pura! Tó khalon!

Leo Mandoki, Jr. disse... @ 7 de maio de 2009 10:59

..sei lá...essa imagem bíblica de que o homem veio do barro nca encaixou na minha cabeça. Nem essa e nem a outra de que somos descendentes dos macacos. Não me concebo nem barro nem macaco. Mas me concebo como pó estrelar. Acho que é um exclente imagem que dignifica o ser humano..tipo..Deus agarrou num punhado de pó estrelar e moldou o homem a sua imagem e semelhança.
Nem nca vi um oleiro trabalhando...e como sempre...fazes a analise do coração...
fica bem

Erica Maria disse... @ 7 de maio de 2009 11:10

Olá querida...mais um texto lindo!

Ando sentindo saudades suas viu?

Bjo em teu coração!

AnaLuísa disse... @ 7 de maio de 2009 12:55

foi lá que eu escrevi um dos meus textos preferidos. está lá a hiperligação! 'este post tem bolinha vermelha' ..

vai ao meu blog :P *

Mateus Araujo disse... @ 7 de maio de 2009 13:15

Meu violão chama Jonny XD
skoaskak

hey, vem cá, vc e a Ester combinaram de sumir é?
suahs
Saudades ...

Como sempre aqui está demais!
BJUL♥

Afonso disse... @ 7 de maio de 2009 14:11

Mais um bonito jogo de palavras. :D Já tinha saudades de vir aqui, me desculpa a demora.
Não sei se o homem veio do barro, mas o texto ficou muito bom :)

Beijinho*

FRAN "O Samurai" disse... @ 7 de maio de 2009 14:28

Oi Mai.

A vida pode ser moldada, quebrada e ao mesmo tempo reconstruída pelas pessoas que sabem o que fazer com as próprias mãos. Se o homem foi feito de barro, isso é verdadeiro...

Beijos.

Sam disse... @ 7 de maio de 2009 15:04

É Mai! Assim como nosso amigo Tossan, eu tbm as vezes leio, releio e não pesco! rs

Tem coisas que sou lerda e nem sempre te acompanho rs

Mas sinto,sem entender. E o que sei é que o pó de que somos feito retorna à Terra.

E a alma dos escritores, poetas não vão nem pro céu, nem pro inferno. Mas para a eternidade (seja poeta, escritor... ou não)

Carinho sempre
Sam

Poisongirl disse... @ 7 de maio de 2009 18:18

Sempre achei curiosa essa junção de barro e sopro divino.

O barro que nós dá uma flexibilidade e ao mesmo tempo uma fragilidade contrastado com o mistério inefável do sopro divino.

O que não nos cabe saber ...é sempre curioso , para mim particularmente , ver a sabedoria divina enlouquecer e subjugar a ciência - que não passa de um barro trabalhado.

Desnecessário dizer que gostei.
Me pôs a refletir Mai.

Bem me quer Bem me quer... disse... @ 7 de maio de 2009 18:53

Sim, somos pó e somos argila mas nossa terra é fértil plantando em nós nasce flor!

Beijinhos

Maria

☆ Sandra C. disse... @ 7 de maio de 2009 20:41

meda!
eu não amo. logo, não sou vi_oleira.
u-óh... =/
mas, tudo bem. de tudo existe nesse mundo, né miessss [bem mineiro]?
post legal, sobre a perspectiva do homem moldar-se a si e aos outros [as pessoas não acreditam que podemos mudar outras pessoas, por quê, por quê, por quê?????!!!]
mas eu acredito.
casa bem com aquela minha série sobre [informática básica]. como fabricar seu próprio software?
por aí..

p.s.: foto bonita a da janela. torta, mas bonita. mas não entendi o ki ki tem a ver com a postagem...

anyway, beijomeliga ;D
[aff, ki hj eu tô u-óh!]

Tata disse... @ 8 de maio de 2009 01:26

Oi Mai,

A foto do Tossan é linda e seu texto para complementar, fechou com chave de ouro!!
Um BEEEEELO POST!

o ENCAIXE PERFEITO!

BJINHOS

Dora disse... @ 8 de maio de 2009 10:33

Sim, Mai. Somos criaturas do pó. Nascemos dele e a ele voltaremos. Mas, esse pó vira barro e argila moldáveis nas mãos dessas mesmas criaturas. "Porque o homem é oleiro".
Pelo amor à criação, a criatura também "cria".
E nessa criação, entram as dores da lida e na moldagem do barro, o Amor serve de impulso e espírito: a essa atividade chamamos de Arte? Porque a Arte é a re-criação da vida, na ação de moldar barros.
Oleiros e vi-oleiros se unem no artesanato da vida. São frágeis, são criaturas, são pó...
Mas, sempre renascem pelo pó...
Beijos, querida!
Dora

Tatiana disse... @ 8 de maio de 2009 10:58

Oi Mai...
a leitura de seu texto me levou a uma reflexão interna...
Onde tudo é começo e fim!

Como diz o Tossan...não é sempre que venho, leio e entendo a mensagem do texto... Mas confesso que esse é uma obra prima!

Um beijo com o meu carinho

glória disse... @ 8 de maio de 2009 11:03

O barro adere as formas do desejo. Traspassa as barreiras de construção do sujeito no mundo moderno, de corpos blindados a visitação dos afetos. Por isso, "o barro não barra ou faz birra", ele funda a condição humana que é de nascer sempre, mesmo que morra. gostei daqui, voltarei. bjs

f@ disse... @ 8 de maio de 2009 11:08

Pó de um planeta triste…
De nós que o tratamos tantas vezes mal…
Se pudéssemos moldar o s gestos e sentir como os lírios….

Belo teu texto e imagens…
beijinhos

TERE disse... @ 8 de maio de 2009 14:32

Tenho continuado a ler, sempre que posso e tentar entender o que sou capaz.

Saudade..Doce carinho de Mité=Docetere

AnaLuísa disse... @ 8 de maio de 2009 16:01

desculpa, só hoje vi o teu comentário ao meu texto! quere-lo para uma aula ? :o
claro que podes! à vontade, e não quero crédito nenhum. usa e abusa dele :)

obrigada pelos teus comentários. são sempre um mimo para mim :) *

Patrícia Lage disse... @ 8 de maio de 2009 23:21

Ah, amiga Mai, que texto lindo...
Desses bons pra degustar em longos momentos.

Eu confesso que ando quieta, calada, captando tudo o que o silêncio anda me oferecendo. Resolvi ouvir outros dizeres... E agora me encontro assim: barro, e vermelho.

Um beijo, e toda luz.

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