Inspirar-Poesia, um segundo sopro

silenciosonoramente...

Por Sueli Maia (Mai) em 8/17/2009
.
.
Silenciosa e sonoramente eu faço música, escrevo bobagens e pesco palavras. Neste texto estaremos eu, a música e a rede que eu pesco. O silêncio, o nada e o vazio serão minha lógica, na emoção que me dá pescar e com paciência esperar os sons, os peixes e as palavras. O silêncio fala alto e claro os sons. Há dias em que preciso compreender o que se passa comigo, e fico muda, tentando ouvir a melodia harmoniosa do silêncio. Então convoco em sentinela meus sentidos. Minha audição se amplia e, assim, ouço melhor a vida e seus sinais. Aos poucos, meu pensamento inquieto se acalma. Minha boca cala, velando um pacto de ouvir em silêncio, o som do coração das coisas. Nas horas que se seguem a expressividade costumeira, cede lugar a uma lânguida e lenta mansuetude. Diante da escolha, eu sou o mais puro silêncio e pauso o mundo em mim e à minha volta. Convictos desse momento, meus olhos falarão por mim em meu exílio. Gestores do diálogo com o mundo, meu toque e olhar expressarão tudo que ecoar em mim durante este degredo. A partir de agora o que eu vir, ouvir, sentir e pensar, estará contido nessa afasia voluntária. Na primazia dos sentidos, minha audição captará e revelará os sons, os tons e os ritmos na diversa natureza. O silêncio, como a noite, tudo amplia. Em alumbramento, eu paro diante de pequeninas coisas, antes, óbvias. Percebo riqueza em coisas banais que o burburinho diário obscurece e oculta. Eu, inteira pele, burbon e arrepiada, ouço os sons mais sutis da poesia do mundo. Meu corpo sedento e faminto fala silenciosamente que é preciso sacia-lo, já. Mas estou em silêncio e, porque só em silêncio se pode perceber a sonoridade de tudo, eu ouço o silêncio sonoro das águas e descubro que a água, geme em agonia, anunciando que já vai ferver. A música tem pausas e no silêncio os sons se harmonizam em melodia.
.
Música: Senhorinha de Guinga por Hamilton de Holanda

19 comentários:

Beto Canales disse... @ 16 de agosto de 2009 19:16

gostei!

Cris Animal disse... @ 16 de agosto de 2009 20:08

Isso se chama MEDITAÇÃO no sentido mais primitivo e puro que possa haver: se reconhecer em si mesmo, através de seus sons, seu silêncio, sua "pesca" em palavras e pensamentos.
Que vc, minha Querida, encontre nessa busca linda e nesse caminho de paz, toda as respostas silenciosas para perguntas que talvez, nem existam. Que vc encontre toda a simplicidade de apenas... ser nessa meditação.

Maiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, amei o convite. Sério! De coração para coração. Fiquei super feliz e adoraria estar com vc, tomar café, bater-papo. Não conheço sua cidade, mas conheço Búzios....ahhh...Búzios é MARAVILHOSO e tenho certeza sua cidade serrana também deve ser. Conheço Teresópolis e acho linda. Seria parecido?
Até amanhã de manhã fico aqui na casa do meu amigo e depois eu vou passar o dia com uma amiga que não vejo há alguns meses. Ela mora na Lagoa. Já havia prometido que estaria coma ela na hora do almoço para colocar a vida em dia....rs
Devo voltar na terça de manhã, pq na quarta-feira à tarde tenho compromisso em Sampa. Contudo, não queria prazo de validade para seu convite....rs
Quando voltar ao Rio quero ver vc. Vou amar conhecer minha amiga blogueira, que é gênio com as palavras e poder sentar em algum lugar e bater muuuuuuuuuuuuuuito papo, falar de muitas coisas e principalmente agradecer por todo o seu carinho e afeto.
Um beijo e obrigada de verdade pelo convite!

Ricardo Valente disse... @ 16 de agosto de 2009 20:22

O silêncio tem trilha sonora.
Beijo, Mai!

©tossan disse... @ 16 de agosto de 2009 21:40
Este comentário foi removido pelo autor.
©tossan disse... @ 16 de agosto de 2009 21:45

Os fotógrafos fazem isso, faz parte da caça por imagens e ao mesmo tempo um aprendizado muito importante segue o caminho mais curto para a serenidade. Belo texto! Beijo

Adriana disse... @ 16 de agosto de 2009 23:53

não sei se foi teu silêncio ou tua música que me fisgou...

Juliana Porto disse... @ 17 de agosto de 2009 02:16

A trilha, a melodia e o tom da tua escrita são fascintes.
Sentarei aqui mais vezes.

=*

paula barros disse... @ 17 de agosto de 2009 09:04

O silêncio, me vi um pouco nesse texto, vi Dauri, e estou lhe vendo.

SilÊncio, que precisam de expressão, que dizem muito, que não calam.

beijo

Everson Russo disse... @ 17 de agosto de 2009 09:25

No silencio a gente diz tudo, a gente ouve tudo, traduz tudo, acalma a alma...beijos e uma linda semana pra voce...

Rafael Belo disse... @ 17 de agosto de 2009 10:31

A música da vida é nosso silêncio, não só nas pausas. Por que canções exigem coração, melodias não são ineterruptas. "Minha boca cala, velando um pacto de ouvir em silêncio, o som do coração das coisas". o coração dos seus versos. Tocante e lá maior querida. Beijoss

Letícia disse... @ 17 de agosto de 2009 11:23

Eu fico em silêncio também. Raras vezes.

Bonito, Mai. =)

Cadinho RoCo disse... @ 17 de agosto de 2009 13:38

No silencio a transparência dos dizeres desprovidos de palavras mas que insinuam ritmo e musicalidade. Na rede, o convívio virtuoso de encontros tão sinceros quanto virtuais.
Cadinho RoCo

Delirius disse... @ 17 de agosto de 2009 16:11

Mai! Fabuloso!...
É tudo quanto consigo dizer!...

Beijo :))

Luis Eustáquio Soares disse... @ 17 de agosto de 2009 17:40

mai, o silência murmura a melodia do e no grito, do e no barulho, como um avesso;ou, dizendo de outro modo, como se for ao desejo de silêncio, ou da música do silêncio, na intensidade do barulho, como se o silêncio fosse o que o barulho evita, impondo-se: a harmonia das melodias dos silêncios, essas outras vozes do mundo, em proliferação.
beijos
luis de la mancha.

Caio Fernandes disse... @ 17 de agosto de 2009 17:49

nada melhor que engolir o silencio e deixar ele se abrir pela espinha dorsal como uma asa ao entendimento ( desentendendo o mundo da logica )... e viver isso
obrigado Mai .... mais uma que voce acabe comigo !!!!
beijos e felicidades .

Mateus Araujo disse... @ 17 de agosto de 2009 19:28

Ah, costumo dizer que temos todos uma trilha sonora. A trilha sonora do pensamento. Um momento em silêncio somos capazes de ouvir a música do dia, ou da hora. Mas também nem é preciso estar em silêncio. Basta cair pra dentro. Tu, nos textos, em sua música, parece que onde cai, é muito mais que este seu rio, é um oceano de profundezas.

TEAMO
Bjão♥

BAR DO BARDO disse... @ 17 de agosto de 2009 20:13

Você já leu "La voix du silence", Madame Blavatsky?

Relacionei...

Felicidades, Mai!

A Senhora disse... @ 18 de agosto de 2009 10:39

O meu silêncio tem som de bola batendo na parede, de riso de quem aprontou, de risada escancarada de arte de quem se diverte com uma comédia, de choro de um dedo machucado, de manha de uma tarefa que não quer fazer, de um aconchego que espia por meu ombro para saber o qeu digito por aqui. :)

beijinhos, querida

Mirse disse... @ 18 de agosto de 2009 21:27

Hello, Mai!

Lindo texto, pelo menos para mim que amo o silêncio.

Na intertextualização de porosa-poética percebi que você smpre procura o silêncio branco. Que realmente é o mais aprazível.
É o silêncio dos poetas e dos músicos em geral!

Amei!

Beijos

Mirse

Postar um comentário

 

Seguidores

Links Inspirados