Inspirar-Poesia, um segundo sopro

postiços sapés...

Por Sueli Maia (Mai) em 10/14/2009
Aquela verdade era um olho de vidro com dois cílios postiços e unhas de nylon sem cor. Ela era em sapé com as fomes e sedes bem naturais. Maria do Amparo era noite de chuva nos olhos do céu. Sentava na sala na insônia do quarto crescente sem luas de mel. Do ausente lembrava porque só queria esquecer. Num outono dormindo acordada sonhou que bebia um amor numa cena de safra madura da adega. Vinho íntimo em taça ele lhe serviu e ela o provou. Serviu os nus. Pediu: sorve-me? E baixinho a lareira sorriu e de novo pediu: - acende-me? Meu calor e meus nus aquecerá o bastante nós dois. E Maria do Amparo acordou com os cílios postiços nos olhos de água e com as unhas de nylon cortadas, na palma da mão.
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Imagem Google
Música: No Woman no cry
Reedição
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25 comentários:

Erica Maria disse... @ 30 de abril de 2009 01:10

Ah, querida Mai...


Lindo e sutilmente sensual...

Adoro ler-te em noites como esta!

Saio daqui encantada!


Bjos em teu coração lindo!

©tossan disse... @ 30 de abril de 2009 02:59

Erótico não, super sensual sim! Mai é o seu mais arisco lado(texto) que gostei ah! Me deu insônia. Com esta eu vou dormir em ênfase! Beijo

Leo Mandoki, Jr. disse... @ 30 de abril de 2009 05:56

..gosto da forma como tu brincas com as palavras...indica que tu não és afoita a utilizá-las. Que já é um defeito meu - sou afoito no uso das palavras. Por isso tenho que escrever e reescrever várias vezes a mesma coisa. Muita gente não sabe, mas para escrever bem três coisas são precisas:
1. Aprender gramática e depois esquecê-la.
2. Fazer respiração boca a boca com o dicionário.
3. e ler muito.
...
essas são as 3 coisas fundamentais, mas não suficiente. E vc tem as competências além dessas 3 coisas. Vc tem "calma" no uso da palavra e noção estética do uso de uma ao lado da outra.
Vc e a Letícia dariam uma excelente dupla de contistas do coração humano.
Um beijo

paula barros disse... @ 30 de abril de 2009 07:22

Considando toda a questão que Tossan e Mandoki disseram, fico impressionada é com a criatividade para fazer um texto assim.

Um texto que todas as frases são bonitas, fortes.

Achei lindo. beijos

Bem me quer Bem me quer... disse... @ 30 de abril de 2009 08:36

Concordo com todos acima...Tens um refinamento na escrita q deixa a todos sem nem palavras para te acompanhar com os olhos...É impressionante a forma q passa para o papel tua inspiração(inspiras arte...rs).
Bonito de ver e de sentir.E tuas músicas sempre nos faz viajar...rs...

Beijinho

Maria

Troll disse... @ 30 de abril de 2009 11:10

Quando relaxamos e caem todas as máscaras, o adormecer nos descasca da vida e tudo parece tomar uma forma tão verdadeira quanto nós mesmos.

Os olhos de vidro e água, o rosto da dor, das constatções, de tudo... quem somos? Quem seremos?

Vivian disse... @ 30 de abril de 2009 12:28

...sabes a uma pessoa única
com as palavras...

delícia envolver-me em seus
escritos.

adoro
adoro
adoro

beijos meus

FRAN "O Samurai" disse... @ 30 de abril de 2009 13:58

Oi Mai.

Voltei e aqui estou para me deliciar novamente em seus textos. Você brinca de escrever, percebo isso. Facilidade tamanha em colocar as palvras harmoniozamente.
Gosto muito de ler seus textos me traz uma paz muito grande.

Beijos amiga, saudades!

AnaLuísa disse... @ 30 de abril de 2009 14:05

gostei muito. adoro quando põe a sensualidade nas palavras.

fantástico Mai, mais uma vez :D *

Sue disse... @ 30 de abril de 2009 15:50

lindo, lindo, lindo...Bravo!

Amei

estou indo ler de novo.

Tatiana disse... @ 30 de abril de 2009 16:27

Vim apreciar Mai...
Aproveito para lhe desejar
um belo feriado e um fim de semana maravilhoso!

Beijos com meu carinho

Dora disse... @ 30 de abril de 2009 21:13

Um texto curto e queixoso, sem cair no excesso das lamúrias. Uma lembrança que produz insônia e lágrimas,um "nus" ( e um nós)que deixou de ser "duplo" e se transformou em uma pessoa "desamparada", mas que se chama Maria do Amparo.
Adorei!!!
Beijos.
Dora

Eurico disse... @ 30 de abril de 2009 21:20

Eu diria um texto todo "Mai". Assim ela nos conduz, sutilmente, ao lugar movediço da poesia.

Hoje vim só te abraçar.

Elcio Tuiribepi disse... @ 1 de maio de 2009 10:48

Oi Mai...ahh..você e seus comentários profundos, buscando o inexplicável-mente explicável...rsrs
Vejo que você tem brincado com o sentido das palavras de uma forma diferente, mais solta...e o resultado tem sido seus últimos e melhores poemas e textos...
A imagem lembra a casa do amigo que te falei...pois é...era assim...simples e aconchegante como me parece ser essa aí...viajei...obrigado sempre pelas palavras elucidativas...elas me fazem pensar ainda mais...um abraço na alma...bom feriadão Mai...bjo

Nade disse... @ 1 de maio de 2009 10:58

Olá!
Em fevereiro, véspera de eu viajar de férias, fiz um selinho em homenagem aos amigos blogueiros, aos seguidores, aos blogs que sigo.
Fiz porque amo selos e eles são a melhor expressão de carinho aqui na blogosfera.
O seu é um destes!
Não só isso! É também de me fazer sempre presente para que vocês saibam que tem sempre alguém esperando ansiosamente as suas postagens...
Por favor, vá até ao Orgulho de Ser, pegue o selinho e rebeba-o com muito carinho.
A postagem é a Selo Orgulho de Ser - Parte II.
Espero que goste!
Grande beijo e um excelente final de semana!
Nade, do Orgulho de Ser.

iaiá disse... @ 1 de maio de 2009 12:37

tão real!
me lembrou o filme que vi!
bj

Monday disse... @ 1 de maio de 2009 16:10

Maizita, que textozinho delicioso de se ler ... adorei os jogos de palavras e sentidos ...

Entrei em férias, viajo na terça, volto na outra ... mas haverá dias de sobra para te enviar mais sobre o livro ...

bjks

☆ Sandra C. disse... @ 1 de maio de 2009 21:54

eu resumiria tudo isso em:

a verdade é um vidro tão fino quanto um papel e tão leve quanto isopor. facilmente, se quebra. facilmente, se deixa levar pela ilusão.acertei?

Oliver Pickwick disse... @ 2 de maio de 2009 07:51

Inventou uma mulher-cyborg poética. Criatividade e ironia em uma metáfora incomum.
Também destaco a magnífica fotografia.
Um beijo!

Andre Martin disse... @ 2 de maio de 2009 22:10

Pequeno poema com grande dramaticidade!

Pérolas geniais as tiradas do vinho e da lareira! Coisa de gênio!!

O resto pareceu-me um tanto postiço, mas não tira o sabor, o brilho nem o encanto das pérolas!

Layara disse... @ 7 de outubro de 2009 14:05

Estou lendo e as emoções na pele.

Letras Lindas!

Paulo disse... @ 14 de outubro de 2009 23:16

Olá Mai!

Gostei muito!

Beijos!

in natura disse... @ 15 de outubro de 2009 00:39

Estou iniciando bem as minhas andanças, muito bonito o que você escreve e vou voltar mais vezes. Bejusss

Lara Amaral disse... @ 16 de outubro de 2009 12:02

Vc me deu uma boa ideia, republicar textos antigos - isso se eu achar algum que eu goste. Ainda mais pq ninguém lia meu blog há alguns meses, pode ter alguma coisa boa perdida lá para trás. E se eu achasse umas pérolas que nem essa sua aqui, minha nossa. =)

Kanauã Kaluanã disse... @ 30 de outubro de 2009 12:27

Mai,

Hoje aproveitei meu tempo - escorregadios ponteiros - para peregrinar pelo teu espaço.
Paro. E encontro-me prostrada diante do teu estilo.
Este texto atingiu-me em cheio os sentidos todos!
Desde o alicerce das construções metafóricas à metafísica de um dizer onírico.
De sapé seja a casa onde os olhos descansem os sonhos.

Que lindo, menina.

Katyuscia.

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