Inspirar-Poesia, um segundo sopro

matriarca

Por Sueli Maia (Mai) em 1/16/2010

Pássaros são Homens alados. Sensíveis ou não machucam-se um dia. Homens são pássaros implumes. Sensíveis ou não, um dia, também choram suas dores e solidão. Árvores aninham pássaros e homens, sensíveis ou não. Em seus troncos inscrevem amores de um e outro. Homens entalham em árvores nomes e corações enamorados. Nos galhos e braços, os frutos, a vida e o abrigo a ambos. Árvores maduras são solitárias. Repletas de vida alimentam amores, Homens e pássaros.
.

Telaviv, cartas e letras...

Por Sueli Maia (Mai) em 1/16/2010
Telaviv nos postais e mesmo à distância te vejo bem perto. Aqui, muito já ficou para trás e tudo está longe. A cerejeira no quintal está florindo e os primeiros beija-flores disputam - no ar - a florada perfumada. Há tempos não sentia a calma de hoje. Dias agitados com noites maiores que as horas silenciosas do inverno. Somente agora que todos se foram, consigo escrever. Ah! amiga, que saudades de te ouvir e poder falar contigo! Mas ainda não será desta vez que nos sentiremos no abraço que guardo e que - sempre, me faz sentir-te ao meu lado. A lealdade dos amigos de infância e a velha troca das figurinhas dos álbuns da infância, agora, são blogs com postagens ilustradas com animés digitais. E somos modernas. E assim como tu, eu também compreendí que a paz é o estado de sentir e, sem correr, a paz é simplesmente abandonar coisas perdidas no tempo. É seguir, sem olhar para trás. Bem que dizias que as coisas do enternecer poderiam não tem fim. Mas sabes bem, Ema, querida, meu coração é um perfeito rendez-vous de um amor anarquista que ama, que me faz amar o mundo e que me deita e me deixa sem roupas, mesmo quando é inverno. Ah! Telaviv. Isto é um sonho, Ema, mas ainda irei abraçar-te, amiga. Domingos caminha ao nível do mar, ah! o mar que a tudo acalma e espanta... É um bom alquimista, acredita, não tem pendores de alpinista e prefere os peixes e as ondas do mar a tocar-lhe os pés. Aqui despeço-me, Ema querida, pois já é madrugada, há frio lá fora e hoje eu desejo sonhar com Telaviv. Beijo você, com amor, eu.
.
Imagem Google
.

canções do mar e ciclos...

Por Sueli Maia (Mai) em 1/11/2010

Sol declinando poente em sussurros de um mar de abril. Canções de espumas miúdas, quebrando n’areia, molhando meus pés, coxas, vestido... Traços, limites de enchentes e os ciclos lunares na páscoa. Peixes que escapam das mãos, na pressa da pesca, nos veios d’areia onde pisam meus pés. Marés outonais são águas que espraiam e enchem meu corpo, oceano, nos ciclos de renovação. Shhhhhhh...É o sussurro dos ventos e águas, nas marés do meu coração.

Imagens de hoje - fotografia: SMaia

um conto de um conto de rés

Por Sueli Maia (Mai) em 1/11/2010
.

A cama estava desfeita. Ao chão, os adornos e as roupas se empilhavam e sobre a mobília, apenas uma toalha em desalinho. Os cacos de vidro restavam espalhados rente à parede oposta aos móveis. Quando enfim decidi atendê-la, encontrei-a de pé. Ainda se via beleza naquele desleixo. Os longos cabelos ensejavam pentear. Há um estado de humor que afeta os sentidos. Em meio à desordem andava de um lado ao outro e parecia esperar. Minutos de silêncio eram rompidos por soluços e tosse que entrecortavam a respiração. A obsessão turva a mente e ensurdece. Não percebeu a minha chegada e porque subitamente olhava para os lados e para trás denotava pressentir, além de nós, outra presença. Vez outra esfregava o peito e afagava o retrato que mantinha em abraço. Se era o mesmo da parede ainda era moço e era sério de feição. Ao serviço eu já estava acostumada mas, porque demorava, a agitação aumentava e eu me entretinha a observar os detalhes da casa. Os cheiros entranham - mais na madeira e nos livros. Esse bordado largado sobre a mesa fazia concluir que o tempo, ali, não havia seguido. Tudo é mais fácil quando se está preparado a abandonar. O meu tempo era outro e para seguir, faltava ela terminar, se despedir. Mas quando eu a encarei nos olhos, o porta-retratos caiu, ela gritou e lutou, mas eu a peguei de jeito.

.

retrato calado

Por Sueli Maia (Mai) em 1/07/2010
.

Se do acaso chuva fêmea fez ocaso, macho é o crepúsculo de uma dor. Há os que não seguem com a vida há os que ficam e não mais sentem e há os que vão e são eternos. Mas mesmo assim a vida segue porque certeza é que o sol sempre virá. Porém do verbo uma poesia espreguiçou, um sol em noite deu a luz e um olhar acabou por sorrir. Mãos trazem vida, laço quer fita e mãe de letra é mão e do lácio da flor derradeira escrevo e retrato feição. E tez de verso é voz de uma aurora delicada e o colosso de um parto é o colostro que boca em seio a sugar faz poesia e leite dá vida e é linda! Tão linda é Lavínia! E portanto eu canto este dia ou por tanto eu apenas gaguejo poesia e goteja um sorriso que se abriu com a luz que neste dia acendeu. E tudo freme e unto-me em fio de azeite e a chama flamba e deixa aroma e o sabor desta língua que - bruta, escrevo em retrato calado.

.

a rebeldia dos oblíquos

Por Sueli Maia (Mai) em 12/30/2009
.

O tempo passa e inevitável é pensar que amanhã será um dia comum, talvez último, com horas a menos e a mais. Admito ser estranho lembrar Duomo e Pisa neste instante e tão incomum quanto instigante é pensar as sutilezas e os poderes que sustém o oblíquo. Então abro os olhos para o espectro da euforia e piso o chão. Eis o poder de inspirar o ar. Evoco uma fibra qualquer e a memória da pele. Porque talvez a rebeldia do oblíquo seja essa teimosia que faz resistir, desafiar ou irromper entre as fendas uma vida qualquer. Porque o desvão de um baque é uma brecha e a valentia da ferida é uma crosta e no exposto disso tudo eu agacho e limpo qualquer coisa que escorra. A persistência de cambaio é a cena do atleta que completa a maratona e desmaia após a linha. Retrovisores do tempo em datas comuns. E cuidar do engano do engodo do crédito é estima, e viés que rima é erro, e honra é rito e do guerreiro o grito é guerra. E naturalmente é só dezembro que está acabando ou mais um janeiro que volta com um sopro de vida que vem prá mais tempo e história. E ela volta com fatos que emergem ciclicamente. E reprisando, tudo é como o filme biográfico que se faz em culatra e deflagra no biografado a memória dos seus ideais. Amanhã, numa tela ou na areia, menos e mais um dia e vida a mais e a menos junto ao pulo do ponteiro. E depois respirar, chorar, sorrir, abraçar e escrever o novo numeral e traçar metas e desejar nos rituais de reinício. E assim eu desejo mais fôlego na travessia dessa lâmina d'água que refrigera e desperta para um novo e simples bom dia!

.
Bom 2010 para todos!
Imagem: Google

correspondentes

Por Sueli Maia (Mai) em 12/23/2009
.
Talvez eu seja apenas uma estranha correspondente das linhas que escrevi e nunca soube ao certo destinar. O certo é que não ouço vozes, mas sinto um impulso flagrante ao qual cedo, porque escrevo destinos, quereres, saudades e dos amores suas guerras e paz. Houve dores que ao descrever também pude sentir. Escrevi intenções e vazios, mas também os sorrisos, explosões e olhares que percebi como miragens a inspirar-me poesia. Descrevi realidades tão estranhas como linhas paralelas que estando em mesmo plano não encontram um ponto em comum. Não sei se fiz bem porque talvez estas cartas sejam apenas migalhas sem valor, mas deste ofício em que me fiz correspondente, eu literalmente o fiz por amor ao amor. Então escrevo esta ultima carta que fala de um presente e que junto às demais posto à frente da hélice de um imenso avião que por ai as haverá de espalhar.

"Meu amor, não te aflijas. A minha perna já não dói. Mas antes de ir-me de uma vez, eu preciso dizer que me deste o meu maior presente que chamamos Simone. Um beijo."

.

Um bom natal para todos.

Mai


.

Música: Caetano Veloso - Cajuína e Quereres - Maria Betânia. Baião malandro - Hamilton de Holanda
Imagem: Google

irrevogáveis

Por Sueli Maia (Mai) em 12/16/2009
Regressivos finais de um filme onde há um duelo entre os atores principais. Há piratas espalhados no cenário se escondendo por trás da fumaça dos gases letais. Figurantes vestidos de gelo estão a pingar, a brigar ou brincar com o que há de mais sério no mundo. Olha a claque: - Gravando! À deriva e devagar estamos todos no mesmo barco do degelo. Há vidas sangrando oceanos. Piratas singrando nos mares, espreitando tesouros que estarão fatalmente perdidos quando tudo terminar. Fatal mesmo é esquecer de lembrar que no epílogo da vida, do fim mudo restará uma pobreza plural. Estátuas de gelo começam a pingar lentamente. Magnatas-piratas e gigantes-pigmeus, por favor não esqueçam do instante irrevogável que começa no segundo primeiro, após o minuto final. 15...14...13...
.
Imagem: Google
 

Seguidores

Links Inspirados