Inspirar-Poesia, um segundo sopro

o sumo e a mordida

Por Sueli Maia (Mai) em 10/19/2009
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Dia branco de se enroscar sob a coberta. Fruta mordida. E a distância distorce o que vê. A injustiça é um espelho vaidoso que estilhaça uma face real em mil pedaços. E tudo se inverte no espelho. O miudo fica grande como um trem parado na velha estação e o outro se apequena e se dissolve feito fruta espremida que escorre em sumo secreto que só se serve em despedidas. Estava na rede acordado e mudo. Tentava fingir o que seria depois de beber o sumo deste dia. Por certo estaria com sede. Ele sempre tem a sede dos desertos. Então preparei-lhe o sumo servido ao mais belo deus do olimpo, que era secreto. Jambo dulcíssimo, vermelho e carnudo. Água adocicada de um côco verde com a polpa picada e batida, tres gomos de tangerina sem pele e gelo que agito, até espumar. Aroma delicado e estimulante, servido em fina taça como um ritual dionísico. Estonteante! E se mortos não movem a face, abriu os olhos e os brancos dentes e antes de se despedir, sorriu, bebeu e satisfeito levou a suave lembrança do sumo. E após o frio dia branco saiu da rede e seguiu. Tudo que fizer que seja feito com amor.
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Imagem: Google
Inspirado em Rã no blog http://sumocomgelo.blogspot.com/
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26 comentários:

paula barros disse... @ 19 de outubro de 2009 17:03

É amor por demais!!!

E volto a repetir o quanto me impressiona a sua criatividade, o seu poder criativo.

abraços saudosos

Paulo disse... @ 19 de outubro de 2009 17:12

Olá

Lindo...

Abraços

Caio Fernandes disse... @ 19 de outubro de 2009 17:24

wow !! agora nao sei se fiquei com sede , cansado uo com fome de amor nas pequenas coisas ...
tambem nao sei oque e Jambo , a ultima vez que tomei agua de coco foi a uns 10 anos atraz ou mais e foi de caixinha , a acho que tangerina e a mesma coisa que mexerica , mas nao tenho certeza , talvez sejam apenas frutas parecidas ...
meu Deus !!! que confusao de paladares , gostos , vontades se deu por un pequeno detalhe cultural agora !!

beijos Mai !!
te adoro !!

Anônimo disse... @ 19 de outubro de 2009 17:56

O sumo mordido assumiu q ficou mordido e sumiu com o sumo e a mordida.Adorei a raiva.um beijo!

Mirse Maria disse... @ 19 de outubro de 2009 18:12

Lindo Mai!

"E a distância distorce o que vê. A injustiça é um espelho vaidoso que estilhaça uma face em mil pedaços"!!!

Não sei porque, pois ando confusa, mas me encontrei aqui, como fruta mordida e injustiçada!

Belo demais!

Beijos

Mirse

disse... @ 19 de outubro de 2009 18:31

Olá Mai,
obrigado.

Eu é que fiquei enroscada entre o gelo frio e o calor da tua inspiração no meu sumo...

Adorei A TUA PROSA POÉTICA E O AROMA FRESCO DE FRUTA M ORDIDA... OS GOMOS DE TANGERINA COMO LUA DOS DEUSES...

Gosto de suco festivo...

beijinhos

Vivian disse... @ 19 de outubro de 2009 18:34

...todo "suco" que é preparado
por amor e com amor, resulta
em devaneios sem limites.

o doce.
o agri-doce.
o gosto que fica depois...

você é demais!!

smackssssssssssss

Wania disse... @ 19 de outubro de 2009 19:28

Mai, gosto demais desta trama que tu fazes com as palavras e que depois tu nos serves o sumo em poesia!


Que delícia é beber estas tuas palavras... matam a sede da Alma!

Sempre lindo, sempre inspirando poesia este teu lugar!!!



Bj enooooome pra ti

BAR DO BARDO disse... @ 19 de outubro de 2009 20:16

son(
h)
o

Lara Amaral disse... @ 19 de outubro de 2009 20:40

O seu cálice só desperta coisas boas, poetisa.
Grande abraço!

Oliver Pickwick disse... @ 19 de outubro de 2009 22:42

Aprecio a sua habilidade de ancorar os seus textos em mitos de tempos ancestrais, porém, com vestuários de de última geração. Nesse entrementes, sumos, água de coco adocicada, polpas... Beleza pura!
Um beijo!

Monday disse... @ 19 de outubro de 2009 23:10

E enquanto tantos se perdem a desejar que a declaração seja pelo mover dos lábios a pronunciar 4 letras em duas sílabas, inundas o mundo de amor sem uma única palavras, mas com todo o sentimento que certos atos e gestos podem exalar ...


bjks, Maizita

e mesmo que não aparece diante dos teus olhos a te escrever, o pensamento sempre conversa contigo ...

Mário Lopes disse... @ 19 de outubro de 2009 23:26

Quanta finesse, quanta elegância nessa despedida inevitável... A lucidez serve-se fria num gesto de fina ironia. Como um bom vinho para ser apreciado por quem já sabe esperar. Ergo o meu copo e brindo, humildemente: à Mai!

Marcelo Mayer disse... @ 20 de outubro de 2009 01:37

concordo com o de cima... elegância

devaneiosviscerais disse... @ 20 de outubro de 2009 14:05

Estar perto do que é relativamente longe. Curioso isso.

A relatividade tanto quando a reatividade do lounge.

Legal. =)

Rafael disse... @ 20 de outubro de 2009 14:07

Hum, parece ser um bom suco, esse descrito. Gsto de misturas diferentes... hehe.

Sempre gosto das coisas que você escreve embora nem sempre entenda direito. Mas poesia não é pra entender, né, é pra sentir.

Adorei ler seus últimos comentários no meu blog!! Sempre fico feliz quando você aparece pra dizer o que achou ou o que não achou, é sempre muito inspirador.
Não entendi muito o por que das pessoas terem gostado tanto dos meus 2 últimos textos. O das laranjas é apenas uma lição vazia; e o último nem ia postar, mas como comecei a ler um livro chamado Surrealist Games, fiquei empolgado e postei, por ter algumas semelhanças com as técnicas surrealistas de escrita automática, e etc...
É, acho que sou um pouco um surrealista, parece...
haha!
Bjs

devaneiosviscerais disse... @ 20 de outubro de 2009 14:08

Ih, comentei errado, esse era para o tópico anterior, desculpe. =/

devaneiosviscerais disse... @ 20 de outubro de 2009 14:12

"Tudo que fizer que seja feito com amor." Lindíssimo isso.

Adorei o texto. Deve ter sido delicioso esse dia e repouso na rede, servido de uma especiaria tão doce e suave, tão natural.

Adoro voltar.

E obrigado pela visita. =)

Abraço.

tossan® disse... @ 20 de outubro de 2009 18:17

É a mordida na fruta, depois a água e quem sabe com um bocadinho de aguardente...É inexorável a lembrança que reflete no espelho. Belo texto! Saudade também Mai. Beijo

Ricardo Valente disse... @ 20 de outubro de 2009 19:03

... sumo delicioso...
... saudade

sidnei olívio disse... @ 20 de outubro de 2009 20:37

Delicioso de se ler. OBRIGADO pelos comentários poéticos nos meus blogs. Um doce beijo.

Adolfo Payés disse... @ 21 de outubro de 2009 02:19

Un gusto inmenso conocer tu blog.. me ha gustado mucho. acogedor y tus versos son maravillosos, te sigo para poder leerte con mas frecuencia.


Un abrazo
Con mis Saludos fraternos...

Unseen Rajasthan disse... @ 21 de outubro de 2009 04:55

Beautiful post !!1 Loved this one..Thanks for sharing..Unseen Rajasthan

Macaires disse... @ 21 de outubro de 2009 13:04

Olá, querida, vim buscar o sumo deste dia, o qual encontro aqui, pois também tenho sede dos desertos e de belas palavras!

Beijos, Mai!

Tomaz disse... @ 21 de outubro de 2009 16:31

Fazia tempo que não entrava aqui, e me deparo com o supra-sumo da poesia linear, muito bom !!
Como um jambo de Recife.

Beijão pra tu !

tonhOliveira disse... @ 21 de outubro de 2009 17:39


consumo e amordida
dei no poema!

Beijos MAI!

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