Inspirar-Poesia, um segundo sopro

expansão nos espaços vazios

Por Sueli Maia (Mai) em 10/09/2009
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Espaço de circulação e fluindo entre os dentes, o sorriso é uma idéia genial. E na contra mão da arte, esta arte é a verdade de um homem sem dentes. É expansão. Moeda retida - sem circulação - ocupando os espaços é a contra mão da expansão. Expansão e ocupação dos espaços vazios é apenas um lado da moeda. É um lugar de moeda e planejamento. E sem planejamento, um lugar, não serve à expansão e nem à expansão de um sorriso. E por outro lado a expansão do sorriso é arte que não tem lugar. É o desenvolvimento de um pensamento estético da arte que fica no vazio da beleza atual, mas que não é real. E na realidade - a arte - é o retrato da realidade da vida e do homem em seu natural. E realidade da vida é o que vivemos. E aquilo que somos vivemos. E com o que temos vivemos. E podemos viver em espaços imensos que ficam pequenos porque coisas se acumulam. Dentes falsos ocupam as bocas que ficam esteticamente perfeitas e sem riso. Função do sorriso. Mas nos espaços se amontoa tanta coisa sem função. E há tanta coisa sem função nos espaços pequenos. Ar. Espaços pequenos sem ar. E o sorriso banguela na tela é beleza natural, alegria real que se vê no olhar e na boca sem dentes. Homem natural e a estética perfeita de um sorriso verdadeiro estampado na tela, é o espaço vazio entre os dentes e apesar do trincar de outros dentes esteticamente perfeitos, o sorriso banguela é verdadeiro e feliz. Coisas amontoam os espaços e espaços ocupados com coisas, desordenam cidades. E nós precisamos de espaço. E há espaços de livros e há livro demais nos espaços e Deus me livre! Há livro do qual não me livro e nem quero me livrar. Mas há coisas mais úteis que as coisas inúteis em livros e há falsas verdades em livros. Livrai-nos! E de todas as tralhas que estão prontas prá desabar em cima do mundo amontoado de tudo, livrai-nos! E não há mais lugar prá correr nos espaços sem ar. Circular. Há coisas que impedem de o ar circular. E quanto tempo e espaço teremos para termos mais espaço e tempo para nós e não para as coisas que amontoamos nos espaços e o que nós podemos fazer para a expansão dos espaços vazios?

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Arte: Caio Fernandes - Acrílico sobre tela

23 comentários:

Caio Fernandes disse... @ 9 de outubro de 2009 12:25

esse e um trabalho que fala de sentimentos .
mas , mais do que isso . fala tambem da fragil relaçao da materia com o espaço atravez dos valores pictoricos apresentados .
incrivel voce ter visto isso , por ninguem viu e eu nao quis comentar ( voce sabe que sou contra textos direcionando a sensibilidade do observador te um trabalho de arte , contemporanea ou nao ) .

sua sensibilidade me chocou agora pela intencidade , generosidade e busca pela verdade Mai !!

obrigado .
nao tenho palavras .

Henrique Pimenta disse... @ 9 de outubro de 2009 12:35

Interessante falar sobre espaços vazios, porque poucos de nós compreendemos que é o que existe apenas, lacunas, intervalos, vãos e desvãos, enfim, o vazio. A plenitude, pois.

Namastê!

Macaires disse... @ 9 de outubro de 2009 15:40

Nem sempre a perfeição inspira beleza e um sorriso sincero é mais belo que o mais perfeito sorriso.
Sorrir é expressar a alegria da alma e a alma não tem rosto, mas tem expressão!

Belíssimo texto!
Um beijo e um sorriso, Mai!

Delirius disse... @ 9 de outubro de 2009 17:44

É isso aí Caio, é o que me encanta em Mai, a incessante e intensa busca da verdade!

A verdade que está dentro de cada um, e sempre a encontra.

Me fascina essa sensibilidade, Mai.

Tem recado p'ra si. :))

Beijo, Mai.

Gilbamar disse... @ 9 de outubro de 2009 17:59

Um texto que nos faz refletir sobre a futilidade de algumas coisas que estão entre nós e conosco e das quais podemos prescindir.

Poético abraço de Gilbamar.

Vivian disse... @ 9 de outubro de 2009 18:09

...o homem, por natureza
não gosta e não consegue
viver com espaços vazios,
e assim vive em busca de
preenchê-los, mesmo que com
lixos emocionais.

e você...
ah
você é uma linda!

bjbj

Wania disse... @ 9 de outubro de 2009 18:33

Mai, inteligente analogia costurada por ti em cima da bonita tela do Caio (que tive, recentemente, o prazer de conhecer através do teu blog).

Espaços vazios,
sorrisos vazios de bocas completas,
Espaços cheios de coisas vazias.

Desocupar
Planejar
Expandir

Bonita reflexão!


Um fim de semana preenchido de muitas coisas boas pra ti!
Bjão

Lara Amaral disse... @ 9 de outubro de 2009 19:31

São sensacionais suas teias poéticas que vão costurando, verso a verso, uma realidade nova, ou explorando uma realidade velha e esquecida. Cada frase uma descoberta. Causa uma boa sensação ler seus textos.

E quem nos dera se todo espaço vazio fosse ocupado por sorrisos, banguelas ou não, mas que fosse na essência, legítimos.

Beijos, querida Mai, e obrigada pelas reflexões sempre pertinentes e atenciosas aos meus textos.

Até.

tonhOliveira disse... @ 9 de outubro de 2009 20:01

O passo é lento
sem pressa expressarei!

Sem pressão!

Vazio fico de tão cheio...
tentarei preencher os espaços achados e perdidos.

Quero esvaziar...tô cheio!

Beij♥s MAI!

Batom e poesias disse... @ 9 de outubro de 2009 22:28

Mai,
Pensei em você escrevendo como numa espiral crescente. Aborda um tema central (um sorriso banguela) e vai se expandindo, expandindo até nos encher de perguntas muito interessantes e intrigantes.

Mas gostei muito também da observação da Lara, de que você tece uma teia costurando os temas.
Espaço, tempo e sorrisos.

Mai... mais...

bjs no seu coração iluminado.
Te gosto.
bjs

Rossana

Layara disse... @ 9 de outubro de 2009 23:57

Excelente reflexão sobre o Vazio.

Precisamos do Vazio, antes de qualquer coisa, há somente o Vazio.E que bom seria se todos pudessem preencher esse Vazio, apenas com Amor, o Universo agradeceria essa expansão e para nós retornaria somente essa Paz!

Beijos do meu Horizonte!

Abraão Vitoriano disse... @ 10 de outubro de 2009 00:18

"E por outro lado a expansão do sorriso é arte que não tem lugar."

Mai minha,
o tal vazio é uma ilusão, tudo e em qualquer parte permanece sempre a crescer, não segue a ordem linear que imaginamos... não depende só de nós... o "sem dente" é comparado a "cerca" (qquando criança) porque ele é um espaço de abertura para os lindos campos... tá vendo? você me faz perceber isso...!

um beijo maior e grande,
do seu homem-menino-mais-menino-procurando-perguntas...!

Ilaine disse... @ 10 de outubro de 2009 05:28

Linda Guria!
Tuas palavras são pequeninos fios de ouro, levemente entrelaçados, feito filigranas... E o vazio se enche delas e então, já não é um vácuo, mas arte - "é o retrato da realidade da vida e do homem em seu natural."
Beijo

Nydia Bonetti disse... @ 10 de outubro de 2009 11:51

As falsas verdades são mesmo perigosas... Muito bom, Mai.
Bom fim de semana. beijos.

Letícia disse... @ 10 de outubro de 2009 14:47

Um livro do qual não quero me livrar. Isso é verdade.

Bjo, Mai.

Letícia disse... @ 10 de outubro de 2009 14:49

E obrigada por divulgar o livro, Mai. Obrigada mesmo. =)

Mais beijos.

PS.: Espero que a leitura esteja sendo agradável.

Cadinho RoCo disse... @ 10 de outubro de 2009 16:02

Sempre podemos fazer muito e mais pelo espaços que ocupamos e por aqueles que queremos ocupar.
Cadinho RoCo

Luis Eustáquio Soares disse... @ 10 de outubro de 2009 18:03

salve, querida mai, que os espaços vazios são como a desglobalização das mais-valias; a menoridade da menoridade, da menoridade, são maioridade, afetos que nos afetam.
beijos
luis de la mancha

Márcio Vandré disse... @ 10 de outubro de 2009 21:00

Nunca abro mão de um sorriso.
É a porta de um mundo muito mais gentil.
Trafego por dimensões.
Retiro os meus pés do chão.
Sorrir é como estar num avião.
Sem nem saber para onde ir.
E passam nuvens.
Vôo junto com os pássaros ao sul.
Sorrir é como sonhar.
Com olhos bem abertos.

Um beijo, Mai!

Elcio Tuiribepi disse... @ 10 de outubro de 2009 22:21

Quanto tempo e espaço teremos para termos mais espaço e tempo para nós e não para as coisas que amontoamos nos espaços e o que nós podemos fazer para a expansão dos espaços vazios?
Essa pergunta veio preencher um espaço vazio que já me sabia tal...
Mudando o rumo da prosa...
Aí me pergunto, como estará o livro Amar em Cuba que saiu de minha estante e foi parar na casa de um amigo...diga-se de passagem, foi ganho pelos cinco anos em que ficara enprestado e quando iria ser devolvido recebeu na primeira página uma dedicatória por usocapião legitimo e incostentavel, para que meu amigo não ficasse vexado, pedi a ele um autógrafo em num CD, aí ele perguntou espantado...esse era meu?
Era...era...já não é mais...rsrs
Mai, simplesmente show a sua postagem...gostei por demais, é que ele mexe com estes espaços dentro da sala da gente, da cozinha, da alma...enfim...
Um abraço nela...bjo..a trilha sonora sempre boa também...valeuuuu

Mário Lopes disse... @ 10 de outubro de 2009 23:32

A querida e linda Mai revelando e alertando, com a lucidez ainda doce da esperança, para o espaço que nos roubam ou que nós não sabemos desimpedir de entrada da beleza, da verdadeira arte, do sorriso nascido da profundidade camuflada pela superfície, do que nos expandirá o espaço interior vazio, ocupando-o. Sim, porque só a beleza verdadeira o pode fazer.


Que lindo e reconfortante é saber que há quem nos convide a viajar num olhar assim, o teu, Mai!
E que há quem pinte assim!
Beijo doce para ti.

Paulo disse... @ 11 de outubro de 2009 01:26

Olá, Cara Mai!

O grande enigma de se viver é preencher os vazios, ocupar os espaços.
O vazio assim como nós é absoluto, preenche-lo com substâncias que
representam o que sentimos, absorvidas através de palavras imagens,
sons, pensamentos... Sentimentos que ocuparam outros espaços,
É o que nos torna reais.
Assim, quando “consideramos” o vazio plenamente preenchido,
nos reinventamos, e recriamos.
Porém, com quais substâncias?
As que nos fazem sonhar, viver simples e plenamente.

Nesse instante, eu sou o que sinto.
Feliz em poder ler-te!

Um colorido feriado, querida amiga!

paula barros disse... @ 12 de outubro de 2009 00:25

Mai, seus textos são ótimos para serem dissecados, estudados, analisados, refletidos por parte.

Acumulamos nas nossa vidas muitas coisas desnecessárias, objetos, sentimentos,relações.

O espaço fica pequeno tanto dentro de nós como no espaço físico.

E quanto ao sorriso pensei mais um tanto....mais não vou me alongar.

abraços carinhosos.

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