Inspirar-Poesia, um segundo sopro

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monografia ambiental

Por Sueli Maia (Mai) em , , 12/15/2009
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Não sei precisar quanto tempo, lembro apenas que estava desatenta quando tudo aconteceu. Sinto frio nas mãos e no estômago. Meus ossos estão frios e a pele gelatinosa. Sinto um medo estranho e fatal. Uma espécie de degelo escorre sobre minha cabeça. Foi tudo muito rápido. Coisa medonha de sentir. Um choque nas costas, um jato gelado contra o corpo ainda quente, fez parecer que me quebrara ao meio. Foi no pesadelo dessa noite que eu afoguei. Comigo estava muita gente, lixo e bichos boiando lentamente. Terror, ficção e agonia real. Um tsunami de horror e caos. A morte tem uma face perversa que se compraz com pesadelos em noites sem fim. Lembrei de gritar, mas o grito não saiu. Fiquei imóvel por um tempo, mas novamente o desespero de não acordar me assaltou. Há momentos de desesperança que exigem a coragem de permanecer, resistir. Então decidi esperar e porque minha voz não saia eu tentei respirar novamente, mas célere como um lince voando sobre a presa, o pesadelo me engoliu outra vez e a agonia me entrou boca adentro. Não consegui respirar e parei. Há momentos que são como a fome e a pobreza que parecem não ter fim e depois quem as vence se esquece. Mas há instantes de extrema impotência em que é preciso confiar e persistir porque resistir pode ser uma questão de vida ou morte. O tempo se esgota e exaure. Enquanto isto, eu sinto uma placa de gelo sob meus pés.

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Imagem Google
Música: Renato Russo - Mais uma vez
 

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