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Talvez eu seja apenas uma estranha correspondente das linhas que escrevi e nunca soube ao certo destinar. O certo é que não ouço vozes, mas sinto um impulso flagrante ao qual cedo, porque escrevo destinos, quereres, saudades e dos amores suas guerras e paz. Houve dores que ao descrever também pude sentir. Escrevi intenções e vazios, mas também os sorrisos, explosões e olhares que percebi como miragens a inspirar-me poesia. Descrevi realidades tão estranhas como linhas paralelas que estando em mesmo plano não encontram um ponto em comum. Não sei se fiz bem porque talvez estas cartas sejam apenas migalhas sem valor, mas deste ofício em que me fiz correspondente, eu literalmente o fiz por amor ao amor. Então escrevo esta ultima carta que fala de um presente e que junto às demais posto à frente da hélice de um imenso avião que por ai as haverá de espalhar.
"Meu amor, não te aflijas. A minha perna já não dói. Mas antes de ir-me de uma vez, eu preciso dizer que me deste o meu maior presente que chamamos Simone. Um beijo."
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Um bom natal para todos.
Mai
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Música: Caetano Veloso - Cajuína e Quereres - Maria Betânia. Baião malandro - Hamilton de Holanda
Imagem: Google