Inspirar-Poesia, um segundo sopro

cinética...

Por Sueli Maia (Mai) em 8/04/2009
Cinética é uma palavra, é energia e movimento dos corpos. É resistência, flexibilidade, força e delicadeza das mãos. Eixos do corpo, centro de gravidade e o mundo à volta de tudo e em tudo há um mundo e tudo é fluxo no coração das pessoas e das coisas. E ela era elástica, flexível e no balanço ritimado do corpo, a impulsão e o voo, na transposição do obstáculo. E ali, a vara, era de fibra de carbono e ela tinha fibra e era a mais pura e branda energia e superação. E lembrava os encantadores de serpentes e o engodo de uma flauta em movimento. Pôr do sol e o escuro vinha vindo e fixava o olhar, pensando que idéias como noites, são açoites que marcam, rasgam laços e caminhos, nos rituais de passagem de meninos e meninas. Viagens de regresso, malas desfeitas e competir em Bangladesh era um estrondo e era um lugar ou apenas uma palavra que ao final era nada, porque bradava o som do silêncio. Presença de signos, metáforas e selvagens animais se movendo e dançando ao som da flauta. Ela pensava e fixava o seu olhar na passagem do corpo sobre o sarrafo e naquele movimento havia força, nas mãos a fibra de carbono, a sua fibra e a delicadeza de um movimento que mimetizava os animais. Corpo perfeito ultrapassando os limites e a ação das forças na mudança é uma escolha e é um corpo qualquer, um movimento qualquer. E Bangladesh é um lugar e um estrondo, uma explosão, um baque e a queda de um corpo sobre um colchão d'água. E ao final da palavra, o - sh, era apenas o som do silêncio... .
Música o último pôr do sol - Lenine
Imagem: Isinbayeva - recordista olímpica

29 comentários:

Márcio Vandré disse... @ 4 de agosto de 2009 00:52

Muitas pessoas, aposto, buscam essa vara para saltar os problemas. Nessa hora, a vontade de vencer pode nos fazer saltar cem muros.
O interessante é que nem sempre o muro é invencível.
Uma só pedra retirada pode fazê-lo desmoronar.
Em suma, existem vários caminhos.
Ficar caído é que não dá.

Um beijo, Mai.
Nem preciso dizer o quão bom está seu texto, né? :)

Até mais ver!

Vivian disse... @ 4 de agosto de 2009 02:15

...o que seria de nós
pobres mortais, sem
as "varas" molas
propulsoras para que
exercitemos a coragem
de vencer barreiras?

bj, querida minha!

Jacinta Dantas disse... @ 4 de agosto de 2009 08:09

Menina de Deus!
eu, que sou admiradora dos seus textos, fico aqui, tentando sentir o olhar que provoca tamanha percepção. Vejo-me e me encontro por aqui, querendo me desprender da rigidez.
Abraço, menina da palavra impactante.

Paulo disse... @ 4 de agosto de 2009 08:17

venho agradecer a visita ao Intemporal

e des.lumbrado perante este espaço sublime

re.voltarei sempre.

.m.u.i.t.o. .o.b.r.i.g.a.d.o.

vou agora ler os posts com toda a atenção.

:)

Tatiana disse... @ 4 de agosto de 2009 09:43
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana disse... @ 4 de agosto de 2009 09:44

Pois é Mai... apesar de nossa tendência ser diferente na escrita e demonstração do que sentimos...
Toda vez que venho aqui e leio sinto uma revolução no interior.
Hoje...dia quem me sentia mais "casulo", aqui senti a força que precisava para sair!

Beijo com carinho

OBS:Pelas fotos no blog da Paula, percebi que você mora em um paraíso!

A Senhora disse... @ 4 de agosto de 2009 10:08

BAN! GlaDessshhhh...

- Então lê um pouco prá gente.
E eu respiro fundo, cansada.
Os dois se desenroscaram do corpo-a-corpo, levantaram o banco do piano que haviam derrubado.
- Leio...
E eles deitaram, lado-a-lado, aconchegantes, naquele cheirinho de banho tomado, a contragosto, de moleques para ouvir mamãe ler Dinatopia.
Ufa!

beijocas!

Menino-Homem disse... @ 4 de agosto de 2009 11:15

"e em tudo há um mundo e tudo é fluxo no coração das pessoas e das coisas."

e se não pudesse flexível ser, não existiria...

é nesta tentativa de imiticar o clico da vida,
contorcionista por natureza ou necessidade que provamos a inteligência humana: a superação, a quebra de recordes, a conquista do impossível... dois braços duas pernas dois olhos, eu vou a roma sem medo, eu descasco romã caso seja preciso...

pular cercas é o melhor rumo pra descansar depois no mar, degraus não são maus, são vida, e temos joelhos pra aguentar...

beijos Mai,
carinho muito,
saudades

e eu sinto
e solto cinto...

do menino-homem que te ver luz em você...!

Letícia disse... @ 4 de agosto de 2009 11:33

Você trabalha bem demais a palavra, Mai. Sinto até o ritmo da sua voz lendo o texto. =)

E estou bem e sempre.
Beijos, Mai.

Rafael Belo disse... @ 4 de agosto de 2009 11:34

E o impulso para o nosso infinito partucular no engodo da privacidade. Imaginei a Ishinbayeva todo o processo de "acalmamento" dela e aquele pôr do sol na frente e ela saltando sobre ele. E ela tem todas as expressões da beleza impressa e não. Beijosss

Dora disse... @ 4 de agosto de 2009 11:54

Mai. A pretexto de falar de uma recordista olímpica, veio o texto que se multiplica em ideias de "cinética", mimetismo de animais, flautas, rituais de passagens, imagens de pôr-do-sol.
O foco é a energia concentrada nos movimentos quase perfeitos de um corpo humano, tentando ultrapassar seus limites. E Bangladesh é o local dessa explosão. E o instante do baque do corpo no colchão d´água na culminância de tudo, como um instante mágico do encontro da plenitude "cinética"!
Beijos, menina "senhora das imagens"!
Dora

Sun disse... @ 4 de agosto de 2009 13:43

Querida,
É só para dizer que a partir de hoje, restringirei o meu blog apenas aos blog’s convidados. Caso estejas interessada em continuar a me acompanhar, envia-me o teu e-mail para o meu: sandrasartori @live.com.pt. E eu adiciono-te, ok?

Um beijo.

Márcio Ahimsa disse... @ 4 de agosto de 2009 13:54

Hoje, há algo de triste dentro de mim, há uma lágrima querendo se fazer densa, há algo tão real quanto uma pedra, há algo tão pertinaz, tão convincente, uma palavra cega e cortante rumorejando em meu âmago: não sou quem sou? Serei eu uma lâmina cortante que fere, um lampejo desconexo que vem e traga a memória numa lembrança desagradável ao pensamento? Hoje, acordei breve como um pequeno raio de sol que adentra pela fresta teimosa da minha janela velha de ferrolhos enferrujados, e meu desejo era sorrir mais brando numa demora mais contumaz. Mas há uma lágrima em mim se desenhando, lenta, arredia, sinuosa e sem aviso prévio de chegada. Alguma coisa se quebrou em minha alma, alguma coisa se mostrou clara e evidente: não sou tão leve quanto uma pluma, nem profundo, nem fundo, nem raso nesse caminho de acasos... Não. Hoje descobri que uma pergunta pode ser uma afirmação, e que o que não penso pode ser o que penso, pois meu sentir não importa, nem a porta se abre contente para um abraço de entrada, que termina num riso, ah... Distante.
Hoje, eu quis ser aprendiz, quis sim, ser uma mola flexível que balança os humores humanos para lá e para cá, sem traçar nenhuma fronteira para se sentir bem... Quis. Mas consegui o inflexível, consegui ser tragado pelo desconforto de não saber mais quem sou, nem saber se minhas palavras são tão minhas quanto penso serem. Ah, queria ser essa vara inquebrável de fibra inquebrável, para não me quebrar em pedaços e sair por aí distante de mim mesmo.

Beijos, querida. Belo poema, como sempre, és divina no que escreves.

Fique bem, também.

AnaLuísa disse... @ 4 de agosto de 2009 13:54

sempre com palavras fantásticas. e com boa música a acompanhar :D

beijinho Mai, *

Caio Fernandes disse... @ 4 de agosto de 2009 15:47

obrigado querida , agora tenho mais uma palavra para toda a vida ......

Caio Fernandes disse... @ 4 de agosto de 2009 15:48

obrigado querida , agora tenho mais uma palavra para toda a vida ......

devaneiosviscerais disse... @ 4 de agosto de 2009 16:18

Mai, aqui estou. Muito obrigado por não abandonar meu blog. Obrigado, sempre, por cada comentário. =)

Adorei seu texto. Legal como felixíveis são suas palavras e expressões, que viajam em tantas formas, texturas, referências, contextos. Palavras com forma, ideias com e sem forma, se moldam, se transformam. Muita força tem seus textos.

Bjs. =)

paula barros disse... @ 4 de agosto de 2009 17:45

Talvez com flexibilidade se chegue mais longe, ou se fique. Com flexibilidade não nos quebramos tantos, mesmo precisando quebrar recordes em nós mesmo. Mesmo precisando quebrar tabus, quebrar laços, nos lançar.

beijos e carinho

Delirius disse... @ 4 de agosto de 2009 20:37

És fabulosa Mai!
Adoro ler-te!
Beijo.

Cris Animal disse... @ 4 de agosto de 2009 22:01

Mai Querida, depois de ler seu texto me deu vontade de meditar; só não vou fazer isso agora, pq tem uma banda do meu filho ensaiando aqui em casa....rs

"ao final era nada, porque bradava o som do silêncio. " E ao final... o som do vento.

Isso é tudo que alguém precisa para descobrir o caminho que leve a si mesmo, que o faça olhar sem medo, sem fronteiras... "malas desfeitas" para dançar ao som de flautas.

Lindo, Mai! Lindo e cheio de meditações.

beijo grande pra vc!

Mateus Araujo disse... @ 4 de agosto de 2009 23:06

ABSURDOS! ♥

©tossan disse... @ 5 de agosto de 2009 01:18

Você embaralha as palavras como eu embaralho as cartas, tão simples pra você e tão complicado pra mim. Deve ser a tecnologia da poesia de hoje. Magistral! Beijo

Everson Russo disse... @ 5 de agosto de 2009 09:45

Um belissimo dia pra ti...beijos

Germano Xavier disse... @ 5 de agosto de 2009 15:05

A palavra debulhada como o milho na roça do tempo. O milho da palavra transformando-se no mingau, na pamonha, no melaço, no que é outro. O deguste além do que realmente importa.

Belo exercício, Mai.
Continuemos...

Déia Arakaki disse... @ 5 de agosto de 2009 15:50

Passando para deixar o meu carinho e o desejo de muita :
Luz
Paz
Saude
E .. amor Sempre!!

beijao

Maria Dias disse... @ 5 de agosto de 2009 19:40

Oi amiga,

Entre tantas palavras amarradas e soltas me peguei buscando uma só:Adrenalina.Viver perigosamente pede adrenalina.Pular acima dos limites tb.Voar e se deixar cair e esperar um tempo pra saber se valeu a pena(sao momentos de ansiedade e pura adrenalina).Tentar ler nos aplausos e nos sorrisos se valeu a pena causa muita adrenalina.Mas para tudo isto há de se ter um equilíbrio fora do comum, nervos de ferroe claro gostar muita da tal sensação de adrenalina que corre pelo corpo perfeito da moça que da saltos e ultrapassa seus próprios limites.Essa moça é um exemplo!

Beijinhos

Maria

Luiz Gonzaga B. Jr. disse... @ 5 de agosto de 2009 19:44

oi, Dona! Are everything ok?
Teu texto é uma parábola no ar ( se é que me faço entender).

Talvez, se a preguiça e a chuva deixarem, eu escreva algo na proxima semana... For now, thanks for your attention.

Mari Amorim disse... @ 5 de agosto de 2009 21:41

Mai,
que belo post,sempre pertinente! que seus dias sejam serenos e cheios de boas energias
bjs Mari

Éverton Vidal disse... @ 6 de agosto de 2009 16:29

Esse texto também é uma homenagem aos nossos atletas-artistas olímpicos que com muita fibra, aqui, em Bangladesh e em qualquer lugar do mundo nos enchem de felicidade atrvés da beleza de seus corpos e movimentos.

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