Inspirar-Poesia, um segundo sopro

asas da vaca voadora...

Por Sueli Maia (Mai) em 5/13/2009

Imagem: Google

Porque o vazio pode ser preenchido com um bom livro ou um bom vinho maduro. Em tempos de crise, pessoas e bares sempre podem tomar novos rumos, criar asas ou procurar outra marca de bebida. O fato é que se as vacas voassem, choveria muito leite sobre a terra. E há coisas que se escolhe e outras, não. Há separações que acontecem e que não se explica. Dependendo do tempo de convívio, você pode, até, se ver sem rumo. Foi assim que eu constatei que o Bar do Arnaldo havia fechado. Separação dolorosa e repentina, aquela. Bem difícil do sujeito aceitar. É que no Arnaldo a mesa, já era cativa. Arnaldo servia bons petiscos e a inédita ‘batida de whisky’ (quem beber será feliz mas, não terá fígado por muito tempo). Separações são difíceis para todos e sem aviso, o choque é certo. Você chega, a porta está fechada e a casa vazia. Olha o drama! Um Bar onde há anos você bebia, comia, chorava e sorria... Há homem que chora e até se pergunta: - será que não foi uma fase ruim ou, não teria sido um simples defeito no freezer? São tempos ruins mas estou certa de que o Arnaldo não voltará atrás. Agora é tentar superar o vazio e a falta do Arnaldo. Porque afinal, um vazio pode ser preenchido com um bom livro, ou mesmo, com um bom vinho.


Fotografia: Tossan

vi_oleiros...

Por Sueli Maia (Mai) em 5/07/2009
Fotografia: Tossan
Ruínas e pó em um canto qualquer do planeta. Barro e argila somos todos nós. Nós somos, um punhado de pó. Mas não te exasperes. Há flora olente e há vida que cresce de ti e embeleza a ruina. Coração de um homem e toda humanidade, nós somos apenas, barro e argila, em princípio e ao final. Mas o homem é oleiro, também. É artesão é Artista. Então descansa, te acalma e amanhã terás uma nova lida. E há lira, 'olhai os lírios do campo'. Te acolho e poemo, mode te lembrar que há muito amor nesse mundo. Estás consciente que és mundo? Nas mãos que modelam há calos e há dor. És educador? No coração do homem há vida que pulsa. E filosofia é ação, é chão. E Educação, em princípío, era KalosKagathos ou será que era Arete? Não sei. Não sou grego. Mas ao que envelheceu e mesmo em ruína, jamais se abandona sem cuidar. Tapera em ruína já foi um abrigo de alguém. Homem, tu queres abrigo? Abrigo e meu colo, eu te dou. E se és barro e és sopro divino, também és oleiro. Mãos hábeis no barro macio, modelam a vida que, frágil, pode até se quebrar. Na vida se aprende vivendo. E o barro, adobe modelável, endurece e resiste à dor, no fogo e na queima. O barro não berra ou faz birra. O barro tem vida nas mãos de um artista.Vi_oleiros e oleiros são homens, artistas e humanos, também. Violeiros são homens que amam, educam que choram e sofrem, se quebram e também viram pó, em qualquer lugar do planeta. E depois, é só modelar outra vez.


"Temos porém este tesouro em vasos de barro,
para que a excelência do poder seja de Deus,
e não da nossa parte" [Paulo 2Co 5.7].

Música: Violeiros - Djavan
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mono_logos laicos

Por Sueli Maia (Mai) em 5/03/2009
Enigmas do princípio ao fim. Neste cenário estarão a palavra e a razão. Lógico que esta bobagem é um monólogo laico, mas a atriz é Eclesiástica. Monologar sobre a harmonia do universo. Não vais logar, Eclesiástica! Esquece o teu login! E faças logo o teu ensaio, ou eu farei o teu logout. Velocidade, dicção e ritmo e imposta logo a tua voz. Projeta ao fundo. Aqui eu falarei sobre a palavra. Logo, neste lugar, eu seriamente brincarei certo? Minha linguagem está clara? Então não chora, deixa de drama! Olha o logoff. Mas tens razão, este meu texto está um caos e eu também. Até parece que bebi litros de Logan! - Podes ouvir esse meu sopro ai do fundo? Não tu. Ele, você ai. Terás que ouvir o que tu lês e eu disse “L-ele”. - Quem, eu? Isto mesmo, “L”. - Ok? Ação! – Ouve, meu bem, isto é para logo ou até logo já estarás cansada. E o que farás sem que eu te escreva e tu me leias? Tem até Blogger! – Espera! Palavreado inútil! - Não há verdade nisso aqui. Começa tudo outra vez. Vai! AÇÃO! - Em princípio, vamos por ordem ao caos. Logo, me ouve, te quero tanto... Com uma palavra declararei o meu amor por ti. Isto é um prelúdio filológico, meu amor. Este monologo, meu amor, é todo teu. Sshhhh... Sou toda tua, deixa-me cuidar de ti? .
Arte: Vitrais Sé
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A PAIXÃO E A ARTE - AUGUSTO BOAL, um imortal

Por Sueli Maia (Mai) em 5/02/2009
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Augusto Boal, um Homem apaixonado pelas paixões
(Ato I, Cena V, p. 25)

Hamlet sofria e chegou mesmo a cogitar o suicídio:
Hamlet: Oh, se esta demasiadamente sólida massa de carne pudesse amolecer e liquefazer-se, dissolvida em chuva de lágrimas, ou o Todo-Poderoso não apontasse o canhão contra o homicida de si mesmo!
Deus! Ó meu Deus! Como, cansado de tudo, julgo incômodos, insípidos e vãos prazeres deste mundo! Nada quero dele, nada!
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A PAIXÃO E A ARTE IMORTAL DE
AUGUSTO BOAL
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AQUELE ESPAÇO ERA A ARTE
AQUELE TEMPO ERA PAIXÃO
AQUELE HOMEM ERA PAIXÃO E ARTE
A ARTE ATRAVESSA O ESPAÇO E O TEMPO.

EM SUA ARTE AQUELE HOMEM É IMORTAL!
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Mai


"...Paixão não é sofrimento, não é doença: é vida!
A Paixão de Cristo não foram doze quedas, percalços no caminho do Calvário:
Paixão era a sua determinação em realizar o desejo do Pai e salvar o ser humano.
Não é a paixão de Romeu e Julieta que os faz sofrer e lhes traz a morte:
é o ódio voraz entre Montequios e Capuletos, suas famílias latifundiárias, seus sequazes e capangas, que lutam por mais terra e mais poder.
O obstáculo faz sofrer: a paixão vivifica!
Foi a paixão de Che Guevara que o levou à felicidade cubana;
foram os obstáculos imperialistas que o levaram à morte boliviana.
Foi a paixão do Tiradentes que o levou à Inconfidência Mineira;
foi D. Maria, a Louca, que o levou à forca!
A paixão faz sofrer, é certo; não, porém, porque seja paixão, mas por ser libertária!
O artista, quando o é de verdade, é um apaixonado
Sou um homem apaixonado pelas paixões..."
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AUGUSTO BOAL
http://www.ctorio.org.br/ - CTO - Centro de Teatro do Operimido
Livro de Memórias - HAMLET E O FILHO DO PADEIRO
Singela homenagem a um artista de verdade
Augusto Boal
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declaração de amor - "Cinema Paradiso" Blogagem Coletiva

Por Sueli Maia (Mai) em 4/29/2009
Com lirismo e humor extraordinários, 'Cinema Paradiso' conta-nos a história de um cineasta que, ainda na infância, descobre o seu amor pela sétima Arte. Cineasta de sucesso, Toto (Jacques Perrin). Salvatore recebe a notícia do falecimento do seu amigo Alfredo (Philippe Noiret) e, a partir daí, todos os acontecimentos de sua infância, retornam, junto às lembrança de sua amizade com o velho projetista e o seu fascínio pelo cinema. Uma declaração de amor ao cinema, este Filme de Giuseppe Tornatore, marcou minha vida. Trouxe-me as melhores lembranças de minha infância e junto com elas, um exemplo de como como vale a pena viver o que sonhamos.
A história se passa em um pequeno vilarejo da Sicília. Salvatore, Toto e Alfredo, o projetista , fazem com que nos apaixonemos pela bela história de amor ao cinema. A trilha sonora de Morricone é irretocável. A história da amizade entre uma criança que adorava o cinema e o velho projecionista do local, nos conduz às memórias de nossa infância.Pouco antes da chegada da Televisão naquele vilarejo, Toto (Salvatore Cascio) sentiu-se arrebatado pelo cinema. Totó insiste para que Alfredo o ensine a projetar e, apesar dos resmungues do velho projetista, uma bela amizade nasce, a partir do amor de ambos, pela sétima Arte.

Em nossa imaginação reside uma possibilidade de felicidade.

Cinema Paradiso fez-me voltar a crer nesta possibilidade.



Imagens: Google

Trilha: Enio Morriconne

conversAfiada

Por Sueli Maia (Mai) em 4/26/2009

Do nada prá lugar nenhum. Eis o comum em meus devaneios literários. Nem só de problemas vive o homem e o sorriso ainda é um bom remédio. Novamente o meu fascínio pela palavra. Trincheira da nossa liberdade, o pensamento possui uma força insabida pelo Homem. Mas há palavras que camuflam novas possibilidades de pensá-las. E eu li uma placa: ‘Não aceitamos fiado’. Des_complicar é facilitar a compreensão. Ou não. Mas pensar requer esforço, persistência, paciência e um par de pernas caminhantes, ajuda bem este exercício salutar. Na imaginação pode residir uma hipótese à felicidade. E caminhando hoje cedo, eu fui feliz. Pensei nas diversas possibilidades do que, estando fiado, ali não era aceito. Talvez existam verdades primordiais à cada um. Mas questionar verdades é não alienar-se e uma verdade jamais será maior do que, na vida, poder vivê-la. E porque eu já trabalhei em fiação, fiado era um fio que, passado em fiandeira, era torcido e retorcido. E por já terem me exigido um fiador sei que, em bancos, um crédito que é fiado, tem fé e é confiável. Opostamente, há outros sentidos para expressões populares e, em lugares por onde andei, conversa fiada é um diálogo sem proveito, uma desculpa, um caô, um lariado. Assim ficou-me a pergunta: porquê o tal fiado não é aceito ali? Eu continuo pensando...


Arte: Salvador Dali
Imagem ao final: Google Alice

grá_vida, canção temporã...

Por Sueli Maia (Mai) em 4/24/2009
Um vento cantando nas frestas da casa. Estou grá_vida de paz, que em silêncio me dou. Pre_vi contr'ação à ex_posição, meu poema é parto sem dor. Meu corpo dilata em letras que escorrem das mãos. São vãos meus receios. Nas salas vazias, me dispo, me gesto, sou verbo, nutrido em água. Re_pouso minha fala. No branco silente da página, sou voz e palavra, me escrevo. Dilato meu ventre e absoluta_mente, sou nada. Sou gente, sou ente, sou livre, sou Verbo, gerando palavra. Faminta, devoro emoção. Sou cor-respondente. O exílio é o breu. Transgrido a ordem. Transmuto a dor em sorriso. Meu grito é alegria guardada que esvai em desvãos. E a dor que se tenta abafar, se expande silente e, por dentro, eclode e explode em Arte. Em princípio era o verbo.
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Imagem Google
Música: Tanto tempo - Bebel Gilberto
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d’entes im_perfeitos - ironia e Mai_EU_tica

Por Sueli Maia (Mai) em 4/22/2009
Partejo-me em arte. A ironia fez-me teimosa e bem humorada. Manter-me viva ajuda-me a parir novas asneiras literárias. Dou luz à palavras parindo inutilidades. Sempre haverá um leitor desavisado e amigo que lerá minhas sandices e até poderá dar risadas. Sei pouco sobre muita coisa e questiono o mundo das aparências. Não sei quais os caminhos e limites que a ditadura da nova estética bucal nos levará. Pouco sabemos sobre as dores que os dentes im_perfeitos provocam nos homens. Não me admito alienada. Calar-me deixa-me a incômoda sensação de ser uma marionete em teatro de bonecos. Eu sinto dores mandibulares e hoje interroguei-me acerca da utilidade dos aparelhos ortodonticos. Seriam moldes perfeitos à modelar as arcadas dentárias, supostamente imperfeitas? Seriam moldes de sorrisos perfeitos? Toda regra tem sua exceção. Mas será que a perfeição concebida pelo humano, também não seria imperfeita? Ou inversamente, não poderia a imperfeição, naturalmente embelezar-se? Nascemos biografados pela genética. Mas seria em tudo? Não haveria outra verdade? Minha Maieutica é uma loucura e, coerente ou incoerentemente sou lúcida e ambígua. Do pouco que sei, sei pouco. Sei muito bem, naquilo que errei. Mastigo bastante os alimentos antes de engolir. Mas dentes tortos que se encaixam aos ossos maxilares de forma inadequada, podem causar a deterioração dos músculos e provocar dores. Eu não sabia disto até hoje à tarde. Um ortodontista sugeriu-me um aparelho. Teria a mesma função de um mantenedor fixo. Seriam braços de arame com uma base encaixada sobre a mandíbula. Um freio mode_la_dor. Eu sinto dores. Mas pior do que as dores do mundo, são os breaks e freios.
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Imagem: Google
Música: Sábios costumam mentir - João Bosco
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