Inspirar-Poesia, um segundo sopro

dançando com hamlet...

Por Sueli Maia (Mai) em 10/15/2009
Dançar ou escrever, eis a questão. Eis que a música é porta aberta e pé na estrada e eu, viajando em arabesco, não vou dormir, prá que roncar? Talvez sonhar. Ela pensava - o que é mais nobre, um conventilho ou ir com vento à um bordel? Não há ofélia afogada desafinando em tom pastel. Não cantarei com o fantasma aquela ópera. Eu dançarei, está decidido! Escreverei palavra incerta e neste ensaio dançarei com Hamlet e citarei a minha insanidade. Porque morrer é só uma peça com dois atos. Se eu viajar posso voltar ou não voltar. Eis a questão - Serei, por não estar ou não serei por simples ser em meu estar? Onde enfiar todos os sonhos se o acaso me assaltar sem paraquedas nesta vida? - Meu hamlet, dá-me o prazer de ser meu par em uma dança? Eis a questão. Ser ou não ser menos que um par e mais que um ente, um ser humano? Escrevo palavras difíceis porque me roubaram o tempo. Dou mais um tempo à palavra e ao papel. Neste papel eu serei hamlet ou ofélia? Estou in_quieta pela estréia. Não sinto dor naquele d'ente que eu não tinha. Eu quero um doce escorrendo em minha boca. É doce o mel e o colo. Sem meu colar, dá-me teu colo? Boa questão. Se do guerreiro a esperança, eu sou o molde da etiqueta e da elegância. Estou guardada em meu vestido, semi-aberto e transparente. Iniludível a escolha nesse vôo do pardal. Voar ou não voar? E o que é mais nobre para a alma – ser ou não ser, enlouquecer ou explodir com todo mundo?
.
Dança: Grupo Corpo
Música : Arabesque 1 Debussy
Texto reeditado

21 comentários:

FRAN "O Samurai" disse... @ 2 de maio de 2009 02:48

Oi Mai.

O que vale é ser nós mesmos e poder voar apenas em pensamentos, porque tirar os pés do chão é cometer erros, erros tão certos quanto não saber quem somos, então, ser ou não ser?

Essa é a questão, ou melhor, o resultado! Seja apenas você mesma.

Beijos.

Sabrina Mata disse... @ 2 de maio de 2009 03:10

Enquanto Hamlet falava com fantasma e aspirava por vingança, eu dispensava minhas sombras, respirava esperança e esperava por aquela dança. Ser ou não ser, mas ser o que? Diga me um porque... essa noite apenas loucos eu e vc. Dupla insana, Hamlet ou Ofélia, quem eu ei de crer?

Elcio Tuiribepi disse... @ 2 de maio de 2009 04:26

Bom dia Mai, perdi o sono...rsrs...caramba, você postou tem alguns minutos...música bonita essa...
Dormir ou não dormir, ler ou não ler...ficar ou não ficar...escrever ou não escrever...
Uma coisa é certa, para voar é preciso mesmo um paraquedas, ou um par de asas...no entanto o Mai importante e preciso disso tudo é ser humano...e isso você tem sido de sobra...chega de reticências...dormir ou não dormir...eis a questão, mas cadê o silêncio? Bjo...

Leo Mandoki, Jr. disse... @ 2 de maio de 2009 07:24

Primeiro Acto
CENA V

Hamlet: Oh! Se esta demasiadamente sólida massa de carne amolecer e liquefazer-se, dissolvida em chuca de lágrimas, ou o Todo-Poderoso não apontasse o canhão contra o homicida de si mesmo! Ó Deus! Ó meu Deus! Como, cansado de tudo, julgo incómodos, insípidos e vãos prazeres deste mundo! Nada quero dele, nada!
...
Só mesmo entrando aqui no seu blog...é que temos a feliz surpresa de nos depararmos com Hamlet - o maio de todos os principes, muito além da Dinamarca!
..
beijos e se cuida!

Oliver Pickwick disse... @ 2 de maio de 2009 07:56

Há cada dia a sua poesia torna-se mais revolucionária e audaciosa. Há algo de lunibnoso no reino da blogosfera.
Um beijo!

Jacinta Dantas disse... @ 2 de maio de 2009 08:02

Ser o par de si mesmo. Que bonito isso. Dançar, envolvendo-se, acolhendo-se. É...
Divago por aqui pensando que essa humanidade está nos faltando. Estamos meio programados para agirmos como máquina? Sei lá. O que sei mesmo é que gosto do seu texto, desse voo suave e pensante.
Beijo

Eurico disse... @ 2 de maio de 2009 13:09

E eu que aqui cheguei sem bússola, vindo lá do Dauri, fico sem norte e sem mais nada, diante do que vejo aqui...
Essas vestes semi-abertas e transparentes não me deixaram lugar para a reflexão...
Volto depois.

Abraço fraterno.

Sam disse... @ 2 de maio de 2009 13:49

A música expressa o que não pode ser dito em palavras, mas não pode permanecer em silêncio.
E a música, é a sua melhor companheira e complemento.

Meu beijo pra você, Mai!

Luis Eustáquio Soares disse... @ 2 de maio de 2009 16:59

e o que é mais nobre para alma, suportar os dardos e os arremessos de uma vida sempre adversa, ou amar e amar-se, e nunca amarrar-se, ou amargar-se, num mar de desventuras, porque sempre aventuras...
b
luis de la mancha..

Dora disse... @ 2 de maio de 2009 17:15

Mai, achei hermético o texto, prá minha bagagem pobre... Mas, quanto mais "fechado", mais digressões se fazem na interpretação...
Um jogo de contrastes dialogando, sem respostas, partindo de Hamlet que coloca o "ser ou não ser/eis a questão".
Então as alternativas seguem: ou isto ou aquilo...a dança ou a escrita, o convento ou o bordel, voltar ou não voltar, ser Hamlet ou Ofélia...até o principal dilema: ser ou não ser.
Dançar supõe espaço e gesto e partir...
Escrever é o domínio da palavra no papel, mas sugere vôo...
Mas, a vida dos fenômenos está aí, na existência, feita de dentes, doce e colo. Escolhas. Um devaneio de Ofélia, sem se afogar.
Um desenvolvimento de idéias que evoluem umas para as outras, por aproximação de conteúdo vocabular.
Tantas inquietações, trazidas lá do fantasma do príncipe da Dinamarca...
GOSTEI UM TANTÃO!!!
Beijos
Dora

Erica Maria disse... @ 2 de maio de 2009 17:20

Mai,

Seu estilo é indefinivel e encantador, adoro o q escreves!

E a questão ser ou não ser, me lembrou Viviane Mosé, que sempre põe em pauta essa questão!

Carinho!

Saara Senna disse... @ 2 de maio de 2009 18:34

Olá Mai!

Senti saudade querida, acho que meu silêncio acabou.

Bom, eu sei bem o que é tentar expressar algo através de uma música, deixar que ela fale por nós por que simplesmente não temos palavras... ou coisa assim.

"E o que será mais nobre para a alma?? Ser ou não ser..."

Adorei!!

Um beijo minha querida!

AnaLuísa disse... @ 2 de maio de 2009 19:53
Este comentário foi removido pelo autor.
AnaLuísa disse... @ 2 de maio de 2009 19:54

«E o que é mais nobre para a alma – ser ou não ser?» - BRUTAL :O

beijinho Mai *

mariza disse... @ 2 de maio de 2009 20:27

aiai Mai,

ando tão em falta com você, sempre tão carinhosa comigo. meus comentários têm sido feitos a conta-gotas e com muita economia, porque ando numa fase desértica até pra comentar.

seu conto é lindo. ou melhor, sua prosa poética é linda. povoada de imagens e sons. e não me refiro à belíssima peça de fundo, que, a despeito da beleza, perde para a dança de suas palavras, tão bem escritas e adequadas a esse estilo transgressor, no qual você vem se reafirmando em suas prosas poéticas. gostei muito.

um beijo, querida.

©tossan disse... @ 2 de maio de 2009 20:36

Mai, escreves demais, dá inveja como encontras as palavras facilmente. Não vá dizer que tu estás quadrada, vá caminhar que editarás textos da mesma forma, não adianta ginástica...caminhar basta! Eu acho que foi o vinho Mai, desculpe falei besteira. beijo

Letícia disse... @ 2 de maio de 2009 20:38

Minha única certeza é a dúvida, Mai. Texto que fala por mim. Muito bom.

Bjos. =)

☆ Sandra C. disse... @ 2 de maio de 2009 22:13

complicado comentar, porque Hamlet, junto com alguns outros aí, é para mim um grande ídolo.

estive lendo um arquivo pessoal ontem, uma conversa que fiz questão de salvar, onde era me dito que padecemos mais pela certeza que pela dúvida.

logo acima, acabo de ler o que uma blogueira comentou, que sua única certeza era a dúvida.

que coisa cíclica! padecemos pela certeza.. a certeza da dúvida!

faço minhas as palavras do Rei da Dinamarca, o espírito, de 'king' para 'kin':

.
Os vagalumes anunciam a alvorada e começam a empalidecer seu indeciso fulgor..

que estranho, Mai. pois particularmente, eu opto pelo caminho 'econômico' da verdade. e, sendo assim, as coisas me são claras.

portanto, estou com teu outro amigo aí. na dúvida, sê quem tu é, de verdade.

Andre Martin disse... @ 2 de maio de 2009 22:30

A dança que fazes com as palavras, en_canta-me!
A merda (pra não dizer fezes) dessas dú_vidas é que elas são apenas fases dançantes, en_contradas por todos os cantos!

Vivemos di_vidos a pro_cura de nossa outra meta_de, que nunca en_contra_remos noutra pessoa senão dentro de nós mesmos.

Dizem, ao contrário do que se conta por aí, que Deus para castigar o primeiro Homem, dividiu sua essência e o fez ser homem e mulher, metades complementares que nunca se completarão!

Daí, por sermos descendentes do segundo Homem (ou do primeiro casal, se preferir), temos a herança da e_terna dú_vida, nada terna tampouco e_letrônica, é de_vida mesmo e da_vida de todos!

mesdre.blogspot.com

Menino-Homem disse... @ 3 de maio de 2009 14:38

"E o que é mais nobre para a alma – ser ou não ser?"

Shakespeare é sempre divino, e você é sempre voraz, transformadora, quente...

Mai,
estou num momento de reflexão pura e assim não consigo produzir nada... mas em breve voltarei...

um super beijo,
muito carinho.

Lara Amaral disse... @ 16 de outubro de 2009 11:58

"(...)enlouquecer ou explodir com todo mundo?"
O que falar depois disso, síntese que sempre penso?

Só o que posso dizer é que além de escrever, gostaria de poder voltar a dançar... Quem sabe numa vida em que o principal não seja tentar passar num concurso? Inclusive a culpa de eu não estar estudando agora é sua, pois não consigo parar de ler seus escritos, hehe...

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